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domingo, 25 de novembro de 2012

Resumo para estudo do livro "A Gênese"



O presente resumo da obra A Gênese, de Allan Kardec, EXTRAÍDO DO SITE NOVA ERA, é oferecido aos estudantes da Doutrina Espírita, objetivando facilitar a apreensão dos conceitos básicos minuciosamente expostos no livro original.
Desta forma, não tem a pretensão de substituir a obra de Kardec, mas apenas prestar um auxílio ao estudante, reproduzindo os conceitos de forma resumida, destacando termos e expressões básicas. As transcrições de trechos de frases originais foram feitas "entre aspas". (Joel Matias)


REVELAR = "sair de sob o véu"; descobrir, dar a
conhecer uma coisa secreta ou desconhecida.
A REVELAÇÃO tem por característica a VERDADE. Se for desmentida por fatos, deixa de ter origem Divina, pois Deus não se engana nem mente.

Resumo 2: D E U S

Existência de Deus - Da natureza divina - A Providência - A visão de Deus.
Existência de Deus - Deus é a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe.


Resumo 3: O BEM E O MAL
-Sendo Deus infinitamente sábio, justo e bom, é evidente que o mal existente não pode NELE ter-se originado. Por outro lado, se existisse um Satanás (personificação eterna do mal), não podendo ser igual, seria inferior a Deus, logo, teria sido criado por ELE, o que implicaria na negação da bondade infinita do Criador.

Resumo 4: PAPEL DA CIÊNCIA NA GÊNESE
A religião era preponderante na história dos povos antigos, de tal modo que os primeiros livros sagrados continham toda a ciência e as leis civis da época. Sendo imperfeitos seus meios de observação, também incompletas eram as teorias sobre a criação. O desenvolvimento das ciências proporcionou ao homem os dados necessários ao surgimento de uma Gênese positiva e, de certo modo, experimental.

Resumo 5 - URANOGRAFIA GERAL
"O espaço é infinito". Nossa razão se recusaria a aceitar um limite no espaço além do qual nada existisse. Mais lógico se nos afigura avançar em pensamento eternamente pelo espaço. Entretanto, mesmo que o fizéssemos por séculos a fio, em qualquer direção, na realidade nem um passo estaríamos avançando.

Resumo 6: ESBOÇO GEOLÓGICO DA TERRA
A perfuração de poços, minas e pedreiras, facultou a observação dos terrenos estratificados, o que permitiu à Geologia estudar a origem do globo terrestre como também dos seres que o habitam.

Resumo 7: Teorias sobre a formação da Terra
Teoria de Buffon: Um cometa teria se chocado com o Sol, causando a projeção de fragmentos incandescentes no espaço, originando assim os planetas, que mantiveram o movimento no sentido do choque primitivo, no plano da eclíptica. Com o resfriamento contínuo a Terra acabaria por congelar-se totalmente dentro de 93.000 anos.

Resumo 8: REVOLUÇÕES DO GLOBO
As revoluções gerais ocorreram durante as fases de consolidação da crosta terrestre; são os períodos geológicos que se sucederam de forma lenta e gradual, exceto o período diluviano que transcorreu de forma repentina.

Resumo 9: GÊNESE ORGÂNICA
O estudo das camadas geológicas revela que cada espécie animal e vegetal surgiu simultaneamente em vários pontos do globo, bastante afastados uns dos outros, o que atesta a previdência divina, garantindo condições de sobrevivência apesar das vicissitudes a que estavam sujeitas.

Resumo 10: GÊNESE ESPIRITUAL
Decorre do princípio: "Todo efeito tendo uma causa, todo efeito inteligente há de ter uma causa inteligente". As ações humanas denotam um princípio inteligente, que é corolário da existência de Deus, pois não é concebível a Soberana Inteligência a reinar eternamente sobre a matéria bruta. Sendo Deus soberanamente justo e bom, criou seres inteligentes não para lançá-los ao sofrimento e em seguida ao nada, mas para serem eternos, sobrevivendo à matéria e mantendo sua individualidade.

Resumo 11: GÊNESE MOSAICA
Comparando a teoria da constituição do Universo baseada em dados da Ciência e do Espiritismo com o texto da Gênese de Moisés...

Resumo 12: CARACTERES DOS MILAGRES
Etimologicamente milagre significa: admirável, coisa extraordinária, surpreendente. "Um ato do poder divino contrário às leis da Natureza, conhecidas". Para a religião, o milagre tem origem sobrenatural, é inexplicável, insólito, isolado, excepcional. Se uma pessoa estiver aparentemente morta, com vitalidade latente e a Ciência ou uma ação magnética conseguir reanimá-la, para o leigo ocorre um milagre, mas para pessoas esclarecidas dá-se um fenômeno natural.

Resumo 13: OS FLUÍDOS

Os fenômenos materiais tidos vulgarmente como milagrosos, foram explicados pela Ciência, tendo em vista as leis que regem a matéria. Quanto aos fenômenos "em que prepondera o elemento espiritual" não explicáveis unicamente pelas leis da Natureza, encontram explicação nas "leis que regem a vida espiritual".
Resumo 14: OS MILAGRES DO EVANGELHO

 Jesus foi um mensageiro direto do Criador, um Messias divino; suas virtudes situavam-se em nível muito acima das possibilidades da humanidade terrestre; não estava sujeito às fraquezas do corpo, pois o dominava completamente; seu perispírito era "tirado da parte mais quintessenciada dos fluídos terrestres".

Resumo 15: AS PREDIÇÕES segundo o Espiritismo 

Há muitos casos de predições que se realizaram. O Espiritismo vem mostrar que também este fenômeno ocorre segundo leis naturais.

Resumo 16 - PREDIÇÕES DO EVANGELHO
Quando ensinava nas sinagogas de sua terra natal, diante do espanto e incredulidade de seus concidadãos, disse-lhes Jesus: "Um profeta só não é honrado em sua terra e na sua casa". Com efeito, tanto os sacerdotes e fariseus e mesmo seus parentes próximos não o entendiam, tachando-o de louco.


Resumo 17 - SÃO CHEGADOS OS TEMPOS

Nosso globo está, como todos os outros, sujeito à lei do progresso; progride "fisicamente, pela transformação dos elementos que o compõem" e, de modo paralelo, "moralmente, pela depuração dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam"; quando a Humanidade se torna "madura para subir um degrau, pode dizer-se que são chegados os tempos marcados por Deus".

Interpretando a Parábola da Filho Pródigo I

                                                       
Evolução do homem através de erros humanos para a verdade divina.

A história do Filho Pródigo é, quase sempre, apresentada exclusivamente como a parábola clássica da misericórdia de Deus para com o pecador penitente. Oradores e escritores fazem dela um poema melodramático e sentimental do amor de um Pai que recebe de braços abertos um filho ingrato que, finalmente, se arrepende dos seus desvarios e regressa à casa paterna. Esse pai misericordioso é Deus, e o filho pródigo é qualquer pecador que se converte.
Não é intenção nossa excluir totalmente essa interpretação comovente.
Entretanto, à luz do texto original do primeiro século, não cremos que seja esta quintessência, o alfa e ômega da história narrada por Jesus. Por entre as linhas aparece algo infinitamente mais profundo e sublime, mais cósmico e ontológico que esse drama do amor paterno e da humanidade filial.
A história do filho pródigo – que, no Evangelho, não é chamada parábola – é o drama da evolução ascensional do homem e aepopéia multimilenar da própria humanidade. Podemos até afirmar que, nessa narrativa, atingiu o espírito do Nazareno as maisexcelsas culminâncias da sua visão cósmica sobre o homem individual e sobre a humanidade universal.
A fim de compreendermos devidamente o poema cósmico do filho pródigo, devemos, acima de tudo, remontar ao texto grego do primeiro século, nem sempre fielmente reproduzido em nossas traduções.
No texto grego original de Lucas – o único evangelista que refere o fato e que escreveu diretamente em língua grega – lemos o seguinte: “Um pai tinha dois filhos. Disse-lhe o mais novo: Pai, concede-me a parte da natureza que me convém.”
A Vulgata Latina traduz “Dá-me a porção da substância que me pertence”. Substância, em latim, pode significar “aquilo quesubestá”, que subjaz à minha vida, que é a minha natureza humana de jovem. Mas os tradutores entendem, geralmente, por substância o dinheiro.
O texto original grego é bem claro quando diz: “A parte da minha natureza (ousia, do verbo einai, que significa ”ser”) que me convém (epibállon)”.
Que é que o filho mais novo, talvez de 15 anos, pede ao pai?
Muitos pensam que ele tenha pedido a parte dos bens materiais a que julgava ter dinheiro, e o pai teria distribuído entre os dois filhos os bens da família, na medida do direito de cada um. Mas teria um rapaz o direito de pedir isto ao pai? E, se assim acontecera, como se entende que, após o regresso do filho pródigo, o filho mais velho diz ao pai que nunca recebeu nada dele? Se houvesse partilha dos bens, teria o filho mais velho recebido a sua parte, e não se poderia queixar.
O texto grego não se refere à partilha dos bens, fala da parte da natureza (ousia) que ao jovem convém. Isto é, o jovem reclama o direito da sua juventude, insiste na sua liberdade pessoal de jovem independente, faz valer o direito de não mais ser criança dependente, mas adolescente autônomo. Pede um modo de vida conveniente (epibállon) a sua natureza de jovem.
O pai reconhece, em silêncio, essa conveniência; não protesta, não dissuade o jovem com nenhuma palavra; reconhece que ele deve iniciar a fase da sua adolescência. Também não aparece nenhuma mãe chorando e dissuadindo o filho de gozar os direitos da sua mocidade independente.
Em silêncio, “o pai dividiu entre eles a vida” (bios). A palavra grega “bios” quer dizer “vida”, onde a Vulgata Latina repete a mesma palavra “substância”.
O pai dividiu a vida (bios) entre os dois filhos: o mais velho continua na sua vida dependente, o mais novo inicia uma vida independente. Ou seja: o filho mais novo desperta para o segundo estágio da evolução hominal, deixa de ser criança inexperiente, e passa a ser um jovem experiente da sua ego-personalidade ao passo que seu irmão mais velho continua estagnado no plano do seu infra-ego inexperiente; não comeu ainda do “fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal”, como diria Moisés.

Interpretando a Parábola da Filho Pródigo II


                                                       
O jovem, aparentemente, regressou para donde viera; na realidade, porém, esse regresso foi um super-gresso; o ponto da sua volta não coincidiu com o ponto da sua partida; não fechou simplesmente um círculo, abriu uma grande espiral, cujo termo de chegada está imensamente acima do termo de partida; oregresso superou o egresso, porque entre este e aquele acontece um ingresso.Entre a partida e a chegada houve uma gigantesca evolução – a jornada cósmica que vai da culpa através do sofrimento até a redenção.
Para celebrar esse grande acontecimento – a autocompreensão e auto-realização de um homem – o Evangelho recorre a tudo quanto possa simbolizar suprema alegria e solenidade: abraços, beijos, anel precioso, deslumbrante vestuário, lauto festim, músicas e bailados. É que a realização de um único homem é um fenômeno mais grandioso que todos os astros e galáxias do Universo. Deus creou todas as grandezas do cosmos – mas um único homem plenamente realizado é um Universo de creatividade acima de todas as creatitudes...
Quando se estava celebrando essa grande harmonia, aparece uma aguda dissonância: o filho mais velho, que estagnara na sua evolução e continuara a marcar passo na inexperiência, revelou-se incapaz de compreender a linha ascencional evolutiva de seu irmão, que culminou em suprema verticalidade. Nem aceita a palavra “teu irmão”, mas a substitui por “teu filho”. De fato, o jovem realizado não era mais “irmão” dele; não havia nenhuma afinidade espiritual entre eles; ele era apenas “teu filho”, um filho de Deus, sem afinidade com outros filhos de Deus. O filho mais velho se queixa de nunca ter sido recompensado por sua obediência de muitos anos, ao passo que o outro, auto-realizado, nada sabe de recompensa, de espírito mercenário. Quem encontrou o seu verdadeiro ser nada mais sabe do ilusórioter. Quem realizou o seu ser só conhece amor, e nada sabe de recompensa.
O poema do filho pródigo marca o zênite da genialidade do Nazareno,quando considerado à luz do drama cósmico da auto-realização do homem e da evolução multimilenar da humanidade.
O filho mais velho representa um ser humano que, longe de atingir as alturas da individualidade do Eu divino nem sequer despertara para a personalidade do seu ego humano. E quem não tem consciência do seu ego não é possuidor de nada, como os seres da natureza, que nada sabem de posse ou possessividade.
Por isso, diz muito bem o Pai, que simboliza Deus. “Tudo que é meu é teu”. Tudo que é de Deus é também do mundo infra-humano – mineral, vegetal, animal – mas esse mundo nada sabe de “meu”. O infra-ego não possui nada, nem sequer um “cabrito”. A consciência do “meu” é um corolário do pequeno “eu” personal ou ego.
O filho mais novo havia chegado à ego-consciência personal e a tinha superado, atingindo as alturas da Eu-consciência cósmica.
O hino místico Exultet, que se canta anualmente na véspera ou manhã de Páscoa, exclama: “O Felix culpa! O vere necessarium Adae peccatum, quod talem et tantum meruisti redemptorem!”(Ó culpa feliz! Ó pecado de Adão realmente necessário, que tal e tão grande Redentor mereceste!).
Poderá haver culpa feliz? Haverá pecado necessário?
Em face da teologia analítica, isto é blasfemo – mas à luz da visão da mística intuitiva, isto é sublime. Culpa e pecado simbolizam o estágio evolutivo do homem através do ego em demanda do Eu. A nossa humanidade da ego-personalidade já está no plano horizontal da “culpa feliz” e do “pecado necessário”; falta-lhe superar esse plano e atingir a plenitude vertical da sua redenção.
Após o subego, a kundalini, enrolada e dormente, acordará como ego rastejante no plano horizontal, “comendo do pó da terra” – no superego, ou Eu, kundalini se ergue à plenitude vertical da sua auto-realização.
A história do filho pródigo encerra uma metafísica de infinita profundidade e uma mística de inaudita sublimidade.

Simplesmente isso, sem comentárioas adjacentes...o Humberto conseguiu chegar a um ponto que poucos chegaram com essa parábola, como eu nunca tinha visto antes.

Texto escrito por Humberto Rohden, retirado do livro Sabedoria das Parábolas, editado pela Martin Claret.

Voltar atrás, sim. Com o erro não há compromisso!

                                                                     




Afinal, onde se esconderia o suposto verdadeiro Emmanuel? Dizem alguns que nada é culpa dele. Sua principal editora lhe haveria deturpado as obras, os problemas que não se devem ao rustenismo da F.E.B. seriam do médium Chico Xavier... E por aí vão as mais complexas teorias de conspiração.
O que sobra, portanto, de tão extraordinário, que estimule uma jornada por dezenas de suas obras, em meio aos mais absurdos desvios doutrinários ali presentes?[1] Será que vale a pena fazer tanto caso do que esse espírito “tentou ditar”? Um Espírito Superior viria à Terra em missão e ficaria assim, prisioneiro de um médium omisso, que não lhe teria defendido os ditados e que, noutros casos, haveria interferido tanto a ponto de deturpá-los diametralmente?
Não é uma temeridade insistir na citação de seus supostos acertos? Que acertos? As infindáveis lições de moral? Moral essa o tempo todo contrarreformista, inimiga da crítica, palavra que ele, pela F.E.B. ou por outras editoras, sempre associou a discussões inúteis, perturbações de gente que não ama e não trabalha no bem? Essa seria uma moral cristã? Mais ainda, uma moral espírita?
Na verdade, Emmanuel continua um jesuíta de ofício e um pseudossábio padrão. Só há lições naquele mesmo tom inicial dos antigos livrinhos para “preparação de ambiente”; hoje, verdadeiros mantras para formar espíritas apáticos, quase manuais do fabricante, a ser lidos pontualmente, antes de mais nada, na maior parte das reuniões espíritas de todo o País e até do exterior. Valha-nos o Espírito de Verdade!
O fato é que, quanto mais aprofundarmos o emmanuelismo, mais a sua incompatibilidade com o Espiritismo se evidenciará. Devemos seguir Herculano Pires e não ter medo de mudar. Se não, vejamos:
De uma vez por todas, é preciso que usemos a cabeça, comparando as tolices ramatisianas, feitas para ridicularizar a doutrina, com as páginas equilibradas e os ensinamentos sensatos da codificação, bem como de Emmanuel, de André Luiz, de Hilário Silva e outros mensageiros do Alto.[2]
O Espiritismo estaria sujeito à mais completa deformação, se os espíritas se entregassem ao delírio dos caçadores de novidades. André Luiz manifesta-se como um neófito empolgado pela doutrina, empregando às vezes termos que destoam da terminologia doutrinária e conceitos que nem sempre se ajustam aos princípios espíritas.[3]
De “mensageiro do Alto”, cujas obras, inicialmente, recomendava ao lado dos livros da própria codificação, André Luiz foi rebaixado por Herculano Pires a simples “neófito empolgado”, em cujos trabalhos o mestre paulista passou a identificar termos e conceitos destoantes de Kardec. Evidentemente, isso foi ocasionado por uma releitura, por um aprofundamento crítico bem próprio dos que se revisam constantemente. Palmas para ele. Ora! Quem fez os prefácios a André Luiz? Justamente Emmanuel. Prefaciar um neófito empolgado que destoa de Kardec não é lá uma grande glória. A hora de o jesuíta enfrentar a crítica de Herculano estava chegando. Mas outros afazeres chamaram o filósofo de Avaré ao seu mundo ideal.

Sergio Aleixo
Escritor e palestrante espírita. Vice-presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo do Rio de Janeiro.