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domingo, 22 de janeiro de 2012

Emmanuel fala sobre Ramatís e a transição planetária

                                Emmanuel fala sobre Ramatís


A mensagem abaixo reproduzida contém a íntegra de uma entevista realizada com o médium Francisco Cândido Xavier e seu Instrutor Espiritual Emmanuel publicada pela Revista Boa Vontade, Ano 1, nº 4 – Outubro de 1956.

Logo que apareceram as primeiras publicações do opúsculo "Conexão de Profecias", de Ramatís, que mais tarde resultou na obra "Mensagens do Astral" (1ª edição em 1957), o Conselho Editorial da Revista da Boa Vontade (LBV) foi a Pedro Leopoldo - MG, a fim de ouvir a palavra autorizada de Emmanuel, através daquele aparelho maravilhoso que foi FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER.

Isto, porque o que era dito pelo espírito de Ramatís, parecia perfeitamente lógico. Mas, como constituía novidade, não se poderia aceitar de pronto algo que não passasse pelo crivo de várias manifestações mediúnicas, através de diversos aparelhos.


Desta forma, munidos do aparelho de gravação em fita, foram atendidos gentilmente pelo médium, que respondeu às perguntas feitas, repetindo as palavras da resposta, que eram ditadas por Emmanuel. A gravação foi feita no dia 05 de janeiro de 1954, e até hoje conservado o rolo gravado em poder da LBV e reproduzida na edição de outubro de 1956, ano I nº 4 da Revista da Boa Vontade.

Passamos a estampar as perguntas e respectivas respostas:


                            A conversa abaixo foi feita no dia 5 de janeiro de 1954.

Pergunta: – Poderíamos ter alguns informes a respeito de Antúlio?
Chico Xavier: – Vejo, aqui, nosso diretor espiritual, Emmanuel, que nos diz que um estudo acerca da personalidade de Antúlio exigiria minudências relacionadas com a história, no espaço e no tempo, que, de imediato, não podemos realizar. De modo que, tão somente, pode afiançar-nos que se trata de uma entidade de elevada hierarquia, no plano espiritual; vamos dizer; um ASSESSOR, ou um daqueles ASSESSORES, que servem nos trabalhos de execução do plano divino, confiado ao Nosso Senhor JESUS CRISTO, para a realização do progresso da Terra, em geral.
Esclarece nosso amigo que JESUS CRISTO, como GOVERNADOR de nosso mundo, no sistema solar, conta, naturalmente, com grandes instrutores, para a evolução física e para a evolução espiritual, na organização planetária. E, subordinados a esses ministros, para o progresso da matéria e do espirito, no plano que nós habitamos presentemente, conta Ele com uma assembléia de múltiplos INSTRUTORES, de variadas condições, que lhe obedecem as ordens e instruções, numa esfera, cuja elevação, de momento, escapa à nossa possibilidade de apreciação. Antúlio forma no quadro destes elevados servidores.


Pergunta: – Que pode o irmão dizer-nos a respeito do astro que se avizinha, segundo a predição de Ramatís?
Chico Xavier: – Esclarece nosso orientador espiritual que o assunto alusivo à aproximação de um Planeta ou de Planetas, da zona – ou melhor da aura da Terra – deve, naturalmente, basear-se em estudos científicos, que possam saciar a curiosidade construtiva das novas gerações renascentes no mundo.
O problema, desse modo, envolve acurados exames, com a colaboração da ciência e da observação de nossos dias. 
Razão por que pede ele que não nos detenhamos na expressão física dos acontecimentos que se vizinham, para marcar maiores acontecimentos – acontecimentos esses de natureza espetacular – na transformação do plano em que estamos estagiando, no presente século.
Afirma nosso amigo que o progresso da óptica e das ciências matemáticas, serão portadoras, naturalmente, de ilações, conclusões da mais alta importância para os nossos destinos, no futuro próximo.

Pergunta: – Pode Emmanuel dizer-nos algo a respeito da verticalização do eixo da Terra e das transformações que esta sofrerá, segundo Ramatís?
Chico Xavier: – Afirma nosso Orientador espiritual que não podemos esquecer que a Terra, em sua constituição física, propriamente considerada, possui os seus grandes períodos de atividade e de repouso.
Cada período de atividade e cada período de repouso da MATÉRIA PLANETÁRIA, que hoje representa o alicerce de nossa morada temporária, pode ser calculado, cada um, em duzentos e sessenta mil (260.000) anos. 
Atravessando o período de repouso da matéria terrestre, a vida se reorganiza, enxameando de novo, nos vários departamentos do Planeta, representando, assim, novos caminhos para a evolução das almas.
Assim sendo, os GRANDES INSTRUTORES da Humanidade, nos PLANOS SUPERIORES, consideram que, desses 260.000 anos de atividade, 60 a 64 mil anos são empregados na reorganização dos pródomos da vida organizada.
Logo em seguida, surge o desenvolvimento das grandes raças que, como grandes quadros, enfeixam assuntos e serviços, que dizem respeito à evolução do espírito domiciliado na Terra.
Assim, depois desses 60 a 64 mil anos de reorganização de nossa Casa Planetária, temos sempre grandes transformações, de 28 em 28 mil anos.
Depois do período dos 64 mil anos, tivemos duas raças na Terra, cujos traços se perderam, por causa de seu primitivismo.
Logo em seguida, podemos considerar a grande raça Lemuriana, como portadora de urna inteligência algo mais avançada, detentora de valores mais altos, nos domínios do espírito.
Após a raça Lemuriana – em seguida aos 28.000 anos de trabalho lemuriano propriamente considerado – chegamos ao grande período da raça Atlântida, era outros 28.000 anos de grandes trabalhos, no qual a inteligência do mundo se elevou de maneira considerável.
Achamo-nos, agora, nos últimos períodos da grande raça Ariana.
Podemos considerar essas raças, como grandes ciclos de serviços, em que somos chamados de mil modos diferentes, em cada ano de nossa permanência na crosta do planeta, ou fora dela, ao aperfeiçoamento espiritual, que é o objetivo de nossas lutas, de nossos problemas, de nossas grandes questões, na esfera de relações, uns para com os outros.
Assim considerando, será mais significativo e mais acertado, para nós, venhamos a estudar a transformação atual da Terra sob um ponto de vida moral, para que o serviço espiritual, confiado às nossas mãos e aos nossos esforços, não se perca em considerações, que podem sofrer grandes alterações, grandes desvios; porque o serviço interpretativo da filosofia e da ciência está invariavelmente subordinado ao Pensamento Divino, cuja grandeza não podemos perscrutar.
Cabe-nos, então, sentir, e, mais ainda, reconhecer, que os fenômenos da vida moderna e as modificações que nosso “habitat” terreal vem apresentando nos indicam a vizinhança de atividades renovadoras, de considerável extensão.
Daí esse afluxo de revelações da vida extra-terrestre, incluindo sobre as cogitações dos homens; esses apelos reiterados, do mundo dos espíritos; essa manifestação ostensiva, daqueles que, supostamente mortos na Terra, são vivos na eternidade, companheiros dos homens em outras faixas vibratórias do campo em que a humanidade evolui.
Toda essa eclosão de notícias, de mensagens, de avisos da vida espiritual, devem significar para o homem, domiciliado na Terra do presente século, a urgência do aproveitamento das lições de JESUS. 
Elas devera ser apreciadas em si mesmas, e examinadas igualmente no exemplo e no ensinamento de todos aqueles que, em variados setores culturais, políticos e filosóficos do globo – lhe traduzem a vontade divina, que na essência é sempre a nossa jornada para o Supremo Bem.
*Os termos da comunicação obtida em Curitiba (a “Conexão de Profecias”, de Ramatís) são de admirável conteúdo para a nossa inteligência, de vez que, realmente, todos os fatos alusivos à evolução da Terra, e referentes a todos os eventos, que se relacionam com a nossa peregrinação para a vida mais alta, estão naturalmente planificados, por aqueles MINISTROS de Nosso Senhor JESUS CRISTO; os quais, de acordo com Ele, estabelecem programas de ação para a COLETIVIDADE PLANETÁRIA, de modo a facilitar-lhe os vôos para a divina ascensão.
Embora, porém, esta mensagem, por isso mesmo, seja digna de nosso melhor apreço, contudo, na experiência de companheiro mais velho, recomenda-nos nosso Orientador Espiritual (Emmanuel) um interesse mais efetivo, para a fixação de valores morais em nossa personalidade terrena, de conformidade com os padrões estabelecidos no Evangelho de nosso Divino Mestre. 
Porque, para nossa inteligência, os fenômenos renovadores da existência que nos cercam têm qualquer coisa sensacional, de surpreendente, nosso coração de inclinar-se, humilde, diante da Majestade do Senhor, que nos concede tantas oportunidades de trabalho, em nós mesmos, a revelação dos grandes acontecimentos porvindouros; novo soerguimento íntimo, novo modo de ser, a fim de que estejamos realmente habilitados a enfrentar valorosamente as lutas que se avizinham de nós, e preparados para desfrutar a Nova Era que, qual bonança depois da tempestade, facilitará nossos círculos evolutivos.
Será, todavia, muito importante encarecer, que não devemos reclamar, do TERCEIRO MILÊNIO, uma transformação absolutamente radical, nos processos que caracterizam, por enquanto, a nossa vida terrestre.
O prazo de 47 anos é diminuto, para sanar os desequilíbrios morais, de tantos séculos, em que o nosso campo coletivo e individual adquiriu tantos débitos, diante da sabedoria e diante do amor, que incessantemente apelam para nossa alma, no sentido de nos levantarmos, para uma clima mais aprimorado da existência.
Não podemos esquecer, que grandes imensidades territoriais, na América, na África e na Ásia, nos desafiam a capacidade de trabalho. 
Não podemos olvidar, também, que a Europa, superalfabetizada, se encontra num Karma de débitos clamorosos, à frente da LEI, em doloroso expectação, para o reajuste moral, que Ihe é necessário.
Aqui mesmo, no Brasil, numa nação com capacidade de asilar novecentos (900) milhões de habitantes, em quatrocentos e alguns anos de evolução, mal estamos – os espíritos, encarnados na Terra em que temos a bênção de aprender ou recapitular a lição do Evangelho – mal estamos passando das faixas litorâneas.
Serviços imensos esperam por nossas almas no futuro próximo.
E, se é verdade que devemos aguardar, em nome de Nosso Senhor JESUS CRISTO, condições mais favoráveis para a estabilização da saúde humana, para o acesso mais fácil às fontes da ciência; se nos compete a obrigação de esperar o melhor para o dia de amanhã cabe-nos, igualmente, o dever de não olvidar que, junto desses direitos, responsabilidades constringentes contam conosco, para que o Mundo possa, efetivamente, atender ao programa Divino, através, não somente da superestrutura do pensamento científico – que é hoje um teto brilhante para os serviços de inteligência do mundo – mas também, através de nossos corações, chamados a plasmar uma vida, que seja realmente digna de ser vivida por aqueles que nos sucederão nos tempos duros; entre os quais, naturalmente, milhões de nós os reencarnados de agora, formaremos, de novo, como trabalhadores que voltam para o prosseguimento da tarefa de auto acrisolamento, para a ascensão sublime, que o Senhor nos reserva.
Considerando, assim, a questão sob este prisma, cabe-nos contar com o concurso da ciência, no setor das observações de ordem material; com a evolução dos instrumentos de óptica; com o avanço dos processos de exame, na esfera da QUÍMICA PLANETÁRIA, na qual os mundos podem ser analisados, como ÁTOMOS DA AMPLIDÃO DE UNIVERSOS, que se sucedem uns aos outros, no infinito da Vida.
Será lícito, então, esperar que certas afirmativas, referentes a vida material, se positivem satisfatoriamente, para mais altas concepções da MENTE PLANETÁRIA; de vez que, muito breve, o homem estará ligado à glória da RELIGIÃO CÓSMICA, da Religião do Amor e da Sabedoria, que o CRISTIANISMO RENASCENTE, no Espiritismo de hoje, edificará para a Humanidade, ajustando-a ao concerto de bênçãos, que o grande porvir nos reserva.

Pergunta: – Foi, de fato, há 37.000 anos que submergiu a Atlântida?
Chico Xavier: – Diz nosso Amigo (Emmanuel) que o cálculo é, aproximadamente, certo, considerando-se que as últimas ilhas, que guardavam os remanescentes da civilização atlântida, submergiram, mais ou menos, 9 a 10 mil anos, antes da Grécia de Sócrates.

Pergunta: * – Acha nosso irmão que a Mensagem de Ramatís deva ser divulgada com amplitude?
Chico Xavier: – Diz nosso Orientador que a Mensagem é de elevado teor… 
E todo trabalho organizado com o respeito, com o carinho e com a dignidade, dentro dos quais essa Mensagem se apresenta, merece a nossa mais ampla consideração, de vez que todos nós, em todos os setores, somos estudiosos, que devemos permutar as nossas experiências e as nossas conclusões para a assimilação do progresso, com mais facilidade em favor de nós mesmos.



Revista Boa Vontade, Ano 1, n0 4 – Outubro de 1956.”

domingo, 13 de novembro de 2011

Todos nós podemos ser espíritas, se realmente o quisermos

 
Ibraim Filogônio Neto (foto) nasceu em Belo Horizonte-MG, onde reside. Conheceu o Espiritismo em 1987 e a partir daí tornou-se adepto e hoje propagador da doutrina através de palestras que realiza em várias instituições espíritas de Belo Horizonte e de inúmeras localidades. É membro da Fraternidade Espírita Irmã Scheilla, situada na capital mineira. É também músico e produtor cultural.
Ibraim conversou conosco sobre sua participação no movimento espírita e sobre interpretações bíblicas, onde prima por seus estudos e palestras. Nesta entrevista vários temas foram abordados e as respostas de Ibraim Neto seguem a
linha de uma exegese comparada, útil e inteligente:

Doutrina Espírita e a Bíblia. Em sua opinião, devemos apenas ater-nos aos estudos doutrinários ou devemos também vasculhar aqueles livros ditos sagrados?
Quando vemos que o próprio Allan Kardec publicou em 1864 o livro “O Evangelho segundo o Espiritismo” que busca trazer a explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo, ou seja, fazer exatamente um “estudo comparado entre a Doutrina Espírita e a Bíblia”, fica claro que as pessoas que não estão interessadas em fazer este estudo comparado, na verdade, não estão interessadas num estudo sério da Doutrina Espírita. O livro “O Evangelho segundo o Espiritismo” nunca pretendeu substituir a Bíblia Sagrada, mas sim trazer explicações sobre as “máximas morais do Cristo”, por serem estas máximas, segundo as conclusões de Kardec, o ponto em comum entre as diversas doutrinas cristãs. O livro “O Evangelho segundo o Espiritismo” é uma atitude ecumênica de Allan Kardec buscando agregar todos os cristãos dos diversos credos e não uma tentativa de substituir a Bíblia Sagrada. 
Qual o mecanismo que melhor nos capacita a enriquecer os valores doutrinários a partir dos estudos bíblicos?
Você deve buscar adquirir uma biblioteca básica de estudos que tenha, pelo menos: O “Vade Mecum Espírita” de Luiz P. Guimarães, Edição FAE; mais de uma Bíblia Sagrada, a saber: Bíblia Sagrada com concordância da Editora Vida; Bíblia de Jerusalém, Paulus; Um bom dicionário bíblico (por exemplo, o “Dicionário Ilustrado da Bíblia” da Editora Vida Nova); O Evangelho segundo o Espiritismo; bons livros espíritas que estudam os Evangelhos: Parábolas e ensinos de Jesus, Cairbar Schutel; Elucidações Evangélicas, Antônio Luiz Sayão; entre outros. Ler diariamente um pouco. A questão 625 de “O Livro dos Espíritos” aponta Jesus como “o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao ser humano, para lhe servir de guia e modelo”. Partindo desta informação, nada mais natural do que buscarmos nos diversos livros da Bíblia Sagrada os textos que tratam da doutrina e da história do nosso amado Mestre Jesus, deixando claro que a base moral da Doutrina Espírita tem como fonte os livros da Bíblia Sagrada. Por isso, estudar o Espiritismo seriamente prevê um estudo aprofundado dos livros da Bíblia Sagrada, em especial, dos 27 livros que compõem o Novo Testamento. 
Moisés – Jesus – Kardec. Onde os elos se encontram?
Moisés, segundo a espiritualidade superior, é a primeira revelação, à humanidade da Terra, da existência de um Deus único. Ele nos fala da vinda de Jesus, o enviado de Deus ou o Messias, no livro Deuteronômio 18:18. Jesus, explicando-nos que “não poderia nos dizer todas as coisas naquele tempo” (João 16:12 e 25), nos promete a vinda do outro Consolador, o Espírito da Verdade, que, segundo Jesus em João 14:26, “vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”. Allan Kardec, quando estava na casa do Sr. Baudin em 25/03/1856 (Livro “Obras Póstumas”, FEB, 21ª edição, página 273 – “Meu Guia Espiritual”), ao perguntar o nome de seu guia espiritual, este se intitula “A Verdade”. Posteriormente, este mesmo Espírito irá escrever o prefácio do livro “O Evangelho segundo o Espiritismo” e dará 4 mensagens que se encontram transcritas nesse mesmo livro, na parte “Instrução dos Espíritos” do capítulo 6, “O Cristo Consolador”. 
Em sua opinião há uma identidade conhecida para aquele que assina como “O Espírito da Verdade” conforme o prefácio de “O Evangelho segundo o Espiritismo”?
Naquela data acima citada, Kardec pergunta ao Espírito “Verdade”: “Terás animado na Terra alguma personagem conhecida?”, o Espírito só responde: “Já te disse que, para ti, sou A Verdade; isto significa discrição; nada mais saberá a respeito”. Podemos ler em João 14:17, Jesus afirmar sobre o Espírito da Verdade “que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece”. Assim sendo, pouco sabemos sobre a identidade desse Espírito que, ao que nos é dado saber, foi o coordenador de todo o trabalho de Allan Kardec no plano espiritual para a fundação da Doutrina Espírita. Mas é razoável se pensar que Deus não tem nem grupos nem povos eleitos e que o “Espírito da Verdade” está fazendo o seu trabalho não apenas para os espíritas, mas como em todas as religiões do mundo que levem o ser humano a Deus e à prática do bem de todos. 
Qual a questão de “O Livro dos Espíritos” que mais toca sua sensibilidade e por quê?
São duas, as questões 625 e 642. Na 625, porque aponta o nosso modelo e, na 642, porque nos instrui sobre o que Deus espera de nós. 
Sabemos que Jesus é o construtor – ou coconstrutor – do nosso planeta. O que mais instiga nesta situação é como Ele chegou até o ponto de tamanha condição. Pode nos dizer algo a respeito?
Entre o Big Bang ocorrido há 13 bilhões de anos atrás (a grande explosão que gerou todas as galáxias do Universo) e a saída do planeta Terra do nosso Sol, ocorrida há 4,5 bilhões de anos, há um espaço de tempo de 8,5 bilhões de anos. Neste período é que se deu a evolução espiritual de Jesus. Jesus é um Espírito muito antigo que já alcançou um altíssimo grau de evolução espiritual que o permitiu coordenar a gênese do planeta Terra como um cocriador do Universo (João 1:1 e seguintes), assim como também ser o tutor da humanidade que evolui neste planeta. Leia o livro espírita “A Caminho da Luz”, que Emmanuel escreveu através de Chico Xavier, no capítulo 1, intitulado “A gênese planetária” e terá uma boa visão do trabalho de Cristo na construção geológica do planeta Terra. 
Kardec é figura maiúscula na história da humanidade. A partir de qual fundamento esta frase está correta?
Sem sombra de dúvidas que o grande mestre Allan Kardec fez um trabalho inestimável pela humanidade cumprindo com grande sucesso, brilhantismo e dedicação a missão que teve naquela profícua reencarnação, organizando todas as comunicações dos Espíritos e compilando-as em livros que são a base da Doutrina Espírita, doutrina que tem como objetivo nos fazer entender melhor os ensinos de Jesus e dos Espíritos superiores. Porém, quando olhamos uma pintura de muito perto, poderemos perder muitos detalhes da beleza do quadro. É sempre mais interessante observarmos a obra quando afastamos alguns passos atrás e conseguimos uma melhor visão do todo. Vendo a obra deste ponto, o grande Allan Kardec representa uma das maravilhosas pinceladas do quadro da evolução espiritual da humanidade do planeta Terra, quadro este que é pintado, na verdade, por Jesus. Este quadro é bem maior do que o Espiritismo e do que a obra de Allan Kardec. Trata-se de um projeto de proporções grandiosas, no qual muitas mãos já trabalharam e outras ainda trabalham sob o amoroso comando do Mestre Jesus. Allan Kardec é um dos grandiosos colaboradores do projeto de Jesus no planeta Terra. 
Instinto e Inteligência. Qual a melhor conclusão que se pode tirar destes estudos?
Quando somos criados por Deus, somos o que os Espíritos superiores chamam de “princípio inteligente”. Para evoluirmos, passamos pelos reinos inferiores da natureza até chegarmos ao reino humano (leia a resposta à questão 540 de “O Livro dos Espíritos”). Quando o “princípio inteligente” está estagiando no reino animal, trabalha o desenvolvimento de seu instinto, que é um tipo de inteligência limitada (Questão 593 de “O Livro dos Espíritos”). Quando o “princípio inteligente” chega à condição humana, não perde o seu instinto, mas passa a trabalhar o desenvolvimento da “razão” através da aquisição de conhecimentos e sentimentos. Assim desenvolve a sua inteligência, que é o grande instrumento que passa a utilizar para evoluir espiritualmente. 
Dan Brown estava certo quando escreveu em “O Código da Vinci” que Jesus e Madalena se consorciaram?
 “O Código Da Vinci” é um romance policial e deve ser lido como tal. O seu escritor estará certo ao escrever o que queira em seu romance, especialmente porque este tem como objetivo o seu sucesso comercial e não tem nenhum compromisso com a verdade. Porém chega a ser ridículo para Dan Brown expor a toda a comunidade literária internacional o seu profundo desconhecimento sobre a natureza espiritual de Jesus Cristo, assim como demonstra desconhecimento sobre a grandiosidade de sua missão, que está muito acima da digna missão de um pai de família. Este livro - “O Código Da Vinci” - conseguiu deter a colocação de 11º livro mais vendido no mundo e acabou virando filme com sucesso de bilheteria. Este livro agitou tanto o interesse humano por um simples motivo: Sempre na história da humanidade nós tentamos colocar nos deuses, ou em seus enviados, características das paixões humanas, rebaixando-os a condições de igualdade conosco, apenas para não termos a obrigação de nos elevarmos à condição deles. 
É dado ao médium o direito de refutar sua tarefa dentro do exercício da sua mediunidade?
Claro. Deus nos concede este direito, usar o livre-arbítrio, e nos permite fazer o uso que quisermos de todas as nossas faculdades, sabendo, porém, que seremos responsáveis por “todo o mal que haja resultado de não haver praticado o bem” que poderíamos fazer. (questão 642 de “O Livro dos Espíritos”). Porém, assim como na parábola dos talentos (Mateus 25:14) haverá aqueles que multiplicarão os talentos recebidos, haverá também os que enterrarão os seus talentos, ou seja, as suas possibilidades, as suas potencialidades, as suas qualidades e características. E “Deus recompensará a cada um segundo as suas obras” (Romanos 2:6). 
Há centros espíritas que não admitem a execução de qualquer tipo de manifestação artística em suas dependências. Você concorda? Por quê?
Há centros que fazem um trabalho muito bonito, parecido com a Doutrina Espírita, mas que não pode ser chamado de Doutrina Espírita. Não permitir as manifestações artísticas dentro da casa espírita é demonstrar nunca ter lido a questão 251 de “O Livro dos Espíritos” onde aprendemos que “a música celeste é tudo o de mais belo e delicado que a imaginação espiritual pode conceber”. É demonstrar também não conhecer a obra “O Espiritismo na Arte”, de Léon Denis, que explica no capítulo 1º que “O objetivo essencial da arte, já dissemos, é a busca e a realização da beleza; é, ao mesmo tempo, a busca de Deus, uma vez que Deus é a fonte primeira e a realização perfeita da beleza física e moral”. Fico imaginando como os dirigentes de tais casas que não permitem a música em suas dependências leriam na Bíblia Sagrada, em Mateus 26:30, sobre o último ato da missão de Jesus com os seus apóstolos na última ceia: “E, tendo cantado um hino, saíram para o monte das oliveiras”. 
Como o espírita deve se portar diante das profundas informações que a Doutrina Espírita nos oferece?
Deve usar o seu livre-arbítrio. Se realmente busca uma reforma íntima de comportamentos, deve buscar pôr em prática todas as boas informações que obtém numa vivência consistente da caridade. Se busca apenas obter conhecimentos e não pretende colocá-los em prática, deve compreender que a sua responsabilidade cresce a cada conhecimento não praticado. 
Vemos espíritas que dizem ser muito difícil ser espírita. É sensata esta afirmativa?
É sensata esta afirmativa e é o mesmo que dizer que é difícil ser um médico, ser uma dona de casa, ser uma advogada, ser um atleta, ser uma bailarina, ser um escritor, ser um católico, um evangélico etc. Pensamos que tudo que demanda esforço e disciplina para se conseguir, pode-se dizer que é difícil. Mas pensamos também que se há alguém que conseguiu, significa que cada um de nós também pode conseguir, haja vista que Deus nunca dotaria a alguns com a capacidade de se tornarem espíritas e a outros não, porque isto seria uma injustiça, incompatível com Deus. Todos nós poderemos ser espíritas, se realmente o quisermos. Porém há pessoas que sentem que os obstáculos são muito grandes para elas, talvez porque a sua força de vontade ainda seja pequena demais para transpô-los. 
Em síntese, que cartilha a seguir para ser um bom espírita?
Leiam em ordem e pratiquem: Mateus 25:35 a 40; Mateus 6:3; 1 Coríntios 13:1 a 13; Questão 642 de “O Livro dos Espíritos” e Mateus 5:19. 
Suas considerações finais.
Agradecemos a alegria do contato com nossos confrades espíritas leitores da revista “O Consolador”. Esperamos estar sempre juntos para estudarmos os profundos ensinamentos do nosso amado Mestre Jesus e aplicá-los verdadeiramente em nossa vida.

domingo, 6 de novembro de 2011

Entrevista com o Espírito de Mozart

Descrição de Júpiter
Casa de Mozart em Júpiter
Uma residência em Júpiter de acordo com Victorien Sardou




Extraído da Revista Espírita, Abril de 1858
Por Allan Kardec



NOTA: Por evocações anteriores sabíamos que Bernard Palissy, o célebre oleiro do século XVI, habita Júpiter. As respostas que se seguem confirmam em todos os pontos quanto nos foi dito sobre esse planeta, em várias ocasiões, por outros Espíritos e através de diferentes médiuns. Pensamos que serão lidas com interesse, como complemento do quadro que traçamos em nosso último número. A identidade que apresentam com as descrições anteriores é um fato notável que vale pelo menos como uma presunção de exatidão.

1. Onde te encontraste ao deixar a Terra?
R: Ainda me demorei nela.

2. Em que condições estavas aqui?
R: Sob o aspecto de uma mulher amorosa e dedicada. Era uma simples missão.

3. Essa missão durou muito?
R: Trinta anos.

4. Lembras-te do nome dessa mulher?
R: Era obscuro.

5. Agrada-te a estima em que são tidas as tuas obras? Isto te compensa os sofrimentos que suportaste?
R: Que me importam as obras materiais de minhas mãos? O que me importa é o sofrimento que me elevou.

6. Com que fim traçaste, pela mão do Sr. Victorien Sardou (1) os admiráveis desenhos que nos deste sobre o planeta Júpiter, onde habitas?
R: Com o fim de vos inspirar o desejo de vos tornardes melhores.

7. Desde que vens com freqüência a esta Terra que habitaste várias vezes, deves conhecer bastante o seu estado físico e moral para estabelecer uma comparação entre ela e Júpiter. Pediríamos que nos elucidasses sobre diversos pontos.
R: Ao vosso globo venho apenas como Espírito; o Espírito não tem mais sensações materiais.

ESTADO FÍSICO DO GLOBO

8. Pode-se comparar a temperatura de Júpiter a de uma de nossas latitudes?
R: Não. Ela é suave e temperada; é sempre igual, enquanto a vossa varia. Lembrai-vos dos Campos Elíseos, cuja descrição já vos fizeram.

9. O quadro que os antigos nos deram dos Campos Elíseos seria resultado do conhecimento intuitivo que eles tinham de um mundo superior, tal como Júpiter, por exemplo?
R: Do conhecimento positivo. A evocação permanecia nas mãos dos sacerdotes.

10. A temperatura, como aqui, varia conforme a latitude?
R: Não.

11. Segundo os nossos cálculos, o Sol deve aparecer aos habitantes de Júpiter num ângulo muito pequeno e, conseqüentemente, dar muito pouca luz. Podes dizer-nos se a intensidade da luz é ali igual à da Terra ou se é menos forte?
R: Júpiter é cercado de uma espécie de luz espiritual, em relação com a essência de seus habitantes. A luz grosseira de vosso Sol não foi feita para eles.

12. Há uma atmosfera?
R: Sim.

13. A atmosfera de Júpiter é formada dos mesmos elementos que a atmosfera terrestre?
R: Não: os homens não são os mesmos; suas necessidades mudaram.

14. Lá existem água e mares?
R: Sim.

15. A água é formada dos mesmos elementos que a nossa?
R: Mais etérea.

16. Há vulcões?
R: Não. Nosso globo não é atormentado como o vosso: lá a Natureza não teve suas grandes crises. É a morada dos bem-aventurados. Nele, a matéria quase não existe.

17. As plantas têm analogia com as nossas?
R: Sim; mas são mais belas.

ESTADO FÍSICO DOS HABITANTES
18. A conformação do corpo dos seus habitantes tem relação com a nossa?
R: Sim: ela é a mesma.

19. Podes dar-nos uma idéia de sua estatura, comparada com a dos habitantes da Terra?
R: Grandes e bem proporcionados. Maiores que os vossos maiores homens. O corpo do homem é como a impressão de seu espírito: belo, onde ele é bom. O invólucro é digno dele: não é mais uma prisão.

20. Lá os corpos são opacos, diáfanos ou translúcidos?
R: Há uns e outros. Uns têm tal propriedade; outros têm outra, conforme o seu destino.

21. Compreendemos isto em relação aos corpos inertes. Mas nossa pergunta refere-se aos corpos humanos.
R: O corpo envolve o Espírito sem o ocultar, como um tênue véu lançado sobre uma estátua. Nos mundos inferiores o envoltório grosseiro oculta o Espírito aos seus semelhantes. Mas os bons nada mais têm para se ocultarem: podem ler reciprocamente em seus corações. Que aconteceria se assim fosse aqui?

22. Lá existe diferença de sexo?
R: Sim: há por toda parte onde existe a matéria; é uma lei da matéria.

23. Qual a base da alimentação dos habitantes? É animal e vegetal como aqui?
R: Puramente vegetal. O homem é o protetor dos animais.

24. Disseram-nos que parte de sua alimentação é extraída do meio ambiente, cujas emanações eles aspiram. É verdade?
R: Sim.

25. Comparada com a nossa, a duração da vida é mais longa ou mais curta?
R: Mais longa.

26. Qual é a duração média da vida?
R: Como medir o tempo?

27. Não podes tomar um dos nossos séculos como termo de comparação?
R: Creio que mais ou menos cinco séculos.

28. O desenvolvimento da infância é proporcionalmente mais rápido que o nosso?
R: O homem conserva sua superioridade: a infância não comprime a inteligência nem a velhice a extingue.

29. Os homens são sujeitos a doenças?
R: Não estão sujeitos aos vossos males.

30. A vida está dividida entre o sono e a vigília?
R: Entre a ação e o repouso.

31. Poderias dar-nos uma idéia das várias ocupações dos homens?
R: Teria que falar muito. As suas principais ocupações são o encorajamento dos Espíritos que habitam os mundos inferiores, a fim de que perseverem no bom caminho. Não havendo entre eles infortúnios a serem aliviados, vão procurá-los onde esses existem: são os bons Espíritos que vos amparam e vos atraem para o bom caminho.

32. Lá são cultivadas algumas artes?
R: Lá elas são inúteis. As vossas artes são brinquedos que distraem as vossas dores.

33. A densidade especifica do corpo humano permite ao homem transportar-se de um a outro ponto, sem ficar, como aqui, preso ao solo?
R: Sim.

34. Existem lá o tédio e o desgosto da vida?
R: Não: o desgosto da vida origina-se no desprezo de si mesmo.

35. Sendo os corpos dos habitantes de Júpiter menos densos que os nossos, são formados de matéria compacta e condensada ou vaporosa?
R: Compacta para nós; mas não o seria para vós: ela é menos condensada.

36. O corpo, considerado como feito de matéria, é impenetrável?
R: Sim.

37. Os habitantes têm, como nós, uma linguagem articulada?
R: Não; há entre eles a comunicação pelo pensamento.

38. A segunda vista é, como nos informaram, uma faculdade normal e permanece entre vós?
R: Sim. O Espírito não conhece entraves: nada lhe é oculto.

39. Se nada é oculto ao Espírito, conhece ele o futuro? Referimo-nos aos Espíritos encarnados em Júpiter.
R: O conhecimento do futuro depende do grau de perfeição do Espírito: isto tem menos inconvenientes para nós do que para vós; é-nos mesmo necessário, até certo ponto, para a realização das missões de que nos incumbem. Mas dizer que conheçamos o futuro sem restrições seria nivelar-nos a Deus.

40. Podereis revelar-nos tudo quanto sabeis sobre o futuro?
R: Não. Esperai até que tenhais merecido sabê-lo.

41. Comunicai-vos mais facilmente que nós com os outros Espíritos?
R: Sim; sempre. Não existe mais a matéria entre eles e nós.

42. A morte inspira o mesmo horror e pavor que entre nós?
R: Porque seria ela apavorante? Entre nós já não existe o mal. Só o mau se apavora ante o seu último instante: teme o seu juiz.

43. Em que se transformam os habitantes de Júpiter depois da morte?
R: Crescem sempre em perfeição, sem passar por mais provas.

44. Não haverá em Júpiter Espíritos que se submetam a provas a fim de cumprir uma missão?
R: Sim; mas não é uma prova: só o amor do bem os leva ao sofrimento.

45. Podem eles falhar em sua missão?
R: Não, porque são bons. Só existe fraqueza onde haja defeitos.

46. Poderias nomear alguns dos Espíritos habitantes de Júpiter que tivessem desempenhado uma grande missão na Terra?
R: São Luís.

47. Não poderias nomear outros?
R: Que vos importa? Há missões desconhecidas, cujo objetivo e a felicidade de um só. Por vezes são as maiores; e as mais dolorosas.

DOS ANIMAIS
48. O corpo dos animais é mais material que o dos homens?
R: Sim. O homem é o rei, o deus planetário.

49. Há animais carnívoros?
R: Os animais não se estraçalham mutuamente. Vivem todos submetidos ao homem e se amam entre si.

50. Há porém animais que escapam à ação do homem, assim como os insetos, os peixes e os pássaros?
R: Não: todos lhe são úteis.

51. Disseram-nos que os animais são os operários e os capatazes que executam os trabalhos materiais, constroem as habitações, etc. É exato?
R: Sim. O homem não mais se rebaixa para servir ao semelhante.

52. Os animais servidores estão ligados a uma pessoa ou família, ou são tomados e trocados à vontade, como aqui?
R: Todos estão ligados a uma família particular. Vós mudais à procura do melhor.

53. Os animais servidores vivem em escravidão ou no estado de liberdade? São uma propriedade, ou podem, à vontade, mudar de patrão?
R: Estão no estado de submissão.

54. Os animais trabalhadores recebem alguma remuneração por seus trabalhos?
R: Não.

55. As faculdades dos animais são desenvolvidas por uma espécie de educação?
R: Eles as desenvolvem por si mesmos.

56. Têm os animais uma linguagem mais precisa e caracterizada que a dos animais terrenos?
R: Certamente.

ESTADO MORAL DOS HABITANTES
57. As habitações de que nos deste uma mestra nos teus desenhos estão reunidas em cidades como aqui?
R: Sim. Aqueles que se amam se reúnem. Só as paixões estabelecem a solidão em torno do homem. Se o homem ainda mau procura o seu semelhante, que é para ele um instrumento de dor, por que o homem puro e virtuoso deveria fugir de seu irmão?

58. Os Espíritos são iguais ou de várias graduações?
R: De diversos graus, mas da mesma ordem.

59. Pedimos que te reportes especialmente à escala espírita que demos no segundo número da Revista e que nos digas a que ordem pertencem os Espíritos encarnados em Júpiter.
R: Todos bons, todos superiores. Por vezes o bem desce até o mal; entretanto, o mal jamais se mistura com o bem.

60. Os habitantes formam diferentes povos como aqui na Terra?
R: Sim: mas todos unidos entre si pelos laços do amor.

61. Sendo assim, as guerras são desconhecidas?
R: Pergunta inútil.

62. O homem poderia chegar, na Terra, a um tal grau de perfeição que a guerra fosse desnecessária?
R: Ele chegará a isto, sem a menor dúvida. A guerra desaparecerá com o egoísmo dos povos e à medida que melhor seja compreendida a fraternidade.

63. Os povos são governados por chefes?
R: Sim.

64. Em que consiste a autoridade dos chefes?
R: No seu grau superior de perfeição.

65. Em que consiste a superioridade e a inferioridade dos Espíritos em Júpiter, de vez que todos são bons?
R: Têm maior ou menor soma de conhecimentos e de experiência; depuram-se à medida que se esclarecem.

66. Como aqui na Terra, lá existem povos mais ou menos avançados que outros?
R: Não; mas entre os povos há diversos graus.

67. Se o povo mais adiantado da Terra fosse transportado para Júpiter, que posição ocuparia?
R: A que entre vós é ocupada pelos macacos.

68. Lá os povos se regem por leis?
R: Sim.

69. Há leis penais?
R: Não há mais crimes.

70. Quem faz as leis?
R: Deus as fez.

71. Há ricos e pobres? Por outras palavras: há homens que vivem na abundância e no supérfluo e outros a quem falta o necessário?
R: Não: todos são irmãos. Se um possuísse mais que o outro, com este repartiria; não seria feliz quando seu irmão fosse necessitado.

72. De acordo com isso as fortunas de todos seriam iguais?
R: Eu não disse que todos sejam igualmente ricos. Perguntaste se haveria gente com o supérfluo enquanto a outros faltasse o necessário.

73. As duas respostas se nos afiguram contraditórias. Pedimos que estabeleças a concordância.
R: A ninguém falta o necessário; ninguém tem o supérfluo. Por outras palavras, a fortuna de cada um está em relação com a sua condição. Estais satisfeitos?

74. Agora compreendemos. Mas te perguntamos, entretanto, se aquele que tem menos não é infeliz em relação àquele que tem mais?
R: Ele não pode sentir-se infeliz, desde que nem é invejoso nem ciumento. A inveja e o ciúme produzem mais infelizes que a miséria.

75. Em que consiste a riqueza em Júpiter?
R: Em que isto vos importa?

76. Há desigualdades sociais?
R: Sim.

77. Em que estas se fundam?
R: Nas leis da sociedade. Uns são mais adiantados que outros na perfeição. Os superiores têm sobre os outros uma espécie de autoridade, como um pai sobre os filhos.

78. As faculdades do homem são desenvolvidas pela educação?
R: Sim.

79. Pode o homem adquirir bastante perfeição na Terra para merecer passar imediatamente a Júpiter?
R: Sim. Mas na Terra é o homem submetido a imperfeições a fim de estar em relação com os seus semelhantes.

80. Quando um Espírito deixa a Terra e deve reencarnar-se em Júpiter, fica errante durante algum tempo, até encontrar o corpo a que se deve unir?
R: Fica errante durante algum tempo, até que se tenha livrado das imperfeições terrenas.

81. Há várias religiões?
R: Não. Todos professam o bem e todos adoram um só Deus.

82. Há templos e um culto?
R: Por templo há o coração do homem; por culto, o bem que ele faz.

(1) Victorien Sardou, médium psicógrafo que trabalhou com Allan Kardec: embora não soubesse desenho, foi o instrumento para os esplêndidos quadros de cenas de outros planetas. Foi membro da Academia Francesa e um dos mais fecundos comediógrafos franceses. (N. do T.)

A música espiritual de Mozart







Em 27 de janeiro de 1756 nascia em Salzburg, na Áustria, o compositor Wolfgang Gottlieb Mozart. Desencarnou em 5 de dezembro de 1791 mas, 68 anos depois, a música do génio austríaco novamente veio alegrar os que vivem na Terra. Mozart foi evocado e dele se obteve belas comunicações espíritas, em que o compositor, emocionado, convidava à vivência do bem, da ética e do amor.
O Codificador do Espiritismo, Allan Kardec, publicou as evocações particulares na Revista Espírita (edições de 1858 e 1859). Em 1859, ele ditou a Dorgeval um fragmento de sonata. Na reunião do dia 8 de abril de 1859, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, a música mediúnica foi tocada pela Srta. de Davans, ex-aluna de Chopin. Os dois compositores - Mozart e Chopin - foram evocados por Kardec na ocasião. No dia 9 de outubro de 1861, diversos livros espíritas foram queimados no episódio conhecido como ”Auto-de-Fé de Barcelona”. Entre eles, cópias do fragmento de sonata de Mozart. Desde o século 19, não mais se falou na peça. Em 2004, o fragmento de sonata foi encontrado em uma Biblioteca de Londres e enviado para a FEB. Com a ajuda de software de edição de partituras, o engenheiro Alexandre Zaghetto recuperou a música.
Abaixo o relato de Kardec sobre o dia em que a sonata de Mozart foi tocada na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e as evocações do Espírito de Mozart e Chopin.
MÚSICA DE ALÉM-TÚMULO Revista Espírita de Maio, 1859
O Espírito de Mozart acaba de ditar ao nosso excelente médium, sr. Bryon Dorgeval, um fragmento de sonata. Como método de controle, o médium o fez ouvir por diversos especialistas, sem lhes indicar a origem, mas lhes perguntando apenas o que achavam no trecho. Cada um nele reconheceu, sem hesitação, o cunho de Mozart. O trecho foi executado na sessão da Sociedade de 8 de abril, em presença de numerosos conhecedores, pela senhorita de Davans, aluna de Chopin e distinta pianista, que teve a gentileza de nos emprestar o seu concurso. Como elemento de comparação, a senhorita de Davans executou antes uma sonata de Mozart, composta quando vivo. Todos foram unânimes em reconhecer não só a perfeita identidade do género, mas a superioridade da composição espírita. A seguir, pela mesma pianista, foi executado um trecho de Cho­pin, com o seu talento habitual.
Não poderíamos perder esta ocasião para evocar os dois compositores, com os quais tivemos a seguinte palestra. (Allan Kardec)

MOZART

1. Sem dúvida conheceis o motivo por que vos chamamos.R: Vosso apelo é-me agradável.

2. Reconheceis como tendo sido ditado por vós o trecho que acabamos de ouvir?R: Sim. Eu o reconheço perfeitamente. O médium que me serviu de intérprete é um amigo que não me traiu.
3. Qual dos dois trechos preferis?R: Sem comparação, o segundo.
4. Porque?R: A doçura e o encanto nele são mais vivos e, ao mesmo tempo, mais delicados.
NOTA: São, realmente, estas as qualidades reconhecidas no trecho.
5. A música do mundo que habitais pode comparar-se à nossa?R: Teríeis dificuldades de compreender. Temos sentidos que ainda não possuís.
6. Disseram-nos que no vosso mundo há uma harmonia natural, universal, que aqui não conhecemos.R: É verdade. Em vossa Terra fazeis a música; aqui toda a natureza faz ouvir sons melodiosos.
7. Poderíeis vós mesmo tocar piano?R: Sem dúvida que sim. Mas não o quero: seria inútil.
8. Seria, entretanto, poderoso motivo de convicção.R: Não estais convencidos?
NOTA: Sabe-se que os Espíritos jamais se submetem a provas. Muitas vezes fazem espontaneamente aquilo que lhes não pedimos. Esta, aliás, entra na categoria das manifestações físicas, com o que se não ocupam os Espíritos elevados.
9. Que pensais da recente publicação de vossas cartas?R: Avivaram muito as minhas lembranças.
10. Vossa lembrança está na memória de todos. Poderíeis precisar o efeito que essas cartas produziram?R: Sim. Apegaram-se muito mais a mim como homem do que antes.
NOTA: A pessoa, aliás estranha à Sociedade, que fez estas últimas perguntas, confirma que essa foi, realmente, a impressão produzida por aquela publicação.
11. Desejamos interrogar Chopin. É possível?R: Sim. Ele é mais triste e mais sombrio que eu.

CHOPIN

12. Poderíeis dizer-nos em que situação vos achais como Espírito?R: Sim. Ainda errante.
13. Lamentais a vida terrena?R: Eu não sou infeliz.
14. Sois mais feliz do que antes?R: Sim, um pouco.
15. Dizeis um pouco, o que quer dizer que não há grande diferença. Que é o que vos falta para o serdes mais?R: Eu digo um pouco em relação àquilo que eu poderia ter sido; porque com a minha inteligência eu poderia ter avançado mais do que avancei.
16. Esperais alcançar um dia a felicidade que vos falta atualmente?R: Certamente que ela virá. Não serão necessárias novas provas.
17. Mozart disse que sois sombrio e triste. Por que isto?R: Mozart tem razão. Entristeço-me porque tinha empreendido uma prova que não realizei bem e não tenho coragem de recomeçá-la.
18. Como considerais as obras musicais?R: Eu as prezo muito. Mas entre nós fazemo-las melhores; sobretudo as executamos melhor. Dispomos de mais recursos.
19. Quem são, pois, os vossos executantes?R: Temos às nossas ordens legiões de executantes, que tocam as nossas composições com mil vezes mais arte do que qualquer de vós. São músicos completos. O instrumento de que se servem é a própria garganta, por assim dizer, e são auxiliados por uns instrumentos, espécies de órgãos, de uma precisão e de uma melodia que, parece, não podeis compreender.
20. Sois muito errante?R: Sim. Isto é, não pertenço a nenhum planeta exclusivamente.
21. E os vossos executantes? São, também, errantes?R: Errantes como eu.
22. (A Mozart). Teríeis a bondade de explicar o que acaba de dizer Chopin? Não compreendemos essa execução por Espírito errantes.R: Compreendo o vosso espanto. Entretanto já vos disse­mos que há mundos particularmente afetos aos seres errantes, mundos nos quais podem habitar temporariamente, espécies de bivaques, de campos de repouso para seus Espíritos, fatigados por uma longa erraticidade, estado sempre um pouco penoso.
23. (A Chopin). Reconheceis aqui um de vossos alunos?R: Sim. Parece.
24. Teríeis a bondade de assistir à execução de um trecho de vossa composição?R: Isto me daria muito prazer, sobretudo quando executado por uma pessoa que guardou de mim uma grata recordação. Que ela receba os meus agradecimentos.
25. Quereis dar a vossa opinião sobre a música de Mozart?R: Gosto muito. Considero Mozart como meu mestre.
26. Partilhais de sua opinião sobre a música de hoje?R: Mozart disse que a música era melhor compreendida em seu tempo do que hoje. Isto é verdade. Objetarei, entretanto, que ainda existem verdadeiros artistas.
Para ouvir música: