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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

CULTO  DO  EVANGELHO  NO  LAR


Por vezes corremos tanto durante a semana que nem nos damos conta de separar um tempinho tao importante quanto o nosso trabalho é para todos nós: o momento do Culto do Evangelho no Lar.

Se existe algo que me deixa encantada é o hábito da populaçao americana em tirar um dia do ano para dar Graças a Deus por tudo que passaram durante este mesmo ano. Isso sim, merecia muito ser copiado pelas outras naçoes. A gratidao é uma das virtudes mais agradáveis aos olhos de Deus.

Pararmos uma vez por semana, preferentemente junto aos nossos familiares, é um momento especial e de muitas bênçaos. Podemos fazer uma leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo de maneira sistemática ou aberto ao acaso, sabendo que o acaso nao existe. Se nao for uma família Espírita, que abra a Bíblia procedendo da mesma maneira.

Iniciamos com uma prece pedindo a presença dos bons Espíritos ao nosso lado e que possam nos intuir nas nossas necessidades. Selecionamos nossa leitura e fazemos um breve comentário sobre ela. 

Podemos, ainda, aproveitar esse momento para iniciarmos o estudo de alguma obra em especial, ouvir um podcast, assistir um vídeo e similares. Tudo organizado par que nao seja muito extenso e cansativo e para que nao atrapalhemos os compromissos dos Mentores em suas atividades assistenciais.

Nao devemos nos esquecer de colocar nossas águas para serem fluidificadas. Ali é colocado um medicamento elaborado no Plano Maior para cada um de nós de acordo com a nossa necessidade. Essas águas sao verdadeiros remédios para nos auxiliar onde quer que estejam localizadas as nossas dores sejam elas de natureza física, espiritual, mental ou moral.

O cultivo desse hábito pode parecer pequeno mas é de grande importância para a proteçao da nossa casa e de nossa família.

E formada uma corrente mento-elétrico-magnética ao redor da nossa casa que evita a aproximaçao de energias negativas emitidas pelos dois planos da vida. 

Se em sua casa ainda nao foi criada a rotina de fazer o Culto do Evangelho no Lar nao espere mais. Institua esse hábito e usufrua de todo esse manancial de amor que nos é oferecido.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

A Parábola do Semeador

QUE TIPO DE SOLO É O SEU CORAÇÃO?
Tema: Vida Cristã | Crescimento
Mateus 13.1-23

Naquele mesmo dia, saindo Jesus de casa, assentou-se à beira-mar;  2 e grandes multidões se reuniram perto dele, de modo que entrou num barco e se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia.  3 E de muitas coisas lhes falou por parábolas e dizia: Eis que o semeador saiu a semear.  4 E, ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as aves, a comeram.  5 Outra parte caiu em solo rochoso, onde a terra era pouca, e logo nasceu, visto não ser profunda a terra.  6 Saindo, porém, o sol, a queimou; e, porque não tinha raiz, secou-se.  7 Outra caiu entre os espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram.  8 Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.  9 Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.  10 Então, se aproximaram os discípulos e lhe perguntaram: Por que lhes falas por parábolas?  11 Ao que respondeu: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido.  12 Pois ao que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas, ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.  13 Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem.  14 De sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis.  15 Porque o coração deste povo está endurecido, de mau grado ouviram com os ouvidos e fecharam os olhos; para não suceder que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração, se convertam e sejam por mim curados.  16 Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque vêem; e os vossos ouvidos, porque ouvem.  17 Pois em verdade vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não viram; e ouvir o que ouvis e não ouviram.  18 Atendei vós, pois, à parábola do semeador.  19 A todos os que ouvem a palavra do reino e não a compreendem, vem o maligno e arrebata o que lhes foi semeado no coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.  20 O que foi semeado em solo rochoso, esse é o que ouve a palavra e a recebe logo, com alegria;  21 mas não tem raiz em si mesmo, sendo, antes, de pouca duração; em lhe chegando a angústia ou a perseguição por causa da palavra, logo se escandaliza.  22 O que foi semeado entre os espinhos é o que ouve a palavra, porém os cuidados do mundo e a fascinação das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera.  23 Mas o que foi semeado em boa terra é o que ouve a palavra e a compreende; este frutifica e produz a cem, a sessenta e a trinta por um.

Introdução
            A agricultura é algo muito interessante. Quando plantamos algumas sementes e ficamos a observar, notamos que algumas sementes não nascem, outras nascem e morrem, outras nascem, ficam firmes por um tempo, e, em seguida, morrem, ao passo que outras nascem, florescem e produzem frutos espetaculares. O texto da parábola do semeador, nos fala de uma verdade semelhante a essa na vida espiritual.
Narração da Parábola:
            Em nosso texto, Jesus conta a história de um lavrador que saiu ao campo para semear sementes de trigo. Diz o texto, que Jesus foi para beira do mar; e, é bem possível que ele tivesse acabado de passar por uma plantação. Aproveitando-se da circunstância, Jesus quis ensinar o povo uma grande lição espiritual. A história que Jesus conta, fala sobre algumas sementes, da mesma espécie, que caíram em quatro lugares (solos) diferentes, e, consequentemente, tiveram fins totalmente diferentes.
I. As que Caíram à Beira do Caminho (4)
Diz Jesus, que uma parte caiu à beira do caminho. Quando o semeador sai a semear, ele vai lançando as sementes pela terra, por isso, é algo normal que algumas caíssem à beira caminho.
Ao caírem à beira do caminho, duas coisas poderiam acontecer àquelas sementes: 1) por estarem à beira do caminho, certamente seriam pisadas por quem lá passasse, e, logo, esmagadas; ou, 2) as aves do céu viriam rapidamente e comeriam as sementes, não sobrando absolutamente nada. Em resumo, essas sementes eram esmagas ou eram comidas pelas aves.
II. As que Caíram Entre as Pedras (5,6)
De início, as sementes que caíram entre as pedras brotaram rapidamente. É algo impressionante de se notar o quão veloz estas sementes florescem.
Como o plantio é feito no inverno, há chuva suficiente e umidade, logo os brotos verdes aparecem. Mas o lavrador treinado sabe que as aparências enganam, posto que ao chegar a primavera, e as chuvas cessarem, a terra vai esquentar e as plantas murcharão. E vão murchar porque essas sementes, que agora são plantas, não têm raízes profundas, capazes de suprir a planta com água suficiente. O resultado é que elas morrem ressecadas. Semente sem raiz não vai muito longe, brota cedo e morre cedo.

III. As que Caíram Entre os Espinhos (7)
As sementes que foram lançadas entre os espinhos pareciam ter mais probabilidade de crescer e se desenvolver, do que aquelas que caíram à beira do caminho ou que foram lançadas entre as pedras.
Essas sementes começam a crescer, mas quando chega a primavera, começam a aparecer também os espinhos, que vão crescendo juntamente com as sementes, até ao ponto daqueles, ultrapassarem de tamanho, as próprias sementes.
O detalhe é que a terra onde essas sementes foram lançadas é boa, mas a dificuldade é que não existe só o trigo, têm também o joio (espinhos). Os espinhos, ao crescerem, vão sugando toda a umidade e os nutrientes da terra, ao ponto de, literalmente, sufocarem o trigo. Resumindo, duas plantas estão lutando pelo mesmo lugar, mas vencerá aquela que tiver a raiz mais profunda.

IV. As que Caíram em Terra Boa (8,9)
As sementes que caíram em terra boa não foram pisadas, nem comidas ou muito menos caíram entre as pedras, e, nem tão pouco, tiveram que dividir a terra com os espinhos.
Porque caíram em boa terra, essas sementes deram muitos frutos, a ponto de produzirem até cem vezes mais. Este era o resultado esperado pelo agricultor.

Interpretação da Parábola
A mesma parábola é narrada em Lucas 8.11, e lá ele diz que a semente é a Palavra de Deus. Cada tipo de terra representa um tipo de ouvinte da Palavra de Deus. Isto é, a semente, que a Palavra de Deus, foi anunciada, e cada solo, ou seja, cada ouvinte ouviu e recebeu de um jeito e teve um fim.

I. As que Caíram à Beira do Caminho (19)
Jesus nos ensina que as sementes que caíram à beira do caminho, e são comidas pelas aves, são comparadas aqueles que ouvem a Palavra de Deus, mas antes que as sementes possam frutificar, vem Satanás e as tira do coração. São as típicas pessoas em que a Mensagem entra por um ouvido e sai por outro. Os corações dessas pessoas são tão endurecidos como a terra pisada, a tal ponto de não poderem absorver a semente da Palavra de Deus.
É a típica pessoa que ouve a Mensagem da Palavra de Deus, mas nada é modificado na sua vida.

II. As que Caíram Entre as Pedras (20,21)
Jesus nos ensina que as sementes que caíram entre as rochas e floresceram rapidamente, mas vindo o sol quente morreram, são comparadas as pessoas que ouvem a Palavra de Deus, recebem-nA imediatamente no coração e manifestam grande alegria. É uma pena, porque a alegria manifestada é passageira e efêmera.
São as típicas pessoas que se empolgam com o Evangelho quando o conhecem. Mas na hora das provações, problemas, angústias, dificuldades e tribulações, abandonam a fé, e tudo porque não têm raiz.
Uma palavra que define bem essas pessoas é superficialidade. Elas vêem para a Igreja, ouvem, recebem e se alegram com o Evangelho, mas porque a sua raiz é superficial, acabam desanimando-se e abandonando a fé, na primeira dificuldade que encontram. Talvez você conheça alguém assim? Eu tenho conhecido muitas pessoas assim ao longo da minha caminhada cristã.

III. As que Caíram Entre os Espinhos (22)
Jesus nos ensina que as sementes que caíram entre os espinhos são comparadas àqueles que ouvem a Palavra, mas são sufocados pelos prazeres do mundo, pelas riquezas e pelas ambições.
São as típicas pessoas de uma vida dupla – religião aos domingos e a vida sem religião durante a semana – logo ele descobrirá que as fascinações do mundo o afastarão de Deus.
São as típicas pessoas que trocam Deus e a Igreja pelo cinema, pela corrida de carros no domingo de manhã, pelo jogo de futebol no domingo à tarde, pela presença da família no domingo ou no sábado.
São as pessoas que, por qualquer motivo, deixam de ir à igreja. Hoje eu não vou à igreja porque está fazendo frio, hoje eu não vou à igreja porque está fazendo calor, hoje eu não vou à igreja porque a minha família vem todo o domingo almoçar em casa, hoje eu não vou à igreja porque eu não consigo acordar cedo, hoje eu não vou à igreja porque eu tenho que arrumar a casa, hoje eu não vou à igreja, porque tudo o que eu tenho para fazer é mais importante do que Deus.

IV. As que Caíram em Terra Boa (23)
Jesus nos ensina que as sementes que caíram em terra boa são comparadas aqueles que ouvem a Palavra de Deus, compreendem e frutificam com perseverança.
São as pessoas que ouvem, compreendem e guardam a Palavra de Deus no coração. Ainda que venham as provações e sofrimentos, mas elas permanecem firmes, porque estão enraizadas em Cristo, e dEle recebem todo o alimento necessário para a sua vida espiritual.
São as pessoas que não se deixam levam por qualquer igreja nova que surge na televisão, são as pessoas que não se deixam levar por qualquer vento de doutrina.
Conclusão
            Que tipo de solo é o seu coração? Você é aquele:

I. Solo Duro, que não é capaz de absorver a Semente da Palavra de Deus? E então vem o Diabo e tira do seu coração?

II. Solo rochoso que não deixa a Semente da Palavra de Deus criar raiz, por isso, brota cedo, mas morre cedo?

III. Solo cheio de espinhos, onde a Semente da Palavra de Deus fica sufocada com os prazeres do mundo?

IV. Solo bom, que ao receber a Semente da Palavra de Deus, produz muitos frutos para a Glória de Deus?

Que tipo de solo é o seu coração?

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Maria Madalena - O Apóstolo Esquecido

Maria Madalena - O apóstolo Esquecido




Documentos autênticos do 1º século relatam uma narrativa ignorada da vida de Jesus. Os textos igualam a mensagem do Cristianismo primitivo à Doutrina Espírita. E Maria Madalena ressurge como verdadeiro apóstolo. Há uma nova história do mundo para ser contada.
Nem todos os cristãos contemporâneos de Jesus compreenderam sua mensagem de liberdade, igualdade e fraternidade. Mesmo entre os apóstolos havia controvérsias. Foi difícil para eles compreenderem as novas idéias cristãs, pois estavam condicionados pela religião e costumes judaicos. Um exemplo é quando Paulo, Pedro e Tiago tiveram fortes discussões e uma clara rivalidade sobre a obrigação de todo cristão fazer ou não a circuncisão, prática obrigatória entre os judeus. Alguns cristãos ensinavam na Judéia: “Se vós não receberdes a circuncisão, conforme a lei de Moisés, não podereis ser salvos” (Atos, 15:1-2). Paulo negava com veemência essa falsa interpretação: “Pois em Cristo nem a circuncisão vale coisa alguma, nem a incircuncisão, mas a fé animada pela caridade” (Gálatas, 5:2-6). Tiago defendia abertamente a circuncisão, Pedro ficou em discussões calorosas entre eles que a posição firme de Paulo se estabeleceu.

As mulheres do Cristianismo

Foram revolucionários para a época, os ensinamentos de Jesus. O tratamento que ele dava às mulheres era inaceitável para muitos. As seguidoras de Jesus, não se limitavam a fazer comida, a carregar água e a servir aos homens, como era de hábito, elas ensinavam, debatiam a compreensão dos ensinamentos e até serviam de médiuns para as instruções dos Espíritos. Há uma tradição, apoiada nos próprios Evangelhos bíblicos, de que Maria Madalena não foi uma prostituta arrependida, mas sim, que ocupava uma posição semelhante a dos apóstolos Pedro, João e todos os demais. Ainda hoje a Igreja Ortodoxa Oriental oficialmente considera Madalena o “Apóstolo dos Apóstolos”, uma mulher com atuação mais relevante que os doze discípulos homens.
Naquela época, as mulheres não podiam servir de testemunha nos tribunais de justiça. Mas Jesus escolher exatamente Madalena para ser a única testemunha e sua volta em Espírito depois da morte. Ela foi a eleita para levar essa notícia aos discípulos. Informação das mais importantes, pois era a prova da vida após a morte – a história está descrita nos quatro relatos do Novo Testamento – Maria Madalena teria um papel importante ao lado de Jesus, como discípula esclarecida, e a mais amada.

Os ensinamentos libertários de Jesus foram sendo deturpados e perdidos com o passar dos séculos. A interpretação original do Cristianismo, conhecida por gnose (conhecimento), foi sendo substituída por dogmas, mantidos por uma estrutura hierárquica poderosa: a Igreja Católica. No final do 1º século e início do 2º, ganhou força a idéia de que a Igreja era uma instituição e que essa instituição consistiria essencialmente no colegiado dos seus líderes. Esse grupo optava por uma versão onde os padres seriam intermediários exclusivos entre Deus e o povo. No lugar da liberação pessoal – conquistada pelo próprio ser humano nas vidas sucessivas – imagina-se um julgamento divino decidindo a salvação coletiva, e o destino futuro na eternidade do céu ou do inferno. Por esse caminho, como mediadora da salvação, a Igreja tornava-se um instrumento de dominação do povo.
Eliminação dos contrários
Quaisquer divergências eram duramente reprimidas. Com o tempo, a interpretação Católica do Cristianismo, marcada pela cultura patriarcal e pela centralização do poder, eliminou os vestígios da diversidade de interpretações do Cristianismo Primitivo – cuja gnose era uma das vertentes aceitas. “Os autores sacros nada mais conseguiram do que girar dentro do mesmo círculo, produzindo apreciações pessoais, com seus pontos de vista. Pertencendo ao mesmo partido, tiveram todos de escrever no mesmo sentido, senão nos mesmos termos, sob pena de serem declarados heréticos, como o foram Orígenes [185-254] e tantos mais. Naturalmente, a Igreja só incluiu no número dos seus pais os escritores ortodoxos, do seu ponto de vista; somente exaltou, santificou e colecionou aqueles que lhe tomaram a defesa, ao passo que repudiou os outros e lhes destruiu quanto pôde os escritos. Nada, pois, de concludente exprime o acordo dos pais da Igreja, visto que formam uma unanimidade arranjada a dedo, mediante a eliminação dos elementos contrários”. Afirmou Allan Kardec em Obras Póstumas.
Do mesmo modo que ocorreu com a reencarnação, a igualdade entre homem e mulher, idéia fundamental do Cristianismo, foi abandonada pela Igreja Católica. O clero não assimilou a novidade cristã de uma mulher quebrando os rígidos códigos de comportamento. O patriarcalismo do povo judeu se manteve no decorrer da historio, transformando-se em tradição e normas, válidas ainda hoje. As mulheres interessadas em participar da Igreja Católica foram confinadas nas celas dos conventos, com roupas medievais, afastadas dos sacramentos e das missas, e celibatárias. “Sexo é lei básica da Natureza. Querer suprimi-la é querer suprimir a vida. O celibato religioso contradiz os fundamentos da religião. É uma violência contra as fontes da vida”, esclareceu o filósofo espírita Herculano Pires na obra O Centro Espírita. Com o celibato, frades e freiras vivem os tormentos de um combate sem fim contra suas necessidades naturais, na suposta santidade dos mosteiros e conventos.

As mulheres têm alma?

No auge do desrespeito à mulher, houve até uma assembléia de bispos, na Gália, em 585, com a pretensão de resolver uma inquietante questão: a mulher tem ou não alma?
Os preconceitos da sociedade européia permitiram dúvidas absurdas como essa. Não foram somente os escravos e estrangeiros os diminuídos e explorados. O homem europeu centralizou em si todo poder e direitos, e manteve a mulher, social e culturalmente, isolada, como serviçal de sua casa. Até recentemente, ela não votava, não podia estudar e deveria submeter-se, sem pestanejar, às ordens de seu marido. Entre outras aberrações, ainda no século 19, em diversos países, o marido que se julgasse traído tinha o direito legal de matar sua esposa. Ainda hoje, no Irã, o testemunho da mulher na justiça vale a metade da palavra do homem. Nesse regime, um homem jamais será acusado por sua esposa, pois a palavra dela tem a metade do valor.
Dentro desse clima de hostilidade à figura feminina, Madalena foi injustamente difamada pela tradição da Igreja, a tal ponto que a imagem da prostituta arrependida foi assimilada pelo imaginário popular. Uma mulher dominada pelos prazeres, escrava das paixões, alheia à moral. A atormentada pecadora convertida por Jesus.
Por trás dessas deturpações existem intenções, que de boas nada têm: Madalena simbolizaria uma suposta fraqueza moral da mulher. Nas palavras de Tertuliano (155-220), um dos criadores da Igreja Católica, cada uma das mulheres “representa Eva. A maldição de Deus sobre esse sexo continua vivo em nossos tempos. Culpadas, deveis bordejar as suas durezas. Sois a porta do mal”, afirmou ele em sua obra De Cultu Feminarum (Do Culto de Mulheres).
Fonte: Revista Universo Espírita nº 32 Ano 3 - 2006