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terça-feira, 9 de dezembro de 2025

 

Coragem para Mudar


Muitos dos conflitos que afligem o ser humano decorrem dos padrões de comportamento que ele próprio adota em sua jornada terrestre.
É comum que se copiem modelos do mundo, que entusiasmam por pouco tempo, sem que se analisem as conseqüências que esses modos comportamentais podem acarretar.
Não se tem dado a devida importância ao crescimento e ao progresso individual dos seres.
Alguns crêem que os próprios equívocos são menores do que os erros dos outros.Outros supõem que, embora o tempo passe para todos, não passará do mesmo modo para eles.

Iludem-se no sentido de que a severidade das leis da consciência atingirá somente os outros.
Embriagados pelo orgulho e pelo egoísmo deixam-se levar pelos desvarios da multidão sem refletir a respeito do que é necessário realmente buscar-se.
É chegado o momento em que nós, espíritos em estágio de progresso na Terra, devemos procurar superar, de forma verdadeira, o disfarçado egoísmo, em busca da inadiável renovação.
Provocados pela perversidade que campeia, ajamos em silêncio, por meio da oração que nos resguarda a tranqüilidade.

Gastemos nossas energias excedentes na atividade fraternal e voltada à verdadeira caridade.
Cultivemos a paciência e aguardemos a benção do tempo que tudo vence.
Prossigamos no compromisso abraçado, sem desânimo, sem vãs ilusões, confiando sempre no valor do bem.
É muito fácil desistir do esforço nobre, comprazer-se por um momento, tornar-se igual aos demais, nas suas manifestações inferiores.

Todavia, os estímulos e gozos de hoje, no campo das paixões desgovernadas, caracterizam-se pelo sabor dos temperos que se convertem em ácido e fel, passados os primeiros momentos.
Aprendamos a controlar nossas más inclinações e lograremos vencer se perseverarmos no bom combate.Convertamos sombras em luz.

Modifiquemos hábitos danosos, em qualquer área da existência, começando por aqueles que pareçam mais fáceis de serem derrotados.

Sempre que surgir a oportunidade, façamos o bem, por mais insignificante que nosso ato possa parecer.
Geremos o momento útil e aproveitemo-lo.
Não nos cabe aguardar pelas realizações grandiosas, e tampouco podemos esperar glorificação pelos nossos acertos.
O maior reconhecimento que se pode ter por fazer o que é certo é a consciência tranqüila.
Toda ascensão exige esforço, adaptação e sacrifício, enquanto toda queda resulta em prejuízo, desencanto e recomeço.

Trabalhemos nossa própria intimidade, vencendo limites e obstáculos impostos, muitas vezes, por nó mesmos.
Valorizemos nossas conquistas, sem nos deixarmos embevecer e iludir por essas vitórias.

Há muitas paisagens, ainda, a percorrer e muitos caminhos a trilhar.
Somente a reforma íntima nos concederá a paz e a felicidade que almejamos.

A mudança para melhor é urgente, mas compete a cada um de nós, corajosa e individualmente, decidir a partir de quando e como ela se dará..

 

CULTO  DO  EVANGELHO  NO  LAR


Por vezes corremos tanto durante a semana que nem nos damos conta de separar um tempinho tao importante quanto o nosso trabalho é para todos nós: o momento do Culto do Evangelho no Lar.

Se existe algo que me deixa encantada é o hábito da populaçao americana em tirar um dia do ano para dar Graças a Deus por tudo que passaram durante este mesmo ano. Isso sim, merecia muito ser copiado pelas outras naçoes. A gratidao é uma das virtudes mais agradáveis aos olhos de Deus.

Pararmos uma vez por semana, preferentemente junto aos nossos familiares, é um momento especial e de muitas bênçaos. Podemos fazer uma leitura de O Evangelho Segundo o Espiritismo de maneira sistemática ou aberto ao acaso, sabendo que o acaso nao existe. Se nao for uma família Espírita, que abra a Bíblia procedendo da mesma maneira.

Iniciamos com uma prece pedindo a presença dos bons Espíritos ao nosso lado e que possam nos intuir nas nossas necessidades. Selecionamos nossa leitura e fazemos um breve comentário sobre ela. 

Podemos, ainda, aproveitar esse momento para iniciarmos o estudo de alguma obra em especial, ouvir um podcast, assistir um vídeo e similares. Tudo organizado par que nao seja muito extenso e cansativo e para que nao atrapalhemos os compromissos dos Mentores em suas atividades assistenciais.

Nao devemos nos esquecer de colocar nossas águas para serem fluidificadas. Ali é colocado um medicamento elaborado no Plano Maior para cada um de nós de acordo com a nossa necessidade. Essas águas sao verdadeiros remédios para nos auxiliar onde quer que estejam localizadas as nossas dores sejam elas de natureza física, espiritual, mental ou moral.

O cultivo desse hábito pode parecer pequeno mas é de grande importância para a proteçao da nossa casa e de nossa família.

E formada uma corrente mento-elétrico-magnética ao redor da nossa casa que evita a aproximaçao de energias negativas emitidas pelos dois planos da vida. 

Se em sua casa ainda nao foi criada a rotina de fazer o Culto do Evangelho no Lar nao espere mais. Institua esse hábito e usufrua de todo esse manancial de amor que nos é oferecido.

 O ódio

O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XII, item 10.

Amai-vos uns aos outros e sereis felizes. Tomai sobretudo a peito amar os que vos inspiram indiferença, ódio, ou desprezo. O Cristo, que deveis considerar modelo, deu-vos o exemplo desse devotamento. Missionário do amor, ele amou até dar o sangue e a vida por amor. Penoso vos é o sacrifício de amardes os que vos ultrajam e perseguem; mas, precisamente, esse sacrifício é que vos torna superiores a eles. Se os odiásseis, como vos odeiam, não valeríeis mais do que eles. Amá-los é a hóstia imácula que ofereceis a Deus na ara dos vossos corações, hóstia de agradável aroma e cujo perfume lhe sobe até o seio. Se bem a lei de amor mande que cada um ame indistintamente a todos os seus irmãos, ela não couraça o coração contra os maus procederes; esta é, ao contrário, a prova mais angustiosa, e eu o sei bem, porquanto, durante a minha última existência terrena, experimentei essa tortura. Mas Deus lá está e pune nesta vida e na outra os que violam a lei de amor. Não esqueçais, meus queridos filhos, que o amor aproxima de Deus a criatura e o ódio a distancia dele. — Fénelon, (Bordéus, 1861.)

 

 

Jerônimo Mendonça
1939 - 1989

Nasceu em Ituiutaba, MG, no dia primeiro de novembro de 1939. Filho de Altino Mendonça e Antonia Olímpia de Jesus, sendo nono filho de uma irmandade de dez filhos. Teve uma infância pobre cheia de privação e seus pais eram muito pobres, analfabetos, lutavam arduamente pela sobrevivência: a mãe lavando roupa para fora e o pai fazendo “bicos” pelas fazendas; conta em uma de suas histórias com muito humor, que o único par de sapatos que teve em sua adolescência foi achado no lixo, quando tentava entrar no cinema. Com treze anos foi levado a conhecer a igreja presbiteriana na qual foi protestante até os 15 anos; era um membro ativo, dava até palestras. Após a desencarnação de sua avó, começou a se debater mentalmente no problema cruciante da morte e do destino da alma, tendo ele um espírito indagador, não se sujeitou aos horizontes estreitos da igreja no que tange a crença em Deus, o conceito de uma vida única e de uma salvação limitada. A amizade com um espírita fê-lo converter-se à doutrina espírita. O amigo esclareceu-lhe as dúvidas da vida além-túmulo e conseguiu acalmá-lo. Já na puberdade, Jerônimo começou a sentir dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos. Esses pontos de seu corpo passaram a “inchar” e já aos dezoito anos andava com dificuldade. Teve vários empregos, porém as dores se agravaram, não lhe deram tréguas e o impediram de permanecer por muito tempo num mesmo trabalho e era sempre obrigado a se afastar. Foi ele balconista, entregador de jornal, redator-chefe de uma revista e professor. Seu passatempo preferido era o cinema, era fascinado pelo Tarzan, sendo este o seu apelido. Enquanto sua saúde lhe permitiu, participou ativamente das excursões com os jovens de uma Mocidade Espírita, estava ele com dezesseis anos. Desde jovem já mostrava interesse pelo espiritismo, frequentando o Centro Espírita que tinha na cidade. E isso foi de grande auxílio para ele, pois aos 18 anos de idade se defrontava com uma das primeiras grandes provações que tinha de vencer, passou a sofrer uma doença, não muito rara, a artrite reumatoide, que causava enorme dor e dificuldade de locomoção, quadro que foi se agravando até que aos 20 anos de idade ficou definitivamente de cama. Certo dia foi ao cinema assistir “... E o Vento Levou”, mas não havia nenhuma poltrona vazia. Jerônimo ficou quatro horas em pé no fundo da sala e ao terminar o filme estava petrificado, com grande vibração de dor nos membros inferiores. Foi aí que começou a jornada dolorosa e difícil da paralisia, como ele mesmo conta em sua autobiografia. Passou três meses deitado, plenamente impossibilitado de se locomover. Depois usou muletas por algum tempo enquanto ia lecionar, no entanto, acabou mesmo tendo de ficar numa cama ortopédica, acometido de artrite reumatoide progressiva. O quadro enfermo de Jerônimo era tão desolador que mesmo sob efeito de medicamentos, seus amigos tiveram que fabricar uma cama especial e colocar sobre seu peito um saco de areia de 30 quilos para que ele pudesse suportar a dor. Recebeu de um amigo a doação de uma Kombi para poder ser levado às palestras. Jerônimo tornou-se orador espírita. Podemos dizer que ele conseguiu transformar seu leito numa tribuna ambulante (deu palestras pelo Brasil todo) e por meio dela conseguiu realizar um grande e valioso trabalho. Quem o conheceu afirma que ele estava sempre rindo, gostava de um bom papo e de cantar também. Certa vez, o Dr. Fritz disse-lhe que ele tinha a doença de três cês – cama, carma e calma. Os amigos sempre levavam Jerônimo ao cinema e também a outros lugares para se distrair. Estando, certa ocasião, justamente num cinema, uma moça tropeçou em sua cama e “explodiu”: “Mas não é possível! Aonde eu vou, está o aleijado! Vou a uma festa, o aleijado lá! Esse aleijado me persegue! Aonde eu vou, ele está!” Jerônimo pensou consigo: “E agora?! A moça está revoltada, nervosa mesmo. Tenho que lhe dar uma resposta, mas não quero irritá-la mais ainda. O que dizer?” E saiu com essa: “Mas também, minha filha, você não para em casa, hein!” Ela olhou-o atônita e começou a rir. Riram juntos. Ficaram amigos. Permaneceu assim cerca de trinta e dois anos preso ao leito, paralítico e com a agravante perda da visão. Quase não dormia, aproveitou para estudar bastante o Espiritismo. Quando ficou cego amigos liam para ele. Nunca lhe faltaram bons amigos. Mas certa vez, um repórter lhe perguntou o que é a felicidade. Ele respondeu assim: “A felicidade, para mim, deitado há tanto tempo nesta cama sem poder me mexer, seria poder virar de lado”. Em outra ocasião, ele disse: “Casei-me com a Doutrina Espírita no civil e com a dor no religioso”.

Eis alguns casos da vida desse vulto do espiritismo:

1- Por ocasião de um “enterro”, quando o cortejo seguia para o cemitério, sua Kombi estava logo atrás. Retirado o caixão, quando as pessoas se dirigiam para o local, um alcoolizado que passava, vendo os amigos lhe carregando a cama, exclamou: “Nossa! Dois defuntos! Esqueceram o caixão deste!” Ele aprendeu a não se revoltar com comentários infelizes. Gostava de citar uma frase de Cairbar Schutel: “Melindres é orgulho ferido”.

 2- Numa palestra de Divaldo Pereira, a cama de Jerônimo estava em evidência, na frente, para não atrapalhar os que quisessem passar. Em certo momento, aproximou-se um homem alcoolizado e disse-lhe: “Paralítico, levanta-te e anda!” E Jerônimo lhe disse: “Depois, meu amigo, depois”. Temia Jerônimo que a cena fosse notada e atrapalhasse a palestra. “Paralítico, levanta-te e anda!”, insistiu o bêbado.“Bem que eu queria, mas não consigo”, falou baixo Jerônimo, tentando chamar o homem à razão. O bêbado saiu desconsolado: “Oh, homem de pouca fé!”.

3- Ele costumava ser requisitado para a prece de despedida por ocasião da desencarnação de conhecidos. Um dia, próximo ao túmulo, coube-lhe a palavra. Depois emocionadas, as pessoas foram saindo, conversando. Esqueceram-no no cemitério. Altas horas da noite, quando os amigos foram visitá-lo em casa e ele não estava, é que se lembraram do cemitério, indo buscá-lo. Em ocasiões como essa, exercitava a resignação. Tinha que esperar que se lembrassem dele, até para um cafezinho ou um copo de água.

 4- Um certo dia, um Senhor foi orientado pela irmã de Jerônimo, para que aquele fosse fazer uma visita a seu irmão, e assim o fez. Quando chegou a casa, ele foi convidado a entrar e, ouvindo o barulho do pessoal nos fundos da casa, para lá se dirigiu. As gargalhadas de Jerônimo sobressaíam a distância. O homem estava tão desesperado que ao ouvir os risos virou-se a D.Terezinha e disse, revoltado: “É esse homem que irá me confortar?” Fez-se silêncio, o senhor foi chamado e apresentado. “Jerônimo, aqui está um senhor que veio de São Paulo só para conversar com você. Por certo, desejará fazê-lo sozinho”. Os jovens se retiraram, e o senhor tomou a palavra: “Olha moço, eu era uma pessoa muito rica até uma semana atrás. Eu tinha uma fazenda com eletricidade, com todo conforto da vida moderna, até campo de aviação. Tinha tudo. Fui tão incauto, que ao fazer a venda da fazenda passei a escritura e recebi uma nota fria”. Jerônimo estranhou o que era uma nota fria. “Uma duplicata sem valor. Eu não tive nem condições de reclamar. O advogado falou que era perda de tempo. A minha família antes se tolerava porque nós conversávamos por bilhetes, eu nos meus weekends, a minha esposa nos seus chás e os filhos iam aonde queriam. Agora todos vêm em cima de mim, me cobrando o conforto, me cobrando a fazenda; eu não resisto a essa situação. Estava na farmácia justamente comprando um remédio para dar fim à minha vida, quando apareceu um amigo que perguntou:” “ Para que você quer isso?” “Como ele sabia do negócio que eu fiz e do meu desespero, ele falou:” “Eu não admito que você compre esse remédio!” “Eu respondi: Como? Você não manda na minha vida! Aí ele me disse:” “Eu vou deixar, sim,você cuidar de sua vida, se você me prometer que vai conversar com o Jerônimo Mendonça em Intuiutaba. Eu lhe dou a passagem”. “Ele me deu a passagem, aqui estou, mas acho que eu perdi tempo, porque você é uma pessoa feliz, que não sabe o que é o sofrimento alheio”. Jerônimo lhe respondeu: “Meu amigo, você é uma pessoa que realmente está sofrendo. Você perdeu uma fazenda maravilhosa, mas vamos supor que essa criatura que lhe comprou a fazenda voltasse agora e lhe perguntasse: “Você quer trocar a fazenda por um olho seu?” “Ah! Jerônimo, que bobagem é essa, isso é conversa que se fale!” “Não, o olho não, o olho é muito precioso, então vamos supor... Um braço”. “Ah! Mas que bobagem! Que conversa! Onde já se viu isso? Oh, meu amigo! E cheguei à conclusão que você não é pobre, você não é miserável. Você é arquimilionário das bênçãos de Deus”. O homem ao sair dali mudou seu modo de pensar, sempre que podia voltava para trocar ideias com Jerônimo, e acabou se tornando um trabalhador da seara espírita”.