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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A mediunidade e os cientistas

                                    OS CIENTISTAS E ESPIRITISMO

Se os fenômenos espiritistas se limitassem ao círculo de seus seguidores, a opinião geral poderia ver neles simples artigos de fé, sem maiores consequências de interesse geral.
Mas na verdade é que esses fenômenos se multiplicaram, numa sucessão sempre audaz e desafiadora.
O expediente de proibições e excomunhões se tornaria ineficaz, desacreditado e ingênuo diante da avalanche de fenômenos variados: vozes misteriosas, contato de mãos invisíveis, materializações de espíritos, escritas diretas, aparições de espíritos familiares, revelações de uma vida superior e mais bela, atestando a inquestionável sobrevivência da alma.


Era natural que, em face do volume de tantos fatos, a sociedade requisitasse o exame consciencioso de seus sábios e cientistas.
Então os cientistas, acossados por todos os lados, descruzaram os braços e se puseram a campo para uma investigação rigorosa e fria.
A ciência, representada por um grupo de personalidades sérias e refratárias a imposições religiosas, foi chamada a depor.
E depôs de tal forma, que o Espiritismo foi, por assim dizer, fotografado, pesado e medido.
WILLIAN CROOKES
Coube a Willian Crookes, o célebre físico inglês, chamar a atenção de toda Europa racionalista para a realidade dos fatos espíritas. Muitos esperavam de suas investigações uma condenação irrevogável e humilhante.
Todavia o veredito do eminente sábio foi favorável. A Inglaterra cética assustou-se com as certezas
obtidas dentro do mais severo método científico e cercadas de prudência extrema.
Afinal, era preciso aceitá-las, porque Crookes pesquisou com frieza, observou pacientemente,
fotografou, provou, contraprovou e rendeu-se!
A. RUSSEL WALLACE
A. Russel Wallace, físico naturalista, considerado rival de Darwin, confessa: “Eu era um materialista tão convencido, que não admitia absolutamente a existência do mundo espiritual. Os fatos, porém, são coisas pertinazes. Eles me obrigam a aceitá-los como fatos”.
CROMWEL VARLEY
Cromwel Varley, engenheiro, descobridor do condensador elétrico: “O ridículo que os espíritas têmsofrido não parte senão daqueles que não tem tido o interesse científico e a coragem de fazer algumas investigações antes de atacarem aquilo que ignoram.”
OLIVER LODGE
Óliver Lodge, membro da Academia Real, físico responsável, declara: “Não viemos anunciar uma verdade extraordinária; nenhum novo meio de comunicação trazemos, apenas uma coleção de provas de identidade cuidadosamente colhidas.
Digo “provas cuidadosamente colhidas”, pois que todos os estratagemas empregados para sua obtenção foram postas em prática e não fiquei com nenhuma dúvida da existência e sobrevivência da personalidade após a morte”.
WILLIAN BARRET
William Barrett, professor de física: “É evidente a existência de um mundo espiritual, a sobrevivência depois da morte e a comunicação ocasional dos que morreram. Ninguém, dos que ridicularizam o Espiritismo, lhe concedeu, que eu saiba, atenção refletida e paciente. Afirmo que toda pessoa de senso que consagrar o seu estudo, prudente e imparcial, tantos dias ou mesmo tantas horas,
como muitos de nós tem consagrado anos, será constrangido a mudar de opinião.”
FREDERICO MYERS
Frederico Myers, da sociedade Real de Londres: “Pelas minhas experiências convenci-me de que os pretendidos mortos se podem comunicar conosco e penso que, para o futuro, eles poderão fazê-lo de modo mais completo”.
A. DE MORGAN
A. de Morgan, presidente da Sociedade de Matemática de Londres: “Estou absolutamente convencido do que tenho visto e ouvido a respeito dos fenômenos chamados espíritas, em condições que tornam a incredulidade impossível”.
ERNESTO BOZZANO
Ernesto Bozzano, que por mais de trinta anos se dedicou aos estudos psíquicos: “Afirmo, sem receio de erro, que, fora da hipótese espírita, não existe nenhuma outra capaz de explicar os casos análogos ao que acabo de expor”.
OCHOROWICZ
Ochorowicz, professor de Psicologia da Universidade de Lemberg: “Quando me recordo de que, numa certa época, eu me admirava da coragem de Willian Crookes em sustentar a realidade dos fenômenos espíritas; quando reflito, sobretudo, que li suas obras com o sorriso estúpido que iluminava sempre a fisionomia de seus colegas, ao simples enunciado destas coisas, eu coro de
vergonha por mim próprio e pelos outros.”
CHARLES RICHET
Houve até quem fundou, uma nova ciência, com o objetivo exclusivo de verificar a autenticidade dos fatos supranormais. Este homem foi Charles Richet, criador da metapsíquica.
São dele as seguintes palavras: “Temos lido e relido, estudado e analisado as obras que foram escritas sobre o assunto, e declaramos enormemente inverossímel e mesmo impossível que homens ilustres e probos como W. James, Chiaparelli, Meyrs, Zollner, de Rochas, Ochorowicz, Morselli,
William Barrett, Gurney, Flammarion e tantos outros se tenham deixado, todos, por cem vezes diferentes, apesar de sua ciência, apesar de sua vigilante atenção, enganar por fraudadores e que fossem vítimas de uma espantosa credulidade. Eles não poderiam ser todos e sempre bastante cegos,
para não se aperceberem de fraudes que deveriam ser grosseiras; bastante imprudentes para concluir, quando nenhuma conclusão era legítima; bastante inábeis para nunca, nem uns nem outros, fazerem uma só experiência irreprochável. “ A priori”, suas experiências merecem ser meditadas seriamente.”
GELEY
Quem vai agora depor é Geley, diretor do Instituto Metapsíquico de Paris, cientista exigente e poderosa inteligência: “É preciso confessar que os espiritistas dispõem de argumentos formidáveis. O espiritismo só admite fatos experimentais com as deduções que eles comportam.”
“Os fenômenos espíritas estão solidamente estabelecidos pelo testemunho concordante de milhares e milhares de pesquisadores. Foram fiscalizados, com todo rigor dos métodos experimentais, por sábios ilustres de todos os países. Sua negação pura e simples equivale hoje a uma declaração de falência”.
Finalmente Geley dá este admirável testemunho de estudioso honesto: “Notemos imediatamente que não há exemplo de uma sábio que tenha negado a realidade dos fenômenos depois de estudo um tanto aprofundado. Ao contrário, numerosos são aqueles que, partindo de completo ceticismo,
chegam à afirmação entusiástica.”
PAUL GIBIER
Paul Gibier, antes de aceitar o Espiritismo, era um cético declarado. Mas a obstinação dos fatos acabou por quebrar-lhe o negativismo: “Declaramos abertamente que, no começo dessas pesquisas, tínhamos a convicção íntima de que nos achávamos em face de uma colossal mistificação, que era preciso desmascarar. E foi preciso tempo para que nos desfizéssemos desta idéia.”
E acrescenta: “Não mais se permitem a censura e a zombaria fácil em tão grave assunto”.
FLAMMARION
Flammarion, o grande astrônomo, autor de tantas obras notáveis e respeitado como uma das maiores cerebrações da França no século passado, trouxe igualmente, o seu depoimento insuspeito: “A negação dos céticos nada prova, senão que os negadores não observaram os fenômenos.”
GABRIEL DELANNE
Engenheiro francês especializado eletricidade, questiona: "Seria razoável negar sem ter estudado ou Seria mais prudente de submeter-se aos que hão verdadeiramente estudado com a prudência necessária ?
LÉON DENIS
Filósofo espírita, autoditada, conferencista, declara: "Para todos os que estudam os fenômenos espíritas com imparcialidade e sabem extrair as leis, estes fenômenos são realizados por entidades independentes, pelos espíritos mortos"
Foi pedagogo e escritor francês. Falava corretamente o alemão, o inglês, o italiano, o espanhol e o holandês. Tinha amplo conhecimento sobre Física, Química, Astronomia e Fisiologia. Era membro de diversas Sociedades Científicas e da Academia Real.
Declara: Ouvi, pela primeira vez, falar das mesas girantes em 1854 através do meu amigo Sr. Fortier e disse a ele: “Que eu só acreditaria, quando ver e quando me tiverem provado que uma mesa tem cérebro para pensar e nervos para sentir. Até lá, permita-me que só veja nisso uma história para provocar o sono”.
Somente em maio de 1855 assistiu pela primeira vez , os fenômenos das "mesas girantes", a convite de outro amigo, o Sr. Pâtier. Rivail impressiona-se com os fenômenos, que se verificavam em condições que não deixavam lugar para qualquer dúvida e declara: Rendo-me à evidência dos fatos
Eu entrevia naquelas aparentes futilidades [...] qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo.



Continua Hyppolite: "Era, em suma, toda uma revolução nas idéias e nas crenças; fazia-se mister, portanto, andar com a maior circunspeção, e não levianamente; ser positivista e não idealista, para não me deixar iludir". Assim nasceu a Doutrina Espírita ou Espiritismo.

O ESPIRITISMO

O fenômeno mediúnico é uma ocorrência tão antiga quanto o homem.
Por ser a mediunidade uma faculdade inerente ao ser humano tem se manifestado em todas as épocas, ocasionando espanto, respeito e manifestações religiosas.
Porém, somente a partir do século passado, com estudos sérios realizados pelo prof. Hippolyte Léon Denizard Rivail os fenômenos de efeitos físicos e inteligentes foram observados em detalhes e tiradas as conclusões necessárias, formando-se então um corpo de Doutrina – O Espiritismo.
O Espiritismo é uma Doutrina nascida da observação e fruto da revelação dos Espíritos Superiores, tem sido codificado de 1857 a 1868.
CLASSIFICAÇÃ0 DOS FENÔMENOS MEDIÚNICOS

O Espiritismo divide os fenômenos mediúnicos em: Efeitos Físicos ou objetivos e Efeitos Intelectuais ou subjetivos


ESPIRITISMO E METAPSÍQUICA


A ciência oficial não admitiu de pronto as verdades reveladas pelos Espíritos.

Formaram-se inúmeras associações, sociedades e comissões com o ideal de desmascarar as tais verdades, todavia, quanto mais se estudava, mais aumentava o número dos adeptos.
Muitos homens de ciência convenceram-se a respeito da autenticidade dos

fenômenos, entre eles o fisiologista francês Charles Richet.
Conjuntamente com o Dr. Geley e o Prof. Meyer fundaram em Paris, o “Instituto Metapsíquico Internacional”, sendo Charles Richet designado como presidente.
A Metapsíquica trata do estudo dos fenômenos psíquicos anormais, como a telepatia, a clarividência, a dupla visão, materializações, etc.
Em 1922, Charles Richet apresentou à academia de ciências o “Tratado de Metapsíquica”.

CLASSIFICAÇÃO DOS FENÔMENOS METAPSÍQUICOS

A metapsíquica se divide em: Fenômenos objetivos e Subjetivos.

METAPSÍQUICA OBJETIVA

Fenômenos objetivos se dividem em: Telecinesia e ectoplasmia

TELECINESIA:
Uma ação mecânica, sem atuação, sem contato sobre objetos ou pessoas (Raps, levitação, movimentação de mesas, escrita direta, transporte de objetos, casas assombradas, etc).

ECTOPLASMIA
: Formação de objetos diversos, parecem sair do corpo humano e tomam aparência material e são tangíveis (materializações de objetos e seres com aparência dos que já viveram na Terra, etc).
Trata de fenômenos materiais que a mecânica conhecida não explica.
Tudo realidade tangível, acessível aos nossos sentidos.
METAPSÍQUICA SUBJETIVA

CRIPTESTESIA
: Estudo da faculdade de conhecimento diferente das faculdades sensoriais normais de conhecimento.
Trata de fenômenos mentais, sensibilidades ocultas, percepções desconhecidas (telepatia, clarividência, clariaudiência, xenoglossia, escrita automática, etc).
Charles Richet foi considerado comprometido com o Espiritismo e os estudiosos da época passaram a considerar a Metapsíquica como sendo a parte científica da sua doutrina. Numa conferência na Universidade de Sorbone, ele se declarou simpatizante da Doutrina Espírita, o que foi o suficiente para que seus seguidores, entre eles Thouless e Wiesner e Rhine, abominassem seu trabalho e, sob influência da escola metapsiquista alemã, propusessem a substituição da metapsíquica, para eles comprometida com uma doutrina religiosa, pela Parapsicologia.
ESPIRITISMO E PARAPSICOLOGIA

Os fundadores da parapsicologia foram Robert Henry Thouless, B. P. Wiesner e Joseph Banks Rhine.
Em torno de 1930 eles iniciaram os estudos que vieram desembocar na estruturação de um novo ramo da ciência preocupada em estudar os fenômenos chamados inabituais.


Enquanto o método da Metapsíquica se baseava no aspecto qualitativo do fenômeno e no testemunho pessoal dos que presenciavam os mesmos, a Parapsicologia introduziu o método quantitativo.

O método quantitativo, procura estabelecer um meio de fazer que os fenômenos se reproduzam sob determinadas condições. O Método quantitativo busca seguir os padrões utilizados na metodologia cientifica.


A metodologia científica serve-se de métodos que possam ser testados, repetidos e confirmados. Na metodologia científica deve ser descoberto a causa e a lei que rege o objeto da investigação.


Fenômeno normal –
é o que se enquadra no conjunto das leis conhecidas e aceitas que governam os processos naturais.

Fenômeno paranormal
– Fenômeno inabitual, não se sabe e nem se domina as leis que o regem.

Todos os fenômenos paranormais denominam-se de PSI, embora nem todo fenômeno paranormal seja psíquico, podendo ocorrer sobre objetos e coisas que independem do psiquismo das pessoas envolvidas na ocorrência.


CLASSIFICAÇÃO DOS FENÔMENOS PARAPSICOLOGICOS

Os fenômenos PSI (paranormais) dividem-se em: PSI-Gama, PSI-Kapa e

PSI-GAMA (SUBJETIVOS
)
São fenômenos subjetivos, que ocorrem na área intelectual do dotado.

Subdividem-se em:
Telepatia, Clarividência e Post e Pré-cognição.

Telepatia:
Comunicação direta de uma mente com outra;

Clarividência:
Percepção dos fatos do mundo físico independentes do uso dos sentidos fisiológicos
normais;

Post e Pré-cognição:
Conhecimento imediato de fatos já acontecidos ou por acontecer; sem nenhuma
informação prévia, direta ou indireta.

PSI-KAPA (OBJETIVOS)

São fenômenos objetivos, materiais, são os fenômenos de psiconesia.

PSI-THETA (ESPIRITUAIS)

Atualmente alguns pesquisadores tendem a admitir uma terceira categoria de fenômenos PSI, oriundos de mentes de seres incorpóreos.

PARAPSICOLOGIA E SUA CORRENTES CORRENTE RUSSA
: Eminentemente materialista dialética, todos os fenômenos são explicados pela matéria. O conceito espiritual é inteiramente colocado de lado, o conceito metafísico é negado.

CORRENTE NORTE-AMERICANA:
Admitem que certos fenômenos são produzidos por agentes especiais que vivem em dimensões diferentes da nossa depois de terem vivido aqui.

CORRENTE FRANCESA
: Mistura conceitos sobrenaturais com milagres, é a corrente católica da parapsicologia. Surgiu sem o interesse da investigação, mas sim para confundir e atacar o espiritismo.

A parapsicologia já esta sendo substituída por outras ciências, que dão uma visão mais abrangente, tais como:

•PSICOBIOFÍSICA,

•PSICOTRÔNICA,


A materialização de um espírito (conceito metafísico), hoje descrito pela ciência é assim:


“Forma assumida pelo bioplasma sob a ação de campos estéreo bio-energéticos oriundos de um domínio informacional remanescente de uma pessoa já falecida”.

As diversar reencarnações de Chico Xavier ea trajetória espiritual

AS DIVERSAS REENCARNAÇÕES DE CHICO XAVIER

No livro "Chico, Diálogos e Recordações", o autor Carlos Alberto Braga realiza um trabalho sério e dedicado por quatro anos com Arnaldo Rocha, que teve quase 50 anos de convivência com Chico Xavier. 

Arnaldo revelou uma série de reencarnações de si mesmo e de "Nossa Alma Querida", como se refere a Chico.

Arnaldo Rocha foi doutrinador de um grupo de desobsessão que Chico Xavier participava.

O nome era "Grupo Coração Aberto", onde muitas revelações sobre vidas passadas na história planetária foram reveladas.

O resultado do trabalho pode ser parcialmente visto nos livros "Instruções Psicofônicas" e "Vozes do Grande Além".

Dentre várias encarnações de Francisco Xavier, algumas já foram elucidadas:
Hatshepsut (Egito) (aproximadamente de 1940 AC a 1450 AC)

Era uma farani - feminino de faraó - que herdou o trono egípcio em função da morte do irmão.
 A regência dela foi muito importante para o Egito, já que suspendeu os processos bélicos e de expansão territorial.



Trouxe ao povo um pensamento intrínseco e mais religioso. Viveu numa época em que surgiram as escrituras nos papiros, o livro dos mortos.
Hatshepsut foi muito respeitada e admirada pelo povo egípcio. Obesa e diabética, com câncer nos ossos, desencarnou em torno dos 40 anos, por causa de uma infecção generalizada.
Hatshepsut foi a primeira faraó (mulher) da história.
 Governou o Egito sozinha por 22 anos, na época o Estado era um dos mais ricos.

Chams (Egito) (por volta de 800 AC)

Rainha do Egito durante o império babilônico de Cemirames.
Vários amigos de Chico Xavier também estavam encarnados na época, como Camilo Chaves, o próprio Arnaldo Rocha e Emmanuel, que era sacerdote e professor em Chams.
Sacerdotisa (Delphos - Grécia) (cerca de 600 AC)

Não se tem registros de qual o nome Chico Xavier recebeu nesta encarnação.
Ela se tornou sacerdotisa por causa do tio (Emmanuel reencarnado), que a encaminhou para a sacerdotisação.
Luciana (Roma - Itália) (aproximadamente 60 AC)

Luciana era casada com o general romano chamado Tito Livonio (Arnaldo Rocha reencarnado), nos tempos da revolução de Catilina.
Nesta jornada, Luciana teve como pai Publius Cornelius Lentulus Sura, senador romano, bisavô de Publius Cornelius Lentulus (Emmanuel).
Flávia Cornélia (Roma - Itália) (de 26 DC a 79 DC)

Nesta encarnação, Chico Xavier era filha do senador romano Publius Cornelius Lentulus (Emmanuel).
Arnaldo Rocha confidenciou que quando Chico se lembrava da reencarnação de Flávia sentia muitas dores, porque ela teve hanseníase.
Também percebia um forte odor que exalava.
Lívia (Ciprus, Massilia, Lugdunm e Neapolis) (de 233 DC a 256 DC)

Foi abandonada numa estrada e achada por um escravo, que trabalhava como afinador de instrumento, e tinha o nome de Basílio (Emmanuel reencarnado).
Ele a adota e coloca o nome de Lívia - ler "Ave Cristo".
Nesta ocasião, Arnaldo Rocha era Taciano, um homem casado que tinha uma filha chamada Blandina (Meimei reencarnada).
Certa vez, os três se encontraram e Taciano chegou a propor uma relação conjugal com Lívia, que era casada com Marcelo Volusian.
Quando a proposta foi feita, Lívia alertou que todos tinham um compromisso assumido, tanto Taciano com sua esposa, quanto ela com o seu marido.

Na oportunidade, Lívia disse:" Além de tudo, nós temos que dar exemplo a essa criança.
Imagina ela ter uma referência de pais que abandonam esses compromissos.
Confiemos na providência divina porque nos encontraremos em Blandina num futuro distante", numa clara alusão ao primeiro encontro entre Arnaldo Rocha e Chico Xavier, na Rua Santos Dumont, em Belo Horizonte, em 1946, quando o médium revelou as mensagens de Meimei do Plano Espiritual.
Lucrezja di Colonna ( Itália) (Século XIII)

Nesta encarnação, Chico Xavier nasceu na família de Colonna, assim como Arnaldo Rocha, que era Pepino de Colonna, e Clóvis Tavares, na época Pierino de Colonna. Os três viveram na época de Francisco de Assis e tiveram contatos encarnados, com este espírito iluminado.
Joanne D'Arencourt (Arras - França) (Século XVIII)

Joanna D'Arencourt fugiu da perseguição durante a Revolução Francesa sob a proteção de Camile Desmoulins (Luciano dos Anjos, reencarnado).
Veio desencarnar tuberculosa em Barcelona em 1789.
Clara (França) (por volta de 1150 DC)

Chico Xavier quando esteve na França, foi nas ruínas dos Cátaros e se lembrou quando em nome da 1ª Cruzada, toda uma cidade foi às chamas. Essa lembrança foi dolorosa para Chico.
No século seguinte a 2ª Cruzada foi coordenada por Godofredo de Buillon (Rômulo Joviano encarnado - patrão de Chico Xavier na Fazenda Modelo em Pedro Leopoldo), que tinha um irmão chamado Luis de Buillon (Arnaldo Rocha reencarnado), casado com Cecile (Meimei ou Blandina reencarnada). Godofredo e Luis tinham mais um irmão, com o nome de Carlos, casado com Clara (Chico Xavier, reencarnado).
Joana de Castela (Espanha) (1479 a 1556)

Joana de Castela era filha de reis católicos - Fernando de Aragão (Rômulo Joviano, encarnado) e Isabel de Castela. Casou-se com Felipe El Hermonoso, neto de Maximiliano I, da Áustria, da família dos Habsburgos.
O casamento foi político, mas apressado pelo grande amor que existia.
Desde criança, Joana via espíritos e, por viver numa sociedade católica, era considerada como louca. Com a desencarnação dos pais de Joana, o marido Felipe e, o pai dele, Felipe I (Arnaldo Rocha reencarnado) disputavam o trono.
Para evitar que Joana de Castela assumisse, acusaram ela de louca, porque via e falava com os espíritos.
Depois que Felipe desencarnou, Joana foi enclausurada por 45 anos em Tordesilhas, na Espanha.
A dor era muito grande, mas o que a consolava era o contato com os espíritos.
A clausura tem muita relação com a vida de Chico Xavier.
Foi uma espécie de preparação para o que viria.
Chico sempre foi muito popular, mas fazia questão de sair do foco para que a Doutrina Espírita fosse ressaltada.
Ruth Céline Japhet (Paris - França) - Encarnação anterior à de Chico Xavier (1837 a 1885)

Sua infância lembra os infortúnios de Chico Xavier, tal a luta que empreendeu pela saúde combalida.
 

Era médium desde pequena, mas só por volta dos 12 anos começou a distinguir a realidade entre este mundo e o espiritual.

Na infância, confundia os dois.

Acamada por mais de dois anos, foi um magnetizador chamado Ricard quem constatou que ela era médium (sonâmbula, na designação da época), colocando-a em transe pela primeira vez.

Filha de judeus, Ruth Céline Japhet contribuiu com Allan Kardec para trabalhar na revisão de "O Livro dos Espíritos" e do "Evangelho Segundo o Espiritismo", durante as reuniões nas casas dos Srs. Roustain e Japhet.

Isso pode explicar porque Chico sabia desde pequeno todo o Evangelho.

Em palestra proferida em Niterói no dia 23 de abril, o médium Geraldo Lemos Neto citou este fato:

"Desde quando ele tinha cinco anos de idade, Chico guardava integralmente na memória as páginas de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".

A história de Chico Xavier todos nós sabemos.

Ele somente veio ter contato com a Doutrina Espírita aos 17 anos de idade",finalizou.

Para contrariar o pressuposto de que Chico Xavier foi Allan Kardec, o próprio médim mineiro relatou a admiração pelo codificador em carta publicada no livro "Para Sempre Chico Xavier", de Nena Galves: "Allan Kardec vive.

Esta é uma afirmativa que eu quisera pronunciar com uma voz que no momento não tenho, mas com todo o meu coração repito:

Deus engrandeça o nosso codificador, o codificador da nossa Doutrina.

Que ele se sinta cada vez mais feliz em observar que as suas idéias e as suas lições permanecem acima do tempo, auxiliando-nos a viver.

É o que eu pobremente posso dizer na saudação que Allan Kardec merece de todos nós.

Sei que cada um de nós, na intimidade doméstica, torná-lo-á lembrado e cada vez mais honrado não só pelos espíritas do Brasil, mas de todo o mundo.

Kardec vive".


Biografia de Jerônimo Mendonça Ribeiro - O gigante deitado

O GIGANTE DEITADO


Jerônimo Mendonça Ribeiro- O gigante deitado


“Sua vida foi um hino de amor ao bem.
Incansável na Seara de Jesus
Ele era todo luz!
A sua cama era a sua cruz
E a dor intensa, a sua companheira,
Mas em Jesus ele encontrou
O melhor exemplo que seguiu a vida inteira.
Nenhuma queixa dele se ouviu
Resignado sempre até quando partiu”
(In poema-canção “Tributo a Jerônimo Mendonça”, de Izaias Claro)

“Paciência é a ciência da paz”

Jerônimo foi uma pessoa que vivenciou, pôs em prática os ensinamentos do Divino Rabi da Galiléia. Podemos dizer que ele vivenciou, deveras, o Evangelho, foi um exemplo vivo de coragem, resignação e otimismo.


Jerônimo Mendonça Ribeiro nasceu em Ituiutaba, MG, no dia primeiro de novembro de 1939. A sua infância foi a de uma criança normal. Freqüentou escola até o início do antigo ginasial.


Seus pais eram muito pobres, analfabetos, lutavam arduamente pela sobrevivência: a mãe lavando roupa para fora e o pai fazendo “bicos” pelas fazendas.


Já na puberdade, Jerônimo começou a sentir dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos. Esses pontos de seu corpo passaram a “inchar” e já aos dezoito anos andava com dificuldade.


Teve vários empregos, porém as dores agravaram, não lhe deram tréguas e o impediram de permanecer por muito tempo num mesmo trabalho. Era sempre obrigado a se afastar. Foi ele balconista, entregador de jornal, redator-chefe de uma revista e professor.


Seu passatempo preferido era o cinema, era fascinado pelo Tarzan, sendo este o seu apelido.


Quando adolescente, freqüentou uma Igreja Presbiteriana. Era um membro ativo, dava palestras. Após a desencarnação de sua avó, começou a se debater mentalmente no problema cruciante da morte e do destino da alma. A amizade com espírita fê-lo converter-se à doutrina espírita. O amigo esclareceu-lhe as dúvidas da vida além-túmulo e conseguiu acalmá-lo.


Enquanto sua saúde lhe permitiu, participou ativamente das excursões com os jovens de uma Mocidade Espiritista. Certo dia foi ao cinema assistir “... E o Vento Levou”, mas não havia nenhuma poltrona vazia. Jerônimo ficou o tempo todo em pé no fundo da sala e ao terminar o filme estava petrificado, com grande vibração de dor nos membros inferiores. Foi aí que começou a jornada dolorosa e difícil da paralisia, como ele mesmo conta em sua autobiografia. Passou três meses deitado, plenamente impossibilitado de se locomover. Depois usou muletas por algum tempo enquanto ia lecionar.


Porém, acabou mesmo tendo que ficar numa cama ortopédica, acometido de artrite reumatóide progressiva. Permaneceu assim cerca de trinta e dois anos preso ao leito, paralítico e com a agravante perda da visão. Quase não dormia, aproveitou para estudar bastante o Espiritismo. Quando ficou cego, amigos liam para ele. Nunca faltaram-lhe bons amigos.


Jerônimo tornou-se orador espírita. Podemos dizer que ele conseguiu transformar seu leito numa tribuna ambulante (deu palestras pelo Brasil todo) e por meio dela conseguiu realizar um grande e valioso trabalho.


Fundou em Ituiutaba a creche “Pouso do Amanhecer” e ainda Centros, Lares e Comunidades Espíritas e também uma gráfica, estas em outras localidades.


Escreveu seis livros, entre romances e livros de poesias: “Crespúsculo de Um Coração”, “Cadeira de Rodas”, “Nas Pegadas de Um Anjo”, “Escalada de Luz”, “De Mãos Dadas com Jesus” e “Quatorze Anos Depois” (em co-autoria). Deixou um esboço autobiográfico, infelizmente inacabado.


Jerônimo foi, realmente, um gigante. E pensar que ficou totalmente paralítico, sem poder mover nem mesmo o pescoço, cego durante vinte anos, com dores no corpo, dores terríveis no peito, necessitando de quilos de peso de areia para suportar a dor, tomando um determinado remédio várias vezes por dia e, ainda assim, leitores amigos, sempre sereno e resignado!


Quem o conheceu afirma que ele estava sempre rindo, gostava de um bom papo e de cantar também. Certa vez, o Dr. Fritz disse-lhe que ele tinha a doença de três cês – cama, carma e calma. Os amigos sempre levavam Jerônimo ao cinema e também a outros lugares para se distrair. Estando, certa ocasião, justamente num cinema, uma moça tropeçou em sua cama e “explodiu”: “Mas não é possível! Aonde eu vou, está o aleijado! Vou a uma festa, o aleijado lá! Esse aleijado me persegue! Aonde eu vou ele está!” Jerônimo pensou consigo: “E agora?! A moça está revoltada, nervosa mesmo. Tenho que lhe dar uma resposta, mas não quero irritá-la mais ainda. O que dizer?” E saiu com essa: “Mas também, minha filha, você não pára em casa, hein!” Ela olhou-o atônita e começou a rir. Riram juntos. Ficaram amigos.


Assim era o Jerônimo, sempre alegre, espirituoso, seu lema era “Não perder a calma jamais”.


Duas pessoas que ficaram grandes amigas suas foram o Chico Xavier e o cantor Roberto Carlos. O ”Gigante deitado” deu muitas entrevistas, inclusive na TV, também recebia muitas visitas, até de estrangeiros. Muita gente lhe pedia conselhos.


Certa vez, um repórter lhe perguntou o que é a felicidade. Ele respondeu assim: “A felicidade, para mim, deitado há tanto tempo nesta cama sem poder me mexer, seria poder virar de lado”. Em outra ocasião, ele disse: “Casei-me com a Doutrina Espírita no civil e com a dor no religioso”.


Jerônimo Mendonça desencarnou no dia 26 de novembro de 1989, depois de ter completado meio século de vida. Quase toda ela num leito de dor e, vamos dizer assim, dor e também trabalho. Dizem os experts que não havia explicação científica plausível para o fato de estar ainda encarnado. Com o agravamento da doença, seu corpo não oferecia mais as mínimas condições de vida. Seu pulso, seus batimentos cardíacos, por exemplo, em momentos de crise, não eram mais registrados pelos instrumentos da medicina, tal a sua fragilidade.


E pensar que ele nunca parou de viajar, trabalhar, agir.


Nesta parte final do artigo, quero colocar algumas palavras de Jerônimo: “Ante a sublime verdade do Espiritismo cristão, vejo e sinto que realmente a nossa vida na Terra não passa de curto aprendizado ante o infinito da vida neste Universo imenso!”


“Nesta batalha (contra a doença) é preciso lutar e vencer, jamais ser vencido. Enquanto me ferem os grilhões, liberto-me do homem velho que fui, antevendo horizontes inatingidos... Onde a mestra dor dar-me-á a alforria merecida”.


“A enfermidade tem o seu curso educativo. Mas é mister saber sofrer, extraindo da dor o remédio positivo para combater as enfermidades de ordem perispiritual. Abandonemos toda vaidade, antes que a vaidade nos abandone”.


Quem conheceu Jerônimo (há depoimentos no livro “O Gigante Deitado”, afirma que o propósito de sua vida era ouvir, ajudar e falar do Evangelho, aliviando as dores alheias. Vejam só!!! O livro “Jerônimo Mendonça: Sua Vida e Sua Obra”, mostra-nos quem ele foi em algumas encarnações passadas. Em uma delas foi o príncipe egípcio Horemseb, homem misterioros, cruel, envolto em bruxaria, que matou muita gente. Fascinava as mulheres que se apaixonavam loucamente por ele, utilizando uma rosa enfeitiçada. Posteriormente, reencarnado como o também egípcio Cambises, praticou crimes hediondos contra seus inimigos, servos e a própria família. Como Rei Luís da Baviera (há um filme de Luchino Visconti sobre ele, intitulado “Ludwig”) não progrediu, mergulhou na ociosidade, podemos dizer que sucumbiu em orgias e devassidão. Luís acabou ficando louco. Esse passado triste do Jerônimo como o príncipe Horemseb nós podemos encontrar na obra “Romance de Uma Rainha” (dois volumes), do Conde J.W. Rochester.


Para finalizar, diria que a resignação ante a dor é uma virtude que poucos já conquistaram. Jerônimo, cuja companhia de quase todos os dias de sua vida foi a dor, foi também um grande modelo de resignação. Aprendeu a sofrer com paciência. Aprendamos com ele. É um modelo a ser seguido, foi um espírito de extraordinária coragem para aceitar uma prova tão rude. E venceu, como ele mesmo disse em uma mensagem mediúnica enviada algum tempo após a sua desencarnação: “Sou um pássaro livre”.


BIBLIOGRAFIA


http://www.oswaldogalotti.com.br/materias/read.asp?Id=567&Secao=114


Maluf, Maria Gertrudes Coelho, Jerônimo Mendonça: Sua Vida e Sua Obra, 2ª edição, Criativa Serviços e Publicidades Ltda, Uberlândia, MG, 1992.

Vilela, Jane Martins, O Gigante Deitado, 1ª edição, Casa Editora O Clarim, Matão, SP, 1994.

Biografia de Joana D'Arc

Durante o período da Idade Média, o reino da França era constituído por feudos – propriedades territoriais governadas por um senhor. Detendo os ingleses a maior parte deles, o fato originou múltiplos conflitos, gerando a Guerra dos Cem Anos entre os dois países. No ano de 1429, quando a guerra atravessava um momento decisivo, com as forças inglesas ocupando grande parte do território francês, a cidade de Órleans, um dos últimos bastiões da resistência e já sitiada, poderia cair a qualquer momento nas mãos dos invasores estrangeiros.

Curvados ao invasor inglês e sem ânimo para se reerguerem, os soldados franceses eram poucos e o moral estava enfraquecido pelas sucessivas derrotas. Além do mais, faltava um chefe, alguém capaz de conduzir as tropas e fazê-las acreditar na possibilidade de sua vitória. Refugiado na localidade de Chinon, o príncipe Carlos hesitava em tomar decisões, tinha sua autoridade contestada ao ser declarado bastardo por tantos compatriotas que negavam ser ele o legítimo herdeiro do trono da França. Naquela altura, jamais se acreditaria que a iniciativa de encetar uma campanha decisiva para renovar a confiança do povo francês para uma resistência aos ingleses partisse de uma jovem que se investiu de tão importante missão. Seu nome: Joana D’Arc.


Nascida no ano de 1412 no vilarejo de Domrèmy, Joana foi criada no seio de uma família de camponeses com três irmãos e uma irmã. Ao lado deles, auxiliava o pai no trabalho da terra tomando conta dos carneiros no pasto. Não aprendeu a ler nem a escrever. Freqüentando assiduamente a igreja do vilarejo, que ficava junto à sua casa, a menina Joana aprendeu o Pai-Nosso, tornando-se muito piedosa.

Recebendo as tarefas

Já adolescente, caia em profundos êxtases, durante os quais afirmava ter visões fantásticas de uma luz viva e que ouvia vozes celestiais a lhe ordenarem duas tarefas: salvar a pátria e coroar o rei. A história de suas visões fantásticas se espalhara rapidamente e, embora despertando controvérsias, o povo passou a acreditar na possível missão da jovem. Enquanto muitos a viam como santa, outros acreditavam que a jovem poderia ser uma enviada do mal.

Embora a notícia da guerra já tivesse se estendido por quase toda a França, a jovem só soube pela pri-meira vez o real significado de uma guerra quando as tropas inglesas estavam bem perto da cidade onde morava. Domrèmy era afastada dos campos de batalha e as notícias andavam bem devagar. Só se sabia de algum fato quando passava um cavaleiro bem informado. Como os caminhos eram ruins, o cavaleiro levava semanas para andar poucos quilômetros.


A guerra atingira um momento crítico. Órleans, a última cidade em poder dos franceses, estava cercada e a França não tinha um rei para defendê-la. Joana, que até então vivera angustiada e indecisa, resolveu procurar o Capitão de Baudricourt, pedindo-lhe uma carta de apresentação e uma escolta para acompanhá-la até o Delfim. Como a população estava ao lado da jovem, o capitão acabou cedendo ante a insistentes pedidos e, com o dinheiro de uma coleta, conseguiram-lhe uma armadura.


Mal cabendo na pesada armadura, a jovem camponesa de 17 anos de idade partiu no dia 23 de fevereiro de 1429, na direção de Chinon. Viajou dez dias decidida a procurar o príncipe herdeiro, com a missão de levá-lo ao trono como rei e salvar a França, prestes a sucumbir totalmente ao peso da invasão inglesa. A sua partida fez nascer uma nova esperança no povo místico da época. Deus a teria enviado para terminar com as guerras e misérias.

A revelação ao príncipe

No Palácio de Chinon, a notícia foi recebida com espanto. Desconfiado daquela menina que se apresentava como salvadora, contando histórias fantásticas, o príncipe resolveu se divertir aplicando um teste na recém-chegada para comprovar a veracidade dos seus relatos. Vestindo-se como um súdito qualquer, entrou por uma porta lateral, misturando-se entre os nobres. Na condição de simples camponesa, a jovem jamais poderia conhecer-lhe a fisionomia, porém, Joana D’Arc não vacilou. Caminhando até um canto dos salões onde alguns nobres fingiam conversar distraídos, ajoelhando-se aos pés do Delfim, diz-lhe humildemente: “Gentil Senhor, em nome de Deus, eu posso dizer que sois filho do rei e herdeiro legítimo do trono da França”.

A aparente dissipação da grande dúvida que pairava em torno da legitimidade do seu nascimento, pela qual o filho de um pai desconhecido não poderia ser o herdeiro do trono, deixou o príncipe aturdido, pedindo a vários bispos e cardeais que interrogassem Joana. Em pouco tempo, a segurança e a simplicidade das respostas dadas pela jovem acabaram por convencer a todos, inclusive o soberano, que, após manter com ela uma conversa cujo teor nunca seria revelado e convencido de que era preciso agir com rapidez, outorgou-lhe o título de “Chefe da Guerra” e, ao mesmo tempo, o comando de uma pequena tropa.


Mas faltava uma espada. Segundo a tradição, a jovem ouvira vozes que lhe indicaram uma excelente espada escondida atrás do altar de Santa Catarina. Enviado até lá, um pagem voltou com uma velha espada, completamente enferrujada. Contam que bastou encostar nela um pano para que a arma ficasse brilhante no mesmo instante.

A primeira vitória contra os ingleses

Liderando a tropa, Joana D’Arc partiu imediatamente com a missão de furar o cerco de Órleans e levar víveres para abastecer os soldados já famintos. Levando nas mãos um estandarte onde, ao lado de Deus, figuravam os nomes de Jesus e Maria e o símbolo do reino (a flor-de-lis), ordenou com sua voz firme uma incursão aos ingleses, devolvendo a confiança a seus compatriotas. Naquele momento, oficiais e soldados recobraram a esperança de vitória perante o exemplo de coragem daquela jovem. Depois de algumas investidas, tomou as principais bases de apoio do inimigo, que, surpreso, levantou o cerco em retirada.

A tropa de Joana entrou triunfante na cidade. Finalmente Órleans estava libertada, marcando a partir daí uma nova fase na Guerra dos Cem Anos. Julgando sua tarefa encerrada, quis se retirar, mas teve de ceder às súplicas do príncipe para dar continuidade à luta. Numa campanha rápida e fulminante, venceu os ingleses nas cidades de Patay e Troyes, apresentando ao soberano as chaves das cidades conquistadas.


Mas isto, para Joana, foi apenas a primeira etapa. Com profundo senso político, sentiu que chegara o momento de coroar solenemente o príncipe na Catedral de Reims. Ocorria que Reims estava situada em território controlado pelos ingleses e, para chegar lá, seria necessário enfrentar os batalhões dos invasores. Joana estava decidida a lutar e acabou convencendo o príncipe. Em apenas um mês de campanha, o exército comandado pela jovem, depois de infligir uma sucessão de derrotas aos ingleses, penetrou em Reims em 16 de julho de 1429.

O príncipe Carlos torna-se rei

Na época, a entrada triunfal numa cidade era o maior símbolo de uma vitória e, enquanto a população nas ruas aplaudia a cavalaria e o estandarte dos vencedores, Joana aproveitou para unir essa festa a uma outra. No dia seguinte, realizou-se solenemente na Catedral de Reims a sagração de Sua Majestade, Carlos VII, como rei da França. De pé, ao lado do rei, tendo na mão seu estandarte, ficou a “Chefe da Guerra” Joana D’Arc. Terminada a cerimônia, tomando a mão do novo soberano diz-lhe: “Gracioso rei, está cumprida a vontade de Deus. Órleans de volta ao reino e Vossa Majestade coroado como único e legítimo rei da França”.

Joana chegou ao apogeu da glória, porém, não estava satisfeita. A França não poderia ser considerada livre se Paris continuava governada por um regente inglês. Mas as coisas mudaram. Na condição de rei coroado, Carlos VII estava finalmente numa posição de força e não mostrava entusiasmo por outras aventuras. Alegava que a missão da jovem estava concluída e que não se poderia confiar eternamente na heroína, tratando-se de uma mulher.

Conspirações contra Joana

Assim, a guerreira passou a se tornar uma personagem incômoda. Entretanto, ante a sua insistência, o soberano acabou lhe concedendo uma pequena tropa para conquistar Paris. A fama de Joana D’Arc era enorme e os ingleses temiam também o prestígio do novo rei. Para impedir que a jovem, de algum modo, cativasse a população de Paris, do outro lado da muralha foi preparada uma longa resistência. Cinqüenta mil pessoas desfilaram de tochas acesas nas mãos, afirmando que Joana D’Arc era instrumento das forças do mal.

Quando o ataque começou, os ingleses deram uma resposta fulminante: a própria Joana é atingida por uma flecha que lhe varou a coxa, abalando muito seu prestígio, sendo necessário retirá-la do campo de batalha, pois ela não queria recuar de modo algum. Mal havia se recuperado de sua ferida, recomeçou a luta na tentativa de libertar Compiègne, enquanto Carlos VII decidiu conciliar os inimigos.


Inicialmente, mandou a jovem evacuar o Castelo de Compiègne, missão sem grande importância, mas perigosa. A jovem penetra no castelo e começa a proteger a retirada das tropas. De repente, quando quase todos haviam saído, a ponte do castelo foi levantada. Joana D’Arc estava prisioneira. Encerrada no alto de uma torre, ficou totalmente só, talvez teria sido traída por seus próprios compatriotas. Na tentativa de escapar, caiu no fosso do castelo.


Foi quando decidiram vendê-la aos ingleses por 10 mil escudos. Colocada numa jaula de ferro, os pés e as mãos amarradas “como uma enviada do mal”, foi entregue para o mais elevado tribunal da Igreja existente na França.

Condenada pela inquisição

A permanência de Joana D’Arc na Terra deu-se na Idade Média, em pleno advento do Cristianismo. Contudo, a Igreja já se deparava com o aparecimento de novas seitas e o misticismo surgia como força importante. Como em religião o sentimento místico e o sentimento religioso acabam se confundindo, havia uma grande preocupação da Igreja em manter os dogmas de fé e um ideal moral, sentindo haver na época uma forte tendência em se acreditar no sobrenatural.

Para patentear sua força, a Igreja precisava de um órgão mais eficaz que os tradicionais tribunais de conventos e acabou encontrando no Tribunal da Santa Inquisição, existente em todas as partes da Europa da Idade Média, um meio de punir os hereges, como eram chamados todos aqueles que, sob qualquer forma, faziam oposição a uma verdade de fé ou a um dogma já firmado. A morte na fogueira tornou-se a punição. Em diversas vezes, a severidade com que as normas foram aplicadas levou à fogueira pessoas inocentes declaradas hereges.


Joana foi entregue ao Tribunal da Santa Inquisição objetivando-se provar que a guerreira não era nada, nem mesmo uma enviada do mal. Sob a presidência de Pierre Cauchon, bispo de Beauvois e aliado dos ingleses, liderando um juri composto por 70 conselheiros religiosos, o tribunal reuniu-se em fevereiro de 1431. Sob a acusação de usar roupas masculinas e dar um cunho de revelação divina às suas visões e profecias, o interrogatório da acusada foi uma verdadeira tortura mental, destinado a confundi-la e levá-la ao desespero. A jovem enfrentou com inteligência e coragem seus inquisidores, sustentando até o fim que as vozes não a haviam enganado.


Considerados os representantes de Deus na Terra, os membros do Tribunal da Santa Inquisição jamais aceitariam o fato de uma mulher obedecer diretamente a vozes celestiais sem o devido respeito à Igreja. Declarada bruxa e herética, foi condenada à morte na fogueira, sob a alegação de que só pelas chamas se destrói uma feiticeira. Carlos VII, o príncipe que ela conduziu ao trono da França, nada fez para libertá-la. Uma santa guerreira poderia ser uma personagem incômoda às combinações diplomáticas.


No dia 30 de maio de 1431, uma grande multidão se aglomerou na Praça Vieux de Marché, em Rouem, palco do suplício de Joana D’Arc. Embora na época a execução se constituisse num espetáculo público, os membros do tribunal, temendo uma manifestação favorável à condenada, tomaram as devidas precauções. Escoltada por 120 homens armados com lanças e espadas, a brava guerreira, com a cabeça raspada, foi conduzida até a praça e amarrada a um poste. Para seus juizes, queimando-a e espalhando suas cinzas estariam destruindo o símbolo da resistência francesa. Naquele momento, o olhar da jovem, mais do que cansaço, demonstrava a dignidade conferida a todos aqueles que são conscientes do dever cumprido.

Heroína nacional e santa

À medida que a nação francesa foi se formando, a figura da guerreira foi cada vez mais sendo glorificada. No ano de 1450, decorridos 37 anos de seu desencarne, concretizou-se o objetivo de Joana D’Arc: Paris reocupada por Carlos VII e os ingleses expulsos de toda a França, determinando o fim da Guerra dos Cem Anos. Porém, a nação só se consolidaria com a Revolução Francesa de 1789.

O reconhecimento do governo e do povo francês veio em 1803, quando foi proclamada heroína nacional. Nesse ano, o imperador Napoleão Bonaparte inaugurou um monumento como justa homenagem àquela considerada a glória mais pura da história da França.


Também a Igreja repararia seu erro. Embora desde a Idade Média, Joana D’Arc tenha sido objeto de veneração popular, somente no ano de 1909 foi beatificada. No ano de 1929 foi canonizada e proclamada Santa Padroeira da França, por decisão do Vaticano.


Para os ingleses, ela continuaria por muito tempo sendo considerada “a bruxa” que os expulsou da França. Entretanto, quase seis séculos após seu martírio, aqueles que visitarem a Catedral de Westminster, em Londres, verão colocada num local de honra uma estátua da santa guerreira. Certamente, é o último lugar onde a camponesa de Domrèmy um dia pensaria estar.

Um dos prepostos da codificação

A passagem de Joana D’Arc pela Terra apresentou traços característicos tão diversificados que, de imediato, parecem fugir do currículo normal das faculdades humanas. Suas visões e pressentimentos, a viagem para Chinon, a autoridade no comando das tropas, a audácia para os padrões femininos da época, a notável inteligência e a coragem perante a morte tornaram-na, ao longo dos tempos, a personagem histórica que mais sofreu estudos contraditórios.

Para os mais crentes, Joana seria venerada como uma santa. Os estudiosos preferiram reconhecê-la como uma valorosa guerreira que representou a personificação do patriotismo popular francês da época, conseguindo arrancar os ingleses da terra natal. Já os indiferentes, embora admirassem a sua figura de certa forma sobrenatural, preferiram ignorar os verdadeiros objetivos de sua missão.


No século XIX, o codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, de naturalidade francesa como Joana, trouxe para o mundo um novo conceito do sobrenatural, revelando que somos espíritos eternos e imortais. Desde a sua criação, o espírito percorre uma trajetória evolutiva, habitando sucessivamente dois planos: o visível (encarnado) e o invisível (desencarnado). Como há necessidade da comunicação entre os dois planos, ela é feita por intermediários conhecidos como “médiuns”. Essa comunicação é conhecida como “fenômeno mediúnico”. A partir dessas revelações, constatou-se que Joana D’Arc está bem longe de ser um mistério.


A mediunidade é um talento do qual todos os espíritos são dotados indistintamente a partir da criação e acompanha a sua evolução. Portanto, todos somos médiuns em potencial e os fenômenos mediúnicos sempre existiram em todas as épocas e lugares, independentemente da cultura ou da classe social. Na sua estada terrena como espírito encarnado, Joana D’Arc foi muito mais que uma intrépida guerreira, apresentou faculdades mediúnicas já caracterizadas, mas até então incompreendidas e, por essa razão, rejeitadas. Representando um papel de suma importância para o Espiritismo, tornou-se um de seus prepostos.


A sua vidência se manifestava quando via seus interlocutores, através da audiência ouvia vozes, por pressentimento reconheceu Carlos VII e, sobretudo, provou que inteligência, fé, perseverança e dinamismo são atributos do espírito. Saindo da obscuridade, cumpriu um mandato mediúnico confiado pelo plano superior, que lhe delegou a responsabilidade de direcionar seu povo. Sem renegar sua missão e suas crenças, apresentou em julgamento a firmeza de todos aqueles espíritos evoluídos que encarnaram com tarefa definida, dando um exemplo não só para a França, mas para a humanidade em geral.


Artigo publicado na Revista Cristã de Espiritismo, edição 12.

Socorro oportuno e a depressão

" O AMOR É O ETERNO FUNDAMENTO DA EDUCAÇÃO"  Johann Heinrich Pestalozzi - Educador Suiço, Mestre de Allan Kardec


"Nenhum dos pensadores modernos deu tanta importância ao amor na Educação quanto Pestalozzi"


Socorro Oportuno


"(...) Lembra-te deles, os quase loucos de sofrimento, e trabalha para que a Doutrina Espírita lhes estenda

socorro oportuno. Para isso, estudemos Allan Kardec, ao clarão da mensagem de Jesus Cristo, e, seja no exemplo ou na atitude, na ação ou na palavra, recordemos que o Espiritismo nos solicita uma espécie
permanente de caridade - a caridade da sua própria divulgação". (1) Do livro "Estude e Viva", ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz, psicografado por Chico Xavier e Waldo Vieira.



PROFESSOR HIPOLYTTE LEÓN DENIZARD RIVAIL-ALUNO DE PESTALOZZI

ÚLTIMA RESIDENCIA DE ALLAN KARDEC-VILLE DE SEGUR-Paris




DEPRESSÃO
Depresión
  
A depressão pode ser conceituada como a alteração do estado de humor: Uma tristeza intensa, um
batimento profundo com desinteresse pelas coisas. Tudo perde a graça, o mundo fica cinza, viver torna-se
tarefa difícil, pesada, com idéias fixas e pessimistas.
La depresión puede ser conceptuada como la alteración del estado de humor: Una tristeza intensa, un

batimiento profundo con desinterés por las cosas. Todo pierde el sentido, el mundo se puso gris, vivir se vuelve una tarea difícil, pesada, con ideas fijas y pesimistas.

Poderíamos, assim, considerá-la como uma emoção estragada. As emoções naturais devem ser passageiras e devemos deixá-las circularem normalmente sem desequilibrar o ser. A tristeza, por exemplo, é uma emoção natural que nos leva a entrar em contato conosco, a introspecção e a reflexão sobre as nossas titudes. Mas se a tristeza é prolongada, acompanhada com o sentimento de culpa, nos levará a depressão mental.

Podríamos, así, considerarla como una emocióncorrompida. Las emociones naturales deben ser pasajeras y debemos dejarlas que circulen normalmente sin desequilibrar al ser. La tristeza, por ejemplo, es una emoción natural que nos lleva a entrar en contacto con nosotros, la introspecciónyla reflexión sobre nuestras actitudes. Pero sila tristeza es prolongada, acompañada conel sentimiento de culpa, nos llevará a la depresión mental.


As pesquisas recentes nos falam que podemos dividir a depressão em três formas de acordo com o fator causal. 1) Depressão reativa ou neurose depressiva, que depende de fator externo desencadeante, geralmente perdas ou frustrações, tais como separação familiar, perda de ente querido, etc. 2) Depressão secundária a doenças, como acidente vascular cerebral (derrame), tumor cerebral e doenças da tireóide, etc. 3) Depressão endógena por deficiência de neurotransmissores, como depressão do velho, depressão familiar e psicose maníaco-depressiva, atualmente, conhecida como distúrbio bipolar.

Las investigaciones recientes nos hablan que podemos dividir la depresión en tres formas de acuerdo conel factor causal. 1) Depresión reactiva o neurosis depresiva, que depende de un factor externo desencadenante, generalmente pérdidas o frustraciones, tales como separación familiar, pérda de un ser querido, etc. 2) Depresión secundaria lasenfermedades, como accidente vascular cerebral (derrame), tumor cerebral yenfermedades de la tiroides, etc. 3)Depresión endógena por deficiencia de neurotransmisores, como depresión delanciano, depresión familiar y psicosis maníaco-depresiva, actualmente, conocida como disturbio bipolar.


Neste momento em que atravessamos uma grande decadência moral, espíritos inferiores exercem a sua influência sobre as pessoas na sua vida íntima, nos vícios, nas drogas, na violência e até no aumento da criminalidade, pois os homens são influenciados pelas mentes desencarnadas que atuam sobre as pessoas neste mundo de provas e expiações.

En este momento en que atravesamos una gran decadencia moral, espíritus inferiores exercen su influencia sobre las personas en su vida íntima, en los vicios, en las drogas, en la violencia yhastaen el aumento de la criminalidad, pueslos hombres son influenciados por las mentes desencarnadas que actuan sobre las personas eneste mundo de pruebas y expiaciones.


Para vencer este mal e ficarmos protegidos contra a depressão, é necessário que pratiquemos algumas ações orientadas pelo "O Livro dos Espíritos", que nos sugere a prática da caridade e outras ações para a libertação deste sofrimento: ouvir uma boa música; fazer uma boa leitura; a freqüência regular a uma instituição religiosa, no caso específico, a um grupo Espírita Kardecista, e receber uma boa orientação espiritual. Ainda recomendamos a visita ao médico ou psicólogo, e, finalmente, o envolvimento da pessoa em um trabalho espiritual ou beneficente como uma terapia. Pense nisso. E seja feliz!

Para vencer este mal ypara que nos quedemos protegidos contra la depresión, es necesario que practiquemos algunas acciones orientadas por "El Libro de los Espíritus", que nos sugiere la práctica de la

caridad y otras acciones para la liberación de este sufrimiento: oír una buena música; hacer una buena lectura; la frecuencia regular a una institución religiosa, en el caso específico, a un grupo Espírita Kardecista, y recibir una buena orientación espiritual. Y también recomendamos la visita al médico o al psicólogo, y, finalmente, el envolvimiento de la persona en un trabajo espiritual o beneficente como una terapía. Piense en eso. Y sea ¡feliz!



Enviado pela Presidente GORETE NEWTON-Suiça - CEEAK - Centro de estudos espíritas Allan Kardec

Industriestrasse 8 - 8404 - Winterthur Schweiz -
www.ceeak.ch

Carne: comer ou não comer? Eis a questão sob a Luz da Doutrina Espírita




Alexandre Fontes da Fonseca
Centro Espírita Irmão Agostinho – Brotas – SP
Artigo publicado no jornal O Idealista, da USE – Regional Jaú, Setembro (2006).
A questão sobre a alimentação tem sido bastante discutida no movimento espírita.
Mensagens como a de Emmanuel (questão 129 da Ref. 1) e de André Luiz (Cap. 4 da Ref. 2) desaconselham o uso da alimentação carnívora.
Entretanto, isso parece se contrapor com a orientação básica dos Espíritos superiores presentes nas questões 722, 723, 724 e 734 do Livro dos Espíritos3. Reproduziremos aqui a questão 723:

723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?

“Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização”.
Pretendemos demonstrar aqui que a recomendação de Emmanuel e André Luiz de se evitar a alimentação carnívora possui bases doutrinárias não estando, portanto, em desacordo com o Espiritismo. Para isso, recorremos à Revista Espírita de dezembro de 1863 onde Kardec reproduziu uma mensagem do Espírito Lamennais4 que esclarece de modo claro todos os ângulos dessa questão:
"Sobre a alimentação do Homem
(Sociedade de Paris, 4 de Julho de 1863. Médium: Sr. A. Didier)
O sacrifício da carne foi severamente condenado pelos grandes filósofos da antiguidade. O Espírito elevado revolta-se à idéia de sangue e, sobretudo, à idéia de que o sangue é agradável à Divindade. E notai bem, que aqui não se trata de sacrifícios humanos, mas unicamente de animais oferecidos em holocausto. Quando o Cristo veio anunciar a Boa-Nova, não ordenou sacrifícios de sangue: ocupou-se unicamente do Espírito. Os grandes sábios da antiguidade igualmente tinham horror a estas espécies de sacrifícios e eles próprios só se alimentavam de frutos e raízes. Na terra os incarnados têm uma missão a cumprir: têm o Espírito que deve ser nutrido pelo Espírito, o corpo com a matéria; mas a natureza da matéria influi - compreende-se facilmente - sobre a espessura do corpo e, em consequência, sobre as manifestações do Espírito. Os temperamentos naturalmente muito fortes para viver como os anacoretas5 fazem bem, porque o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece. Mas para viver assim, geralmente seria necessária de uma natureza mais espiritualizada que a vossa, o que é impossível com as condições terrestres. E como, antes de tudo, a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações. Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto, desde que seja razoável. É uma questão algo leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa". (os grifos são nossos).
Essa mensagem explica que a dieta sem o uso da carne é melhor, pois isso “leva mais facilmente à meditação e à prece”.Isso aconteceria, pois, segundo Lamennais, a natureza da matéria influi nas manifestações do Espírito. Podemos comparar a situação com os vícios. Aquele faz uso de uma droga, por exemplo, impregna seu perispírito de vibrações que limitarão suas manifestações no mundo espiritual. Da mesma forma, o uso de uma dieta menos carnívora torna o perispírito menos “espesso” (usando aqui uma palavra que Lamennais usou no texto) o que permite que ele tenha mais facilidade em elevar seu pensamento em prece.
Porém, Lamennais, de modo responsável, deixou claro que a dieta vegetariana dependeria do aprimoramento espiritual da nossa Humanidade terrestre, o que ainda não ocorre. Daí adverte que “a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações”. Por isso a questão 723 acima não condena o uso da carne. Sobre privações, a questão 724 do Livro dos Espíritos3 recomenda:


724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?

“Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa”.
Dessa forma, a privação da carne só teria mérito se ocorrer em benefício do próximo. As atividades espíritas de passes e as reuniões mediúnicas constituem exemplos em que a abstenção do uso da carne, pelo menos no dia dessas atividades, pode levar a benefícios aos assistidos encarnados ou desencarnados. Mas se o tarefeiro tiver dificuldade com isso, Raul Teixeira6 assevera que, “É mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã, do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando-se de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade”.
Lamennais ainda disse que "Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto" sem esquecer que isso deve ser feito “desde que seja razoável”, isto é, sem exageros.
Portanto, a recomendação de Emmanuel e André Luiz é válida e está de acordo com o Espiritismo, mas não deve ser considerada uma exigência para a realização de um bom trabalho espírita ou uma boa reunião mediúnica. Lembremos, afinal, que Jesus em Mateus, Cap. 15 e vers. 11 disse que: "Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina”.E, para aprimorar o que sai de “nossa boca” e de nossos atos, devemos nos esforçar pela reforma íntima e no estudo doutrinário.


Referências

[1] Emmanuel, psicografia de F. C. Xavier, O Consolador, FEB, 20ª Edição (1999).
[2] André Luiz, psicografia de F. C Xavier, Missionários da Luz, FEB, 26ª Edição (1995).
[3] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a Edição, (1995).
[4] Lamennais, Revista Espírita Dezembro, pp. 387—388 (1863).
[5] Anacoreta é uma pessoa que se retira a um local isolado para dedicar-se a meditação e oração.
[6] D. P. Franco e J. R. Teixeira, Diretrizes de Segurança, Editora FRATER, 8ª Edição (2000).


Enviado por Johnny Tempelers - GETAL-Santos/SP

Medicina: o outro lado da cura


Allan Kardec previu, no século 19, que muitos médicos poderiam ser médiuns, quando entrassem na via da espiritualidade. “Muitos verão desenvolver-se em si faculdades intuitivas, que lhes serão um precioso auxílio na prática” (Revista Espírita –outubro, 1867). Mas advertiu: “a medicina é uma das carreiras sociais que se abraça para dela se fazer uma profissão, e a ciência médica só se adquire a título oneroso, por um trabalho assíduo, por vezes penoso”.
            O codificador procurava assim separar devidamente as duas situações, salientando inclusive que “a mediunidade curadora não matará a medicina nem os médicos, mas não pode deixar de modificar profundamente a ciência médica”, sendo necessário que ambas – ciência e mediunidade –  prestem-se mútuo apoio.
            Mas esse processo não é tão fácil. Exige adoção de uma nova visão pelos cientistas. Atraídos por enigmas fascinantes, via de regra, buscam respostas para a origem do universo e da vida, a evolução das espécies, o funcionamento do corpo humano e sua preservação. Com a medicina não foi diferente, sendo inegável o acentuado progresso tecnológico. Mas o que deveria ser utilizado apenas como instru.mento, muitas vezes impede que profissionais de saúde vejam o homem como um ser integral e não apenas como uma doença.
            A própria Organização Mundial de Saúde define saúde como um “estado de completo bem-estar físico, mental e so.cial e não consistindo somente da ausência de uma doença ou enfermidade”. É um avanço, mas ainda falta o aspecto espiritual, o que vem sendo pleiteado por várias entidades de saúde e espiritualidade. No Brasil, principalmente, o movimento dos médicos espíritas vem ganhando cada vez mais espaço nas mídias, e a espiritualidade no tratamento dos pacientes tem despertado profissionais para a retomada de uma medicina mais abrangente e humanizada.quanto à humanização nos tratamentos. Para isso, o empenho na divulgação das temáticas espíritas tem se transformado em importantes congressos, descortinando um nova visão quantos aos cuidados com os pacientes, levando-se em consideração também a parte espiritual do homem para a compreensão e o alívio de seus tormentos.
            De 23 a 25 de junho, por exemplo, será realizado em Belo Horizonte mais um Mednesp, que há 20 anos vem se empenhando para construção de um novo paradigma para a saúde.
            Para o médico-cirurgião Décio Iandoli*,  a medicina na atualidade realmente passa por mudança de paradigma. Os médicos estão mudando toda a forma de ver as pessoas e, consequentemente, a maneira de abordá-las. Segundo ele, toda a tecnologia e as possibilidades de sua aplição amealhadas nestes mais de 100 anos de medicina científica estão passando a ocupar seu real lugar como instru.mentos, não como forma ou filosofia para o exercício da profissão.
Ele reconhece que estamos apenas começando, mas garante que o processo irreversível já foi deflagrado e acontecerá muito mais cedo do que podemos supor. Em entrevista exclusiva ao Correio Fraterno ele respondeu:
Por que o lado espiritual não é valorizado no estudo e na prática médica?
É uma questão histórica. Como as instituições religiosas detinham o poder sobre a fé,
política e ciência, para continuar seu crescimento precisou se desvincular da religião e, de roldão, virou as costas para a questão espiritual, abandonando-a nas mãos das instituições religiosas. A medicina que praticamos hoje é produto deste litígio, guarda o ranço e o preconceito que nega tudo o que não é matéria.
        Não há o risco de se ‘misturarem as estações’ entre espiritismo e medicina?
A visão do todo esclarece, não confunde. Para entendermos as pessoas e seus mecanismos de saúde e doença precisamos compreender todas as facetas que as constituem, e o espiritismo tem muito a dizer sobre isso.
        Qual a importância dos conhecimentos espíritas para o profissional de saúde?
Além da compreensão dos mecanismos mais profundos de geração das doenças e transtornos dos seres humanos, eles aperfeiçoam a relação médico-paciente, assim como faz com todas as relações humanas, reeditando o papel do médico, não mais como o curador, mas como o cuidador.
        Com tanta tecnologia, a medicina precisa resgatar e aproveitar algo do passado?
Acho que sim, mas não num sentido de retroceder, mas de avançar. Evoluímos em espiral, como se estivessemos subindo uma grande escada caracol. Parece que andamos em círculos, mas a cada volta estamos um nível acima, percebendo melhor conceitos antigos ou renovando deliberações anteriores.
        É possível realizar uma medicina espiritual sem crendices e superstições?
Claro que sim. É justamente o que buscamos. Basta estabelecermos o conhecimento através da ciência e da experimentação, configurando aquilo que pode ser utilizado com eficácia e aquilo que é inútil ou prejudicial. O trabalho de Chico Xavier, notadamente a obra de André Luiz, é um grande roteiro que nos descortina importantes mecanismos do que temos chamado de fisiologia transdimensional e acusa as direções para as quais devemos apontar nossos estudos e pesquisas.
        Como as faculdades de medicina encaram, hoje, a existência e a interferência do espírito?
Cada vez com maior seriedade. Cerca de  94% das escolas de medicina americanas já contam com a disciplina de medicina e espiritualidade nos seus currículos e, no Brasil, multiplicam-se grupos e ligas acadêmicas que se dedicam ao estudo deste tema.
        Qual o maior desafio das Associações Médico-Espítitas?
A pesquisa. Trazer à luz da comunidade científica aquilo que já sabemos pela revelação espírita, seja indo aos laboratórios, aos aparelhos de neuroimagem funcional ou à pesquisa biológica ou psicológica.              
        O que esperar do futuro?
        Estamos terminando um grande e importante capítulo do nosso desenvolvimento, o materialismo. Através deste paradigma descortinamos grande parte dos mistérios que nos rodeavam e, muitas vezes, nos assustavam, porém este se esgota. Não se mostra capaz de responder questões fundamentais como, por exemplo, o que é vida, o que é mente, como se explicam curas ‘milagrosas’ ou como surgem certas   doenças provocadas pelos nossos sentimentos em desalinho. Nosso próprio desenvolvimento nos trouxe a este lugar em que nos encontramos hoje. Estamos precisando de novas abordagens, de um novo olhar, um novo paradigma que nos permita seguir em frente. É a era do espírito que se inicia.
Dr. Décio Iandoli.  Uma visão integral do paciente
  *Professor universitário, escritor e vice-presidente da Associação Médico-Espírita do Mato Grosso do Sul.