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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 

Jerônimo Mendonça
1939 - 1989

Nasceu em Ituiutaba, MG, no dia primeiro de novembro de 1939. Filho de Altino Mendonça e Antonia Olímpia de Jesus, sendo nono filho de uma irmandade de dez filhos. Teve uma infância pobre cheia de privação e seus pais eram muito pobres, analfabetos, lutavam arduamente pela sobrevivência: a mãe lavando roupa para fora e o pai fazendo “bicos” pelas fazendas; conta em uma de suas histórias com muito humor, que o único par de sapatos que teve em sua adolescência foi achado no lixo, quando tentava entrar no cinema. Com treze anos foi levado a conhecer a igreja presbiteriana na qual foi protestante até os 15 anos; era um membro ativo, dava até palestras. Após a desencarnação de sua avó, começou a se debater mentalmente no problema cruciante da morte e do destino da alma, tendo ele um espírito indagador, não se sujeitou aos horizontes estreitos da igreja no que tange a crença em Deus, o conceito de uma vida única e de uma salvação limitada. A amizade com um espírita fê-lo converter-se à doutrina espírita. O amigo esclareceu-lhe as dúvidas da vida além-túmulo e conseguiu acalmá-lo. Já na puberdade, Jerônimo começou a sentir dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos. Esses pontos de seu corpo passaram a “inchar” e já aos dezoito anos andava com dificuldade. Teve vários empregos, porém as dores se agravaram, não lhe deram tréguas e o impediram de permanecer por muito tempo num mesmo trabalho e era sempre obrigado a se afastar. Foi ele balconista, entregador de jornal, redator-chefe de uma revista e professor. Seu passatempo preferido era o cinema, era fascinado pelo Tarzan, sendo este o seu apelido. Enquanto sua saúde lhe permitiu, participou ativamente das excursões com os jovens de uma Mocidade Espírita, estava ele com dezesseis anos. Desde jovem já mostrava interesse pelo espiritismo, frequentando o Centro Espírita que tinha na cidade. E isso foi de grande auxílio para ele, pois aos 18 anos de idade se defrontava com uma das primeiras grandes provações que tinha de vencer, passou a sofrer uma doença, não muito rara, a artrite reumatoide, que causava enorme dor e dificuldade de locomoção, quadro que foi se agravando até que aos 20 anos de idade ficou definitivamente de cama. Certo dia foi ao cinema assistir “... E o Vento Levou”, mas não havia nenhuma poltrona vazia. Jerônimo ficou quatro horas em pé no fundo da sala e ao terminar o filme estava petrificado, com grande vibração de dor nos membros inferiores. Foi aí que começou a jornada dolorosa e difícil da paralisia, como ele mesmo conta em sua autobiografia. Passou três meses deitado, plenamente impossibilitado de se locomover. Depois usou muletas por algum tempo enquanto ia lecionar, no entanto, acabou mesmo tendo de ficar numa cama ortopédica, acometido de artrite reumatoide progressiva. O quadro enfermo de Jerônimo era tão desolador que mesmo sob efeito de medicamentos, seus amigos tiveram que fabricar uma cama especial e colocar sobre seu peito um saco de areia de 30 quilos para que ele pudesse suportar a dor. Recebeu de um amigo a doação de uma Kombi para poder ser levado às palestras. Jerônimo tornou-se orador espírita. Podemos dizer que ele conseguiu transformar seu leito numa tribuna ambulante (deu palestras pelo Brasil todo) e por meio dela conseguiu realizar um grande e valioso trabalho. Quem o conheceu afirma que ele estava sempre rindo, gostava de um bom papo e de cantar também. Certa vez, o Dr. Fritz disse-lhe que ele tinha a doença de três cês – cama, carma e calma. Os amigos sempre levavam Jerônimo ao cinema e também a outros lugares para se distrair. Estando, certa ocasião, justamente num cinema, uma moça tropeçou em sua cama e “explodiu”: “Mas não é possível! Aonde eu vou, está o aleijado! Vou a uma festa, o aleijado lá! Esse aleijado me persegue! Aonde eu vou, ele está!” Jerônimo pensou consigo: “E agora?! A moça está revoltada, nervosa mesmo. Tenho que lhe dar uma resposta, mas não quero irritá-la mais ainda. O que dizer?” E saiu com essa: “Mas também, minha filha, você não para em casa, hein!” Ela olhou-o atônita e começou a rir. Riram juntos. Ficaram amigos. Permaneceu assim cerca de trinta e dois anos preso ao leito, paralítico e com a agravante perda da visão. Quase não dormia, aproveitou para estudar bastante o Espiritismo. Quando ficou cego amigos liam para ele. Nunca lhe faltaram bons amigos. Mas certa vez, um repórter lhe perguntou o que é a felicidade. Ele respondeu assim: “A felicidade, para mim, deitado há tanto tempo nesta cama sem poder me mexer, seria poder virar de lado”. Em outra ocasião, ele disse: “Casei-me com a Doutrina Espírita no civil e com a dor no religioso”.

Eis alguns casos da vida desse vulto do espiritismo:

1- Por ocasião de um “enterro”, quando o cortejo seguia para o cemitério, sua Kombi estava logo atrás. Retirado o caixão, quando as pessoas se dirigiam para o local, um alcoolizado que passava, vendo os amigos lhe carregando a cama, exclamou: “Nossa! Dois defuntos! Esqueceram o caixão deste!” Ele aprendeu a não se revoltar com comentários infelizes. Gostava de citar uma frase de Cairbar Schutel: “Melindres é orgulho ferido”.

 2- Numa palestra de Divaldo Pereira, a cama de Jerônimo estava em evidência, na frente, para não atrapalhar os que quisessem passar. Em certo momento, aproximou-se um homem alcoolizado e disse-lhe: “Paralítico, levanta-te e anda!” E Jerônimo lhe disse: “Depois, meu amigo, depois”. Temia Jerônimo que a cena fosse notada e atrapalhasse a palestra. “Paralítico, levanta-te e anda!”, insistiu o bêbado.“Bem que eu queria, mas não consigo”, falou baixo Jerônimo, tentando chamar o homem à razão. O bêbado saiu desconsolado: “Oh, homem de pouca fé!”.

3- Ele costumava ser requisitado para a prece de despedida por ocasião da desencarnação de conhecidos. Um dia, próximo ao túmulo, coube-lhe a palavra. Depois emocionadas, as pessoas foram saindo, conversando. Esqueceram-no no cemitério. Altas horas da noite, quando os amigos foram visitá-lo em casa e ele não estava, é que se lembraram do cemitério, indo buscá-lo. Em ocasiões como essa, exercitava a resignação. Tinha que esperar que se lembrassem dele, até para um cafezinho ou um copo de água.

 4- Um certo dia, um Senhor foi orientado pela irmã de Jerônimo, para que aquele fosse fazer uma visita a seu irmão, e assim o fez. Quando chegou a casa, ele foi convidado a entrar e, ouvindo o barulho do pessoal nos fundos da casa, para lá se dirigiu. As gargalhadas de Jerônimo sobressaíam a distância. O homem estava tão desesperado que ao ouvir os risos virou-se a D.Terezinha e disse, revoltado: “É esse homem que irá me confortar?” Fez-se silêncio, o senhor foi chamado e apresentado. “Jerônimo, aqui está um senhor que veio de São Paulo só para conversar com você. Por certo, desejará fazê-lo sozinho”. Os jovens se retiraram, e o senhor tomou a palavra: “Olha moço, eu era uma pessoa muito rica até uma semana atrás. Eu tinha uma fazenda com eletricidade, com todo conforto da vida moderna, até campo de aviação. Tinha tudo. Fui tão incauto, que ao fazer a venda da fazenda passei a escritura e recebi uma nota fria”. Jerônimo estranhou o que era uma nota fria. “Uma duplicata sem valor. Eu não tive nem condições de reclamar. O advogado falou que era perda de tempo. A minha família antes se tolerava porque nós conversávamos por bilhetes, eu nos meus weekends, a minha esposa nos seus chás e os filhos iam aonde queriam. Agora todos vêm em cima de mim, me cobrando o conforto, me cobrando a fazenda; eu não resisto a essa situação. Estava na farmácia justamente comprando um remédio para dar fim à minha vida, quando apareceu um amigo que perguntou:” “ Para que você quer isso?” “Como ele sabia do negócio que eu fiz e do meu desespero, ele falou:” “Eu não admito que você compre esse remédio!” “Eu respondi: Como? Você não manda na minha vida! Aí ele me disse:” “Eu vou deixar, sim,você cuidar de sua vida, se você me prometer que vai conversar com o Jerônimo Mendonça em Intuiutaba. Eu lhe dou a passagem”. “Ele me deu a passagem, aqui estou, mas acho que eu perdi tempo, porque você é uma pessoa feliz, que não sabe o que é o sofrimento alheio”. Jerônimo lhe respondeu: “Meu amigo, você é uma pessoa que realmente está sofrendo. Você perdeu uma fazenda maravilhosa, mas vamos supor que essa criatura que lhe comprou a fazenda voltasse agora e lhe perguntasse: “Você quer trocar a fazenda por um olho seu?” “Ah! Jerônimo, que bobagem é essa, isso é conversa que se fale!” “Não, o olho não, o olho é muito precioso, então vamos supor... Um braço”. “Ah! Mas que bobagem! Que conversa! Onde já se viu isso? Oh, meu amigo! E cheguei à conclusão que você não é pobre, você não é miserável. Você é arquimilionário das bênçãos de Deus”. O homem ao sair dali mudou seu modo de pensar, sempre que podia voltava para trocar ideias com Jerônimo, e acabou se tornando um trabalhador da seara espírita”. 
 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Biografias importantes

BITTENCOURT SAMPAIO  BIOGRAFIA

Bittencourt Sampaio
Francisco Leite de Bittencourt Sampaio nasceu em Laranjeiras (SE) dia 01 de fevereiro de 1834 e desencarnou no Rio de Janeiro a 10 de outubro de 1895.

Foi jurisconsulto, magistrado, político, alto funcionário público, jornalista, literato, renomado poeta lírico e excelente médium espírita.

Militante na política, filiou-se ao partido liberal. Foi eleito deputado para a Assembleia Geral Legislativa nas legislaturas 1864-1866 e 1867-1870. Neste último período foi Presidente do Espírito Santo, nomeado por carta imperial.

Em 1870 abraçou as ideias republicanas. Com Saldanha da Gama, Quintino Bocaiuva e outros assinou o célebre manifesto de 03 de dezembro de 1870, importantíssimo documento histórico. Foi um dos fundadores do Partido Republicano.

Jornalista, colaborou em diversos órgãos de imprensa no Rio e em S. Paulo. Não só era reputado pelo brilho de seus artigos mas também grandemente respeitado pela elevação, sinceridade e firmeza com que sustentava e defendia os seus ideais.

Foi o primeiro administrador da biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.

Autor de diversas obras em prosa e verso, foi considerado por Sylvio Romero e João Ribeiro o primeiro dos autores líricos brasileiros, logo depois de Gonçalves Dias.

Entre suas obras merece destaque “A Divina Epopeia de João Evangelista”. Trata-se de uma reprodução do Evangelho de João, em versos decassílabos, de rara beleza e grandiosidade.
Como espírita, desenvolveu sua mediunidade de receitista no “Grupo Confúcio”, no Rio de Janeiro.

Em 1876 fundou a “Sociedade de Estudos Espíritas Deus, Cristo e Caridade”.

Antônio Luís Saião, convertido ao Espiritismo graças à mediunidade curadora de Bittencourt Sampaio, fundou o “Grupo Ismael”. Ali Bittencourt Sampaio recebeu belas e instrutivas mensagens de Espíritos Superiores.

Quando desencarnou José Bonifácio, o “Moço”, Bittencourt Sampaio dedicou-lhe os seguintes versos:

Sim! Ele entrou, de bênçãos radiantes,
Pelo portão de luz da eternidade,
Qual águia que dos céus na imensidade,
Livre revoa, tão de nós distante!

Depois de sua desencarnação, através do médium Frederico Júnior, Bittencourt Sampaio escreveu “Jesus perante a Cristandade”, “De Jesus para as Crianças” e “Do Calvário ao Apocalipse”.

No livro mediúnico “Voltei”, o Irmão Jacob, através do médium Francisco Cândido Xavier, revela que Bittencourt Sampaio colabora nos planos superiores da Espiritualidade, na supervisão do Espiritismo evangélico no Brasil.

Fonte: Livro Personagens do Espiritismo, de Antônio de Souza Lucena e Paulo Alves Godoy – Edições FEESP

sábado, 27 de outubro de 2012

Biografia do Espírito Hammed


Hammed

Hammed Hammed é o nome do Espírito ao qual o médium paulista Francisco do Espírito Santo Neto (Quico) atribui a maior parte de suas obras psicografadas.
Hammed é o pseudônimo que ele adotou, alegando sentir-se assim mais livre para desempenhar os labores espirituais que se propõe a realizar na atualidade. Viveu por várias vezes no Oriente, e especificamente, na milenar Índia. Participou na França do século XVII do movimento jansenista, precisamente no convento do Port-Royal des Champs, nas cercanias de Paris, como religioso e médico. Costuma se mostrar espiritualmente ao médium ora com roupagem característica de um indiano, ora com trajes da época do rei francês Luís XIII.
É autor de diversas obras, psicografadas pelo médium, como "Renovando Atitudes", "Os Prazeres da Alma", "As Dores da Alma" e "A Imensidão dos Sentidos". Destaca-se dentre os autores espíritas pela abordagem com elementos da psicologia e da filosofia oriental.

extraído de "Renovando Atitudes", de Hammed 

Muito conhecido por seus livros, palestras e seminários por todo país, Quico - como é chamado - respondeu à nossa entrevista com carinho e atenção, trazendo informações de sua experiência como espírita e médium. Natural e residente em Catanduva, fundou há mais de 25 anos a Sociedade Espírita Boa Nova. Com formação em Administração e com curso completo em Neurolinguistica, voce pode conhecê-lo um pouco mais nas respostas que disponibilizamos.





Como o Espiritismo surgiu em sua vida?
Meu primeiro contato com o Espiritismo aconteceu quando eu morava na fazenda dos meus pais e era muito jovem. Naquela época notava alguns fenômenos curiosos, escutava passos e ruídos. Como recebi uma educação católica, acreditava que era tudo fruto da minha imaginação. Depois disso, com aproximadamente 18 anos de idade, minha mediunidade aflorou ostensivamente quando estive com amigos num terreiro de Umbanda. Meus braços começaram a formigar - sensação que tomou conta do corpo inteiro – e disseram que eu havia recebido um espírito. A partir daí as sensações mediúnicas que antecedem a incorporação ficaram cada vez mais comuns. Em 1973, o grande amigo Diomar Ziviani me orientou na questão espírita e me apresentou ‘O Livro dos Espíritos’ de Allan Kardec e ‘Voltei’ de Irmão Jacob. Foi meu primeiro contato com essas obras, mas a sensação era de que já conhecia aquelas lições. Através do estudo comecei a entender e administrar minha mediunidade. 


Como iniciou seus trabalhos de psicografia?
Já administrava minhas faculdades mediúnicas através da psicofonia, quando em novembro de 1974 recebi minha primeira página psicografada que tinha como título ‘O Valor da Oração’. Ela era assinada por Ivan de Albuquerque, espírito até então completamente desconhecido. Acredito que a psicografia requer muito estudo. É muito bom ser um instrumento de comunicação entre esse mundo e o Espiritual.


Quem foi Hammed?
Hammed e eu tivemos o primeiro contato no final de 1972, através da psicofonia. Tempos depois, soube que temos uma ligação espiritual muito forte, que é uma consequência de diversas experiências passadas. Antes da Era Cristã, por exemplo, já havíamos vivido várias vezes juntos no Oriente – inclusive na Índia.



Quais atividades filantrópicas o grupo Boa Nova desenvolve?
Através do Instituto Beneficente Boa Nova desenvolvemos uma série de trabalhos. Temos uma creche que atende diariamente 135 crianças de ambos os sexos, entre três meses e sete anos de idade, em regime de semi-internato. Elas são acompanhadas por professores e recreacionistas, que através de atividades lúdicas e formais, possibilitam o desenvolvimento nos aspectos físico, social, afetivo e espiritual.

A rotina começa às sete da manhã, quando as crianças chegam à Creche. Depois de tomarem banho e vestirem o uniforme, os pequenos se reúnem para o café da manhã. Após a refeição, todos seguem para as salas de aula, pátio, parquinho ou para a brinquedoteca, de acordo com a programação do dia. Às onze da manhã todas almoçam, depois escovam os dentes e vão dormir. Após o descanso, elas recebem o café da tarde e retornam às atividades até as quatro horas, horário em que jantam. Após isso, elas retornam para os seus lares, às cinco da tarde.
Além da creche, temos o Lar Esperança, que atende senhoras em regime de internato. Tratamento médico e odontológico, roupas, alimento e cabeleireiro estão entre os benefícios oferecidos às senhoras, que tem instalações totalmente adaptadas para elas.
Além disso, mantemos o posto médico-odontológico e ações voltadas para o atendimento sócio-cultural e para um grupo de mães e gestantes. Hoje, a entidade que a princípio se acomodava numa pequena sala, ocupa dois quarteirões em Catanduva.


Como você analisa o Espiritismo na atualidade?
O Espiritismo tem ganhado força a cada ano. Acredito que isso se deva ao momento que o mundo está enfrentando, com tantas mudanças. As pessoas têm procurado respostas e o consolo proporcionado pela espiritualidade. Acredito também que o aumento de pessoas no Espiritismo esteja relacionado à busca de respostas para assuntos que nos afligem como a morte, por exemplo. Isso sem contar nos ótimos livros, CD’s e filmes lançados regularmente, que fazem com que a doutrina esteja sempre em pauta.


Como você analisa a quantidade de livros espíritas que estão sendo publicados atualmente e o surgimento de tantas Editoras Espíritas?
Os dois últimos censos do IBGE mostram que o número de espíritas no Brasil cresceu 40%. Além disso, muitas pessoas simpatizam ou têm curiosidade pelos ensinamentos da Doutrina. Com tanta gente interessada, o aumento do número de publicações é consequência. De um modo geral, acredito que essa expansão do mercado editorial seja positiva, já que a maioria dos livros espíritas contém mensagens importantes. No entanto, é licito lembrar as palavras de Paulo de Tarso: ‘tudo posso, mas nem tudo me convém’.


Qual o critério que a Editora Boa Nova usa para editar livros?
Qualquer tipo de publicação relacionada ao nome Boa Nova passa por uma avaliação, antes de ser divulgada. O primeiro critério é analisar sempre junto com os amigos espirituais as intenções verdadeiras das pessoas que nos escrevem e que muitas vezes estão dissimuladas, seja na publicação de livros, na formulação de perguntas nas entrevistas, na confecção de mensagens dos amigos espirituais, etc.

A partir de então, os livros e outros textos que recebemos passam por nosso Conselho Editorial. Lá, eles são analisados e devem se encaixar em nossas propostas literárias e apresentar conteúdos de qualidade, para que sejam publicados. Se você notar, temos em nosso catálogo separadamente os livros que classificamos como Espíritas, Espiritualistas, Auto-ajuda, etc. Isso para não vendermos ‘gato por lebre’, como diz o ditado popular.

Qual a importância do livro espírita na divulgação da Doutrina Espírita?
A literatura tem um papel fundamental para o Espiritismo. Através dos ensinamentos contidos em obras como ‘O Livro dos Espíritos’ e ‘O Evangelho Segundo o Espiritismo’, por exemplo, as pessoas podem aprender intelectualmente e ao mesmo tempo, buscar a evolução espiritual
.
O Instituto Beneficente Boa Nova cresceu vertiginosamente em poucos anos. Em sua opinião qual o motivo deste sucesso tão rápido?
Você acredita que 25 anos seja pouco tempo? A Boa Nova foi uma das primeiras distribuidoras a ser criada. Ela foi fundada em 1986 e trabalha sem interrupção, desde então. O crescimento da Boa Nova é fruto de muito trabalho e dedicação, já que nosso objetivo primordial sempre foi divulgar a Doutrina Espírita com critério e responsabilidade. Além disso, o número de pessoas em busca de conforto espiritual tem aumentado, até em decorrência desse momento agitado pelo qual o mundo tem passado. Por esses e outros tantos fatores, nossos projetos têm alcançado bons resultados. Com isso, mais e mais pessoas encontram ajuda, seja nas mensagens contidas nos livros espíritas, seja nos vários projetos sociais desenvolvidos pela Boa Nova (creche, lar de idosas, Clube de Mães, auxílio à famílias e gestantes, etc.).


segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Biografia de Jerônimo Mendonça Ribeiro - O gigante deitado

O GIGANTE DEITADO


Jerônimo Mendonça Ribeiro- O gigante deitado


“Sua vida foi um hino de amor ao bem.
Incansável na Seara de Jesus
Ele era todo luz!
A sua cama era a sua cruz
E a dor intensa, a sua companheira,
Mas em Jesus ele encontrou
O melhor exemplo que seguiu a vida inteira.
Nenhuma queixa dele se ouviu
Resignado sempre até quando partiu”
(In poema-canção “Tributo a Jerônimo Mendonça”, de Izaias Claro)

“Paciência é a ciência da paz”

Jerônimo foi uma pessoa que vivenciou, pôs em prática os ensinamentos do Divino Rabi da Galiléia. Podemos dizer que ele vivenciou, deveras, o Evangelho, foi um exemplo vivo de coragem, resignação e otimismo.


Jerônimo Mendonça Ribeiro nasceu em Ituiutaba, MG, no dia primeiro de novembro de 1939. A sua infância foi a de uma criança normal. Freqüentou escola até o início do antigo ginasial.


Seus pais eram muito pobres, analfabetos, lutavam arduamente pela sobrevivência: a mãe lavando roupa para fora e o pai fazendo “bicos” pelas fazendas.


Já na puberdade, Jerônimo começou a sentir dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos. Esses pontos de seu corpo passaram a “inchar” e já aos dezoito anos andava com dificuldade.


Teve vários empregos, porém as dores agravaram, não lhe deram tréguas e o impediram de permanecer por muito tempo num mesmo trabalho. Era sempre obrigado a se afastar. Foi ele balconista, entregador de jornal, redator-chefe de uma revista e professor.


Seu passatempo preferido era o cinema, era fascinado pelo Tarzan, sendo este o seu apelido.


Quando adolescente, freqüentou uma Igreja Presbiteriana. Era um membro ativo, dava palestras. Após a desencarnação de sua avó, começou a se debater mentalmente no problema cruciante da morte e do destino da alma. A amizade com espírita fê-lo converter-se à doutrina espírita. O amigo esclareceu-lhe as dúvidas da vida além-túmulo e conseguiu acalmá-lo.


Enquanto sua saúde lhe permitiu, participou ativamente das excursões com os jovens de uma Mocidade Espiritista. Certo dia foi ao cinema assistir “... E o Vento Levou”, mas não havia nenhuma poltrona vazia. Jerônimo ficou o tempo todo em pé no fundo da sala e ao terminar o filme estava petrificado, com grande vibração de dor nos membros inferiores. Foi aí que começou a jornada dolorosa e difícil da paralisia, como ele mesmo conta em sua autobiografia. Passou três meses deitado, plenamente impossibilitado de se locomover. Depois usou muletas por algum tempo enquanto ia lecionar.


Porém, acabou mesmo tendo que ficar numa cama ortopédica, acometido de artrite reumatóide progressiva. Permaneceu assim cerca de trinta e dois anos preso ao leito, paralítico e com a agravante perda da visão. Quase não dormia, aproveitou para estudar bastante o Espiritismo. Quando ficou cego, amigos liam para ele. Nunca faltaram-lhe bons amigos.


Jerônimo tornou-se orador espírita. Podemos dizer que ele conseguiu transformar seu leito numa tribuna ambulante (deu palestras pelo Brasil todo) e por meio dela conseguiu realizar um grande e valioso trabalho.


Fundou em Ituiutaba a creche “Pouso do Amanhecer” e ainda Centros, Lares e Comunidades Espíritas e também uma gráfica, estas em outras localidades.


Escreveu seis livros, entre romances e livros de poesias: “Crespúsculo de Um Coração”, “Cadeira de Rodas”, “Nas Pegadas de Um Anjo”, “Escalada de Luz”, “De Mãos Dadas com Jesus” e “Quatorze Anos Depois” (em co-autoria). Deixou um esboço autobiográfico, infelizmente inacabado.


Jerônimo foi, realmente, um gigante. E pensar que ficou totalmente paralítico, sem poder mover nem mesmo o pescoço, cego durante vinte anos, com dores no corpo, dores terríveis no peito, necessitando de quilos de peso de areia para suportar a dor, tomando um determinado remédio várias vezes por dia e, ainda assim, leitores amigos, sempre sereno e resignado!


Quem o conheceu afirma que ele estava sempre rindo, gostava de um bom papo e de cantar também. Certa vez, o Dr. Fritz disse-lhe que ele tinha a doença de três cês – cama, carma e calma. Os amigos sempre levavam Jerônimo ao cinema e também a outros lugares para se distrair. Estando, certa ocasião, justamente num cinema, uma moça tropeçou em sua cama e “explodiu”: “Mas não é possível! Aonde eu vou, está o aleijado! Vou a uma festa, o aleijado lá! Esse aleijado me persegue! Aonde eu vou ele está!” Jerônimo pensou consigo: “E agora?! A moça está revoltada, nervosa mesmo. Tenho que lhe dar uma resposta, mas não quero irritá-la mais ainda. O que dizer?” E saiu com essa: “Mas também, minha filha, você não pára em casa, hein!” Ela olhou-o atônita e começou a rir. Riram juntos. Ficaram amigos.


Assim era o Jerônimo, sempre alegre, espirituoso, seu lema era “Não perder a calma jamais”.


Duas pessoas que ficaram grandes amigas suas foram o Chico Xavier e o cantor Roberto Carlos. O ”Gigante deitado” deu muitas entrevistas, inclusive na TV, também recebia muitas visitas, até de estrangeiros. Muita gente lhe pedia conselhos.


Certa vez, um repórter lhe perguntou o que é a felicidade. Ele respondeu assim: “A felicidade, para mim, deitado há tanto tempo nesta cama sem poder me mexer, seria poder virar de lado”. Em outra ocasião, ele disse: “Casei-me com a Doutrina Espírita no civil e com a dor no religioso”.


Jerônimo Mendonça desencarnou no dia 26 de novembro de 1989, depois de ter completado meio século de vida. Quase toda ela num leito de dor e, vamos dizer assim, dor e também trabalho. Dizem os experts que não havia explicação científica plausível para o fato de estar ainda encarnado. Com o agravamento da doença, seu corpo não oferecia mais as mínimas condições de vida. Seu pulso, seus batimentos cardíacos, por exemplo, em momentos de crise, não eram mais registrados pelos instrumentos da medicina, tal a sua fragilidade.


E pensar que ele nunca parou de viajar, trabalhar, agir.


Nesta parte final do artigo, quero colocar algumas palavras de Jerônimo: “Ante a sublime verdade do Espiritismo cristão, vejo e sinto que realmente a nossa vida na Terra não passa de curto aprendizado ante o infinito da vida neste Universo imenso!”


“Nesta batalha (contra a doença) é preciso lutar e vencer, jamais ser vencido. Enquanto me ferem os grilhões, liberto-me do homem velho que fui, antevendo horizontes inatingidos... Onde a mestra dor dar-me-á a alforria merecida”.


“A enfermidade tem o seu curso educativo. Mas é mister saber sofrer, extraindo da dor o remédio positivo para combater as enfermidades de ordem perispiritual. Abandonemos toda vaidade, antes que a vaidade nos abandone”.


Quem conheceu Jerônimo (há depoimentos no livro “O Gigante Deitado”, afirma que o propósito de sua vida era ouvir, ajudar e falar do Evangelho, aliviando as dores alheias. Vejam só!!! O livro “Jerônimo Mendonça: Sua Vida e Sua Obra”, mostra-nos quem ele foi em algumas encarnações passadas. Em uma delas foi o príncipe egípcio Horemseb, homem misterioros, cruel, envolto em bruxaria, que matou muita gente. Fascinava as mulheres que se apaixonavam loucamente por ele, utilizando uma rosa enfeitiçada. Posteriormente, reencarnado como o também egípcio Cambises, praticou crimes hediondos contra seus inimigos, servos e a própria família. Como Rei Luís da Baviera (há um filme de Luchino Visconti sobre ele, intitulado “Ludwig”) não progrediu, mergulhou na ociosidade, podemos dizer que sucumbiu em orgias e devassidão. Luís acabou ficando louco. Esse passado triste do Jerônimo como o príncipe Horemseb nós podemos encontrar na obra “Romance de Uma Rainha” (dois volumes), do Conde J.W. Rochester.


Para finalizar, diria que a resignação ante a dor é uma virtude que poucos já conquistaram. Jerônimo, cuja companhia de quase todos os dias de sua vida foi a dor, foi também um grande modelo de resignação. Aprendeu a sofrer com paciência. Aprendamos com ele. É um modelo a ser seguido, foi um espírito de extraordinária coragem para aceitar uma prova tão rude. E venceu, como ele mesmo disse em uma mensagem mediúnica enviada algum tempo após a sua desencarnação: “Sou um pássaro livre”.


BIBLIOGRAFIA


http://www.oswaldogalotti.com.br/materias/read.asp?Id=567&Secao=114


Maluf, Maria Gertrudes Coelho, Jerônimo Mendonça: Sua Vida e Sua Obra, 2ª edição, Criativa Serviços e Publicidades Ltda, Uberlândia, MG, 1992.

Vilela, Jane Martins, O Gigante Deitado, 1ª edição, Casa Editora O Clarim, Matão, SP, 1994.

Biografia de Cornélio Pires



BIOGRAFIA DE CORNÉLIO PIRES
 
A ARTE DE SUA ÁRVORE GENEALÓGICA

No dia 13 de Julho do ano de 1884, um domingo de muito frio, nasceu Cornélio Pires, na cidade de Tietê, veio à luz na chácara de seus tios Eliseu de Campos, (Chico Eliseu) e Isabel Pires de Campos, (Nhá Be), avô do popular Ariowaldo Pires (Capitão Furtado) e do radialista Mauro Pires. A chácara ficava na divisa entre o bairro de Sapopema e o do Garcia, e nela moravam todos da família de Cornélio. Segundo o escritor, era décimo quarto neto de Piquerobi, chefe dos índios Guaianazes, sétimo neto de Brás Cubas, sétimo neto de Pedro Taques, décimo sétimo neto de Martim Leme, tronco dos famosos Lemes, da cidade de Burges, capital da Flandres Ocidental, décimo terceiro neto do velho Chefe índio Tibiriçá, oitavo neto do governador Álvares Cabral, que por sua vez era sobrinho de Pedro Álvares Cabral, descobridor do Brasil, descendia também de João Ramalho e Antonio Rodrigues, portugueses que provavelmente faziam parte das expedições de João Dias Solis, ou de Fernando de Magalhães, que vieram à América, o primeiro em 1513 e o segundo em 1519, "ficaram nas praias de São Vicente por causas ainda hoje ignoradas". Cornélio Pires deixou ainda registrado, ter possuído sangue Espanhol, Escocês, Belga, Português, Índio e Francês, este ultimo via Gurgel e Missel. Numa conversa com amigos, em uma noitada, disse "Pelo lado português, descendo de Antônio Rodrigues e João Ramalho, por isso sempre me atraíram os Fados e Viras, o Castelhano me deixou especial inclinação para os trocadilhos, do Holandês me ficou a tendência para o fumo, a cerveja e a genebra, dos meus antepassados Belgas herdei a bonacheirice moleirona, dos meus ancestrais Escoceses (os Drummond), não cheguei nem a herdar a sovinice, dos Franceses (Gurgel e Missel), ficou-me uma parcela insignificantíssima de cortesia". Agora, seu sobrinho, Mauro Pires é quem diz: - De seu pai, Raimundo Pires, homem de sete instrumentos, pois sabia fazer tudo com perfeição, Cornélio herdou o bom humor inesgotável, a graça para contar piadas e anedotas, com as quais divertiam-se os sócios de clubes e freqüentadores de teatros quando de suas apresentações.


O NASCIMENTO, SEU NOME, SEU BATISADO E SUA INFÂNCIA

Cornélio foi descendente de Bandeirantes, era filho de Raimundo Pires de Campos e de Ana Joaquina de Campos Pinto, (D. Nicota), nasceu antes do tempo, pois Tia Nicota, grávida de Cornélio, escorregou em uma casca de laranja, caiu sentada e passou a sentir fortes dores, acabou indo para a cama por volta das 11 horas. Quando Tio Raimundo chegou da roça, teve que cortar o cordão umbilical do recém nascido. Como vê, nascido antes do tempo e ainda com o nome trocado. E o próprio escritor diz: "Meu nome tem a sua historia". Uma de minhas tias maternas andava de namoro com um parente chamado Rogério Daunt, e foi ela que me levou a Pia Batismal. Ao me batizar, Padre Gaudêncio de Campos, que era nosso parente, e nesta época já bem velho e muito surdo, pergunta: "Como se chama o inocente?". Ao que responde sua Tia, "Rogério". E o Padre – "Eu te batizo, Cornélio...". E Cornélio crescia, porém desde cedo revelou-se um chorão de primeira, por qualquer motivo soltava as lágrimas. Certa feita, sua mãe o levou para visitar alguns parentes, e em meio a conversa com os adultos, ele começou a chorar sem nenhuma razão. A dona da casa, muito preocupada, desdobrou-se para acalmá-lo dizendo: -Que é isso Cornélio..., o que você tem? – Perguntou ela com ternura, alisou-lhe os cabelos loiros e deu-lhe uma moeda de alguns reis. – Tá, tome este presentinho pra calar o bico. Coitadinho! O menino parou de chorar, limpou as lágrimas com as costas das mãos e exclamou. – Ah! A senhora pensa que eu choro por dinheiro? E bem rápido, agarrou o níquel, enfiou no bolso da calça de brim e iniciou outra choradeira. De outra feita, um outro tio, muito zombeteiro, sempre que o encontrava, dava-lhe amáveis e doidos piparotes na cabeça. A brincadeira tornou-se monótona pela repetição. O menino não gostava dos gracejos, porém, nunca se queixou aos pais. D. Nicota, contudo, soube dos que se passava e recomendou ao filho, entre divertida e indignada. – Quando ele bater outra vez, você responda que não foi batizado por Cabeçudo. Certo domingo, o garoto se dirigia ao jardim, quando se encontrou com o parente e este repetiu o gesto e usou da mesma expressão. Cornélio, pensando no que sua mãe lhe disse, foi logo dizendo todo atrapalhado. – "Não fui BATIZUDO por CABECADO! E saiu de cara amarrada entre risos dos presentes. Outra passagem, ocorreu em uma das tentativas de alfabetização de Cornélio. Seus pais já cansados em tentativas frustradas, conheceram um grande sábio dinamarquês, Alexandre Hummel, um professor ideal para o filho, pensavam os pais. Hummel era pobre, solteiro, sóbrio, vivia em hotéis quando podia, altivo de caráter. Vivia baixando em fazendas, lecionando quase que só a troca de cama e mesa. Ensinava tudo o que lhe pediam e dominava muito bem o português. Com a morte de Ruy Barbosa, o jornal "O Tietê" encomendou-lhe uma reportagem. O sábio Dinamarquês, sentou-se a mesa da redação e redigiu um bonito artigo sobre Ruy Barbosa, sem consultar livros ou biografias. Hummel era dono de uma memória prodigiosa, dominador de vários idiomas, tinha um bom senso de humor, porém não era humorista, no sentido popular. Isto não lhe deixava entender ou tolerar um menino gordo, muito feio, cheio de vontades. Talvez no seu íntimo, vendo a desatenção do caipirinha, às vezes o tachasse de burro. Mas não foi o que disse um dia irritado. – "CORRRNELIO PIRRES", você e muito "INTELICHENTE, mas e muito "IGNORRANTE"!.


SUA INICIAÇÃO LITERÁRIA E SUA MATURIDADE

Já crescido, por volta de 1907, conhecido como Tibúrcio, este apelido, ele ganhou na passagem de um circo pela cidade, que possuía um orangotango chamado de Tibúrcio, seus amigos achando alguma semelhança, passaram então a chamá-lo de Tibúrcio. Cornélio foi trabalhar, a convite de um tal Dr.Vieira, na redação do jornal "O Movimento", semanário político que circulava na cidade de São Manoel, em S.P. Certa noite, alguém lançou um concurso de feiúra e divulgou pela cidade. Poucas semanas depois, o redator do jornal de Dr. Vieira, anunciou que, Cornélio Pires, ele mesmo, ganhara o concurso – por unanimidade! - O tieteense sempre brincalhão, achou graça e cooperou no certame para sua melhor performance. No dia da entrega do premio, lá estava o vencedor pronto para receber seu premio: "Uma corda para se enforcar"! Esta outra ocorreu pelo ano de 1933, já beirando os 49 anos, com a afamada superstição do numero 13. Um grande amigo das noitadas de Cornélio o encontrou sentado em um banco na Praça do Patriarca muito pensativo. Começaram a conversar e em pouco tempo estava formada a tradicional roda em volta dos dois. Alguém fez referências ao acaso de certas pessoas serem perseguidas pelo numero 13. Cornélio com aquele jeitão, achando sempre um "a propósito" para todos os casos, chamou a atenção da roda. – Pois saibam vocês que tenho grande predileção pelo número 13, e sou por ele fartamente retribuído. E Cornélio começou sua descritiva:
Cornélio Pires – 13 letras. Vi a luz em Julho – 13 letras. Nasci no dia treze – 13 letras. Século passado – 13 letras. Eu sou paulista – 13 letras. Sou brasileiro – 13 letras. Nasci no Brasil – 13 letras. Sul de São Paulo – 13 letras. Cidade de Tietê – 13 letras. D.Anna Joaquina (minha mãe) – 13 letras. Raimundo Pires (meu pai) – 13 letras. Poeta e caipira – 13 letras. Poeta e "conteur" 13 letras. Conferencista – 13 letras. Escrevo livros – 13 letras. Sou muito pobre – 13 letras. Sou muito feliz – 13 letras. Eu sou solteiro – 13 letras. Amei treze "emes" (o M e a 13 letra do alfabeto) – 13 letras. E o escritor regionalista concluiu: Não cito os nomes das minhas 13 namoradas, porque, vocês compreendem... E com esta, até logo. – Para aonde vais? - Vou tomar Bonde! – E note uma coisa, que sua pergunta e minha resposta, ambas tem 13 letras!


O ENCERRAMENTO DA VIDA E A PASSAGEM PARA A POSTERIDADE

Até doente Cornélio ainda mostrava sua veia de humorista. Esta aconteceu no hospital que Cornélio estava internado, em São Paulo. Ele recebia visitas de parentes, em seu quarto, quando entrou uma enfermeira com sua medicação diária. Era composta de comprimidos e de uma injeção. Tomou os comprimidos enquanto a enfermeira preparava a seringa. Virou-se ela e perguntou. – Sr. Cornélio, aonde quer que aplique esta injeção? Cornélio olhou para os braços já todos picados, olhou para cima, para os lados e sem cerimônia disse: - Pode aplicar ali na parede mesmo! Algum tempo depois, em 17 de Fevereiro de 1958, as 2:30 h , falecia Cornélio Pires no Hospital das Clínicas de São Paulo, vítima de câncer na laringe. Seus restos mortais foram trasladados no mesmo dia para sua cidade natal e sepultados no cemitério local. Faleceu solteiro convicto e em plena lucidez, tinha 74 anos incompletos. Foi enterrado de pijamas e descalço, conforme sua vontade.


Poema escrito por Cornélio Pires, psicografado por Chico Xavier e interpretado por Rolando Boldrin